Alina Narrando
Acordei sentindo braços pesados ao redor da minha cintura. O cheiro de Darius, uma mistura inebriante de terra, pinho e algo que era puramente dele, me envolveu. Abri os olhos lentamente, o sol da manhã filtrando pelas cortinas, e me virei para encará-lo. Ele ainda tinha os olhos fechados, a respiração calma e ritmada.
-Bom dia- ele murmurou, a voz rouca de sono, mas com um sorriso que senti mesmo sem vê-lo.
-Não foi para a sede ainda?!- perguntei, surpresa. Era quase um milagre vê-lo na cama a essa hora.
-Decidi desmarcar tudo. Estou sentindo falta da minha mulher- ele disse, abrindo um olho e piscando para mim. Sorri, um calor se espalhando em meu peito. Aconcheguei-me em seu abraço, sentindo o calor do seu corpo contra o meu. Ficamos por mais uma hora deitados, apenas sentindo um ao outro, absorvendo a paz rara daquele momento. O romance florescia em cada toque, cada suspiro.
-Vamos levantar- eu disse, embora não quisesse sair daquele abraço.
-Hmm- Darius resmungou, uma careta divertida em seu rosto, arrancando-me risos. O humor dele era um presente.
-Darius, eu preciso ir no banheiro- eu disse, sentindo um fluxo repentino de enjoo. Empurrei Darius delicadamente e corri para o banheiro.
-Alina!- Darius veio atrás, com os olhos arregalados, o pânico evidente em seu rosto. A imagem dele, meio despenteado e preocupado, era hilária, apesar da situação.
-Calma, não tem nada a ver com o feitiço- eu o tranquilizei, saindo do banheiro. -É um enjoo normal na gravidez.- Darius suspirou de alívio, a tensão esvaziando seu corpo como um balão.
-O café da manhã já deve estar pronto. Vou trazer aqui para você- ele disse, virando-se para sair. Assenti e me sentei na poltrona perto da janela, observando o sol da manhã banhar a paisagem. Acariciei minha barriga, sentindo a presença de Fillipa, a pequena vida crescendo dentro de mim. Um sorriso se formou em meus lábios, e lembrei-me de uma canção de ninar que minha mãe costumava cantar. Era uma melodia antiga, com letras que falavam de lobos e proteção.
Comecei a cantar baixinho, a melodia suave e as palavras se entrelaçando.
Vargen ylar I natten skog Han vill men kan inte sova Hungern river I hans varga buk O det är kallt I hans stova Du varg du varg, kom inte hit Ungen min får du aldrig
O lobo uiva na floresta à noite Ele quer, mas não consegue dormir Lágrimas de fome em sua barriga de lobo Oh, está frio na oca dele Seu lobo, seu lobo, não venha aqui Você nunca pega meu filho
Vargen ylar I natten skog Ylar av hunger o klagar Men jag ska gen en grisa svans Sånt passar I varga magar Du varg du varg, kom inte hit Ungen min får du aldrig
O lobo uiva na floresta à noite Uiva de fome e reclama Mas eu vou pegar um rabo de cavalo Esse tipo de coisa se encaixa em estômagos de lobo Seu lobo, seu lobo, não venha aqui Você nunca pega meu filho
Terminei de cantar e, ao levantar os olhos, percebi que Darius estava parado na porta do quarto, me encarando. Um sorriso largo e terno iluminava seu rosto, e seus olhos estavam cheios de uma emoção profunda.
-Continua. Essa é a cena mais linda que já vi na vida- ele disse, a voz embargada. Sorri, um pouco de vergonha subindo às minhas bochechas, mas meu coração estava repleto de felicidade. Darius se aproximou e se ajoelhou na minha frente, seus olhos fixos nos meus.
-Eu te amo- eu disse, a voz embargada pelas emoções.
-Eu amo vocês- ele respondeu, seus olhos marejados. -Desde o dia que vi você na floresta, tive certeza que meu destino seria feliz.- Senti que ele desabafava, as palavras carregadas de toda a dor e esperança que ele havia guardado. Não me contive e as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto também. Eu o abracei com força, e ficamos assim por alguns minutos, o mundo lá fora esquecido, apenas nós dois e a promessa de um futuro.
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Suprema
Loup-garouUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
