Alina narrando
Acordei com uma dorzinha gostosa espalhada pelo corpo, daquelas que te lembram que a noite passada não foi exatamente... tranquila. Estiquei os braços preguiçosamente e virei o rosto para o lado, esperando encontrar o calor de Darius ali. Mas só dei de cara com o travesseiro amassado e o cheiro dele ainda impregnado nos lençóis. A cama estava vazia.
— Já fugiu de novo? — murmurei, meio emburrada, sentando-me lentamente. Foi quando notei algumas manchas vermelhas nos lençóis brancos.
Pisquei.
— Mas o que...?
A lembrança da noite anterior explodiu na minha mente como um incêndio. Nossos lobos, a transformação, os corpos em chamas de desejo, a cama rangendo sob nossos movimentos, o rosnado dele na minha nuca...
Mordi o lábio, sorrindo feito boba.
— Ai, Lua... Como é que eu volto à vida normal depois disso?
Levantei devagar, com o corpo ainda reclamando dos arranhões, mordidas e da intensidade que foi ser tomada por aquele homem... Ou melhor, por aquela fera. Entrei no banheiro e deixei a água quente massagear meus músculos. Meus pensamentos divagavam. Pela primeira vez em dias, eu sentia algo próximo da paz.
Escolhi um vestido leve de tecido esvoaçante, deixei os cabelos soltos ainda úmidos e cuidei da pele com calma. Queria aproveitar a manhã.
Na cozinha, encontrei a governanta que Darius tinha comentado comigo.
— Bom dia, Luna — disse ela com uma reverência leve.
— Bom dia, Flora. E sem formalidades, por favor — sorri de volta, gentil.
— Claro, senhora. Deseja algo específico para o café?
— Só um suco, por enquanto. Meu estômago ainda está dormindo.
Ela me serviu suco de abacaxi fresco, e aquilo caiu como um bálsamo no meu corpo.
— Se me der licença, irei organizar os andares de cima. Caso precise de mim, estou à disposição.
— Obrigada, Flora.
Com a casa em silêncio, decidi sair. Sentia falta de andar sem rumo, de ver o mundo ao meu redor, e hoje, com o clima calmo e o coração leve, parecia o dia perfeito.
O condomínio dos lobos era um encanto: casas com arquitetura rústica cercadas por jardins e trilhas de pedra, e uma floresta densa ao fundo que parecia respirar junto conosco. Crianças brincavam, casais passeavam, alguns guerreiros treinavam em silêncio. Recebi reverências e sorrisos respeitosos.
— Bom dia, Luna.
— Bom dia — respondia com um sorriso, tentando disfarçar o desconforto com tanta formalidade. Ainda estava me acostumando com essa nova posição.
Pedi um táxi e fui até o centro da cidade. Precisava me misturar um pouco entre os humanos, sentir o cheiro da civilização, do asfalto quente e do café recém-passado. Olhos curiosos me observavam.
— Não sabem se sou uma princesa ou uma ameaça — murmurei, rindo sozinha.
Andei devagar pelas calçadas largas, olhando vitrines e lojas, até que, ao passar em frente à torre da empresa de Darius, ergui o olhar por impulso.
Ali estava a janela do último andar.
— Hm... Vamos brincar um pouquinho?
Fechei os olhos e abri a ligação mental com ele.
"Amor..."
"Alina?" A voz dele surgiu carregada de surpresa e... sono?
"Devia estar dormindo."
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
