32 º (Reescrito)

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DARIUS – NARRANDO

Tem dias em que nem o peso do mundo nos derruba... mas o medo de perder quem amamos, esse sim, me arranca o chão.
Desde que encontrei Alina novamente, me tornei dependente dela de um jeito que me envergonha.
Sou o Supremo. Não deveria ceder assim, não deveria tremer por dentro ao menor sinal de que ela corre perigo.

Mas eu tremo.
E isso me enlouquece.

— Senhor... — A voz de Pietro me arranca dos pensamentos. Ele se aproxima ao lado de alguns rastreadores. Estavam exaustos. — Enviei um novo grupo em busca dos invasores, mas os rastros desapareceram. Como se tivessem sido engolidos pela terra.

Bufo, frustrado.
— Preciso reassumir o controle disso. Alina não pode pagar o preço pela minha distração. Eu... tenho que ser forte por ela.

Pietro, como sempre, permanece calado. Mas seu olhar diz tudo. Ele entende. E, mesmo em silêncio, me apoia.

— Senhor... posso sugerir algo? — pergunta, após alguns segundos.

— Diga.

— Os elfos da Fortaleza Luminus. Eles são nossos aliados, e o treinamento deles é incomparável. Se o senhor quiser... posso intermediar o contato.

Levo alguns segundos, mas aceno.
— Boa ideia. Quero falar com Luminus o quanto antes. Se puderem me fortalecer, estarei pronto para enfrentar qualquer mal.

Seguimos para a sala de planejamento. E como sempre, Alina havia deixado tudo perfeitamente organizado. Até nos mínimos detalhes, ela cuida de todos.
A ronda estava funcionando, os conflitos entre os comerciantes diminuíram. E apesar da sombra pairando sobre nós, por um breve momento... o dia correu bem.

Pietro ficou de levar meu pedido até os elfos. E eu, finalmente, podia voltar para casa.

(...Na Reserva...)

Sinto o cheiro assim que atravesso a mata. Um aroma doce, quente... familiar.
Minha casa.
A trilha sonora que ecoa é uma mistura de jazz com alguma batida tribal. Curioso. Aperto o passo.

Entro e dou de cara com o lar impecavelmente arrumado. E aquela fragrância deliciosa de comida feita com carinho preenche meus pulmões.

— Oi? — chamo, mas minha voz se perde no volume da música.

Sigo até a cozinha... e ali está ela. Alina. Girando entre uma panela e outra, com um sorriso que quase me derruba. Seu quadril se balança no ritmo da música, e seu cabelo brilha sob a luz amarela da cozinha.

— Alina? — digo, com um sorriso já no rosto.

Ela se vira, como se tivesse sentido meu cheiro antes da minha presença.

— DARIUS! — corre até mim, pulando no meu pescoço. — Você não tem ideia de como esperei por esse abraço.

Ela me beija... um beijo intenso, cheio de saudade e fome.

— E então, como foi na sede? — pergunta, enquanto se afasta só o suficiente para me olhar nos olhos.

— Melhor agora que estou aqui — respondo, sentando-me. Ela sorri e estende um jarro.

— Peguei isso pra você hoje — diz, e o cheiro me atinge como uma onda: sangue puro, quente. Meu lado demoníaco vibra.

Bebo com gosto. Sinto meu corpo relaxar.

— Estou começando a gostar de ver essa cena — comento, observando-a mexer a panela. — Você, sorrindo... cantando... vestida assim.

Ela vira, apoiando-se na mesa com aquele sorriso sapeca que me desarma.

— Que cena? Essa aqui? — pergunta, rebolando levemente.

— Exatamente essa. — Me aproximo e a puxo pela cintura.

— Tenho uma confissão, Supremo. — brinca, desabotoando minha camisa. — Estou completamente viciada em você. E acho que não tem mais volta.

— Mulher, assim você me enlouquece. — A ergo no ar e giro com ela nos braços. — Você é meu vício mais perigoso. E o mais doce também.

— Eu te amo. — diz, com os olhos marejados de sentimento.

— E eu te amo mais do que qualquer coisa nesse mundo — respondo, colando nossos testas. — Você é minha casa.

— Agora... banho. Você tá fedido, meu amor. Vai lá, se limpa e volta logo, que quero você na cozinha. E, talvez... depois da janta... na minha cama.

— "Talvez", é? — arqueio a sobrancelha.

— Hmmm... depende da sua performance culinária. — morde meu lóbulo, rindo.

Recebo um tapa na bunda quando viro de costas.

— GOSTOSO! — ela grita, gargalhando.

— Direitos iguais, hein! — retruco, já subindo.

(...após o banho...)

Encontro Alina na varanda. Ela está calada, observando a floresta sob o céu estrelado. A envolvo por trás, deixando meu peito colar em suas costas.

— No que tanto pensa, loba? — pergunto, beijando seu ombro nu.

— No futuro. No nosso povo. Hoje vi as crianças brincando na clareira... e senti algo novo. Como se meu peito estivesse... vibrando. Pulsando com uma energia que não sei explicar.

— Isso é o elo. O vínculo com a alcateia. É o que nos dá força... e também responsabilidade. Quando eles estão bem, nós estamos fortes. Quando sofrem... sentimos antes de saber. Nosso dom é conexão. Nossa missão é proteger.

Ela me olha, pensativa.

— Quero conhecer tudo... cada segredo. Quero estar pronta pra isso. Por mim. Por você. Por todos.

— Eu vou te levar à sede dos Supremos em breve. Lá, você vai entender o que significa carregar o espírito dos antigos. Vai sentir a alma da Alcateia viva.

Ela sorri, e seu olhar brilha com uma mistura de medo e entusiasmo.

— Agora venha... vamos comer.

A mesa está repleta de todas as minhas comidas favoritas.

— Como você descobriu que eu gosto de tudo isso?

— Pietro e Castro. Me contaram todos os seus segredos, inclusive o que você não gosta de alho — pisca.

— Traidores. Preciso recompensá-los com um vinho... envenenado.

Rimos.

Comemos devagar, trocando olhares carregados de promessas silenciosas. Uma mordida, um sorriso. Um gole, uma provocação. Alina passa o pé por minha perna debaixo da mesa, e sinto a eletricidade crescendo.

Lavamos juntos a louça, e depois assistimos a um filme, até que vou pegar um copo de água.

Quando volto... a sala está vazia.

— Alina? — chamo.

Sinto seu cheiro... Sigo até nosso quarto. A porta está entreaberta. Entro. Um segundo depois, sou empurrado com força e caio na cama.

Ela surge sobre mim. Os olhos em azul elétrico. Fogo. Fome. Luxúria.

— Não consigo mais esperar — diz, com a voz rouca, feral.

Sua boca toma a minha num beijo feroz, faminto. Rasga minhas roupas como se fossem papel. Em segundos, estamos nus, pele contra pele, suor contra suor.

— Alina... — minha voz sai grave. Meus olhos brilham em vermelho escuro. Ela rosna.

Nossos lobos estão fora de controle. Nossos corpos também.

A noite... ah, a noite será longa, selvagem e inesquecível.

SupremaOnde histórias criam vida. Descubra agora