Dias se passaram.
A escuridão estava encurralada, seus líderes dizimados. As tentativas de fuga pelo mar foram impedidas — os grifos e os feiticeiros das tempestades afundaram navios sombrios antes que cruzassem os arrecifes.
Ainda assim, a neblina se adensava na Floresta Negra. Algo... algo espreitava.
Alina permaneceu firme, sustentando a barreira mágica por dias seguidos, recusando-se a dormir.
— Alina... descanse um pouco. — Darius sussurrou atrás dela, sua voz baixa, preocupada, amorosa.
Ela rosnou baixinho, sem sequer se virar. — Se eu sair, Peter ataca. Ele está me esperando cair. Eu sinto.
Ele se aproximou, devagar, e a abraçou pelas costas. — Eu também sinto. Mas você não está sozinha.
Ela inspirou profundamente, sentindo o cheiro dele. Quente, familiar. Doce e masculino. Mas se afastou, determinada. — Preciso do Don.
Alina atravessou o acampamento em meio ao respeito e reverência de sua matilha. Todos se ajoelhavam conforme ela passava. Quando ela parou no alto do monte, soltou um suspiro e liberou toda a sua dominância. O poder que emanou dali silenciou até os pássaros. Ela estava convocando Peter. E ele sabia.
Don apareceu ao seu lado. — Está na hora, Luna. Vamos acabar com isso.
Eles marcharam até o front.
Corpos em decomposição, sangue seco, e um cheiro que embrulhava o estômago cercavam o caminho. Darius ia logo atrás, os olhos flamejando de tensão.
— PETER! — Alina gritou. Sua voz foi ecoada pelos ventos. — VAMOS RESOLVER COMO DA PRIMEIRA VEZ!
O silêncio pairou, tenso.
Até que risos zombeteiros e aplausos ecoaram no vale como espectros.
— Pensei que nunca iria me chamar, minha querida cadelinha... — Peter surgiu da névoa, desfigurado, os olhos ardiam em vermelho. — Que saudade dos velhos tempos. Lembra quando morremos juntos?
Darius avançou com um rosnado, mas Alina o impediu com uma mão. — Não. Ainda não.
Ela olhou para Peter com desprezo. — Já sabe por que estou aqui. Chega de rodeios. Isso termina hoje.
Don avançou, os olhos faiscando em energia mágica.
— Isso... — murmurou Peter, sorrindo de forma grotesca — ...isso vai ser divertido.
Agora, o destino do mundo repousava entre os dedos de três criaturas que já haviam morrido uma vez... e estavam dispostas a matar de novo.
— Que os deuses estejam com vocês... — sussurrou Darius, de longe, com o coração apertado ao ver sua fêmea se preparar para enfrentar o pesadelo que assombrava seus dias e noites.
E assim, o campo ficou em silêncio.
Até que a guerra recomeçasse.
O vento cessou.
As árvores pararam de respirar. O tempo pareceu segurar o fôlego.
Peter avançou, seus pés não tocavam o chão — ele flutuava, como uma sombra viva, corrompido além da sanidade. A pele rasgada revelava músculos escurecidos, ossos carbonizados, e no peito, um buraco onde antes existira um coração.
— Você não mudou nada, Alina... ainda tão linda. E ainda tão... estúpida. — ele sorriu, cuspindo sangue escuro. — Mas agora... agora eu sou um deus.
Don deu um passo à frente, o manto esvoaçando ao redor do corpo alto e magro. Seus olhos eram duas chamas azuis, frias e letais.
— Deuses morrem todos os dias. Você é só mais um erro esperando ser corrigido.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
