73º (Reescrito)

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DARIUS NARRANDO

Descobrir que um dos meus filhotes carrega uma ligação com o herdeiro de Don foi... inesperado. E talvez, para minha surpresa, mais instigante do que preocupante. A conexão entre eles transcende o sangue. É antiga, quase como se a alma de um tivesse encontrado no outro o reflexo do próprio destino.

Por isso, aceitei acompanhar Don nesta pequena — mas estratégica — reunião com seus ministros e meus betas. O salão escolhido era amplo, cercado por tapeçarias pesadas e mapas antigos sobre a mesa de pedra. A tensão estava presente, mas havia também uma sensação de esperança pairando no ar.

— Precisamos resolver a questão da distância entre as duas — Don começou, com o cenho franzido. — Nossos filhotes sentem falta um do outro. Isso pode gerar instabilidade, angústia... ou pior, pode machucar nossas companheiras. Não quero ver Rebeca sofrendo por algo que posso evitar.

— Concordo — respondi, cruzando os braços. — E, conhecendo minha Alina, ela não vai aceitar ver sua amiga enfraquecida sem mover céus e infernos.

— Afena e Nicolay precisam ser chamados — Don sugeriu, apoiando-se na mesa. — Eles entendem melhor essa ligação ancestral.

— Podemos unir o útil ao necessário — complementei. — Assinamos o tratado de paz definitivo e, já que a Floresta Negra é mais próxima do seu território que do meu... que tal convidarmos Samael e Lilith para se juntarem à discussão?

Don arregalou os olhos por um instante, depois soltou uma risada seca.

— Não sei se fico animado ou aterrorizado com essa ideia. Mas não vou dispensar essa oportunidade. Se resolvermos tudo de uma vez, podemos até discutir as criaturas da noite e a prisão do submundo.

Um dos ministros de Don, assentiu, já dando ordens para preparar os salões para a vinda dos regentes do Inferno. Meus próprios betas começaram a organizar os detalhes da reunião diplomática. Passamos a tarde discutindo as implicações políticas disso — não apenas para nossos territórios, mas para o futuro da corte vampírica e das alcateias. E, sobretudo, para o bem-estar dos nossos filhos.

ALINA NARRANDO

Enquanto os líderes conspiravam sobre tratados, alianças e paz, eu estava envolvida em um drama mais delicado... e muito mais emocional.

— Lina! — Rebeca entrou em meu quarto sem nem bater. — Me dá uma luz! Eu não aguento mais olhar pra aquele quarto escuro! Ele parece... um túmulo! — Ela fazia careta, cruzando os braços sobre a barriga ainda discreta.

— Já falou com Don sobre isso? — perguntei, tentando não rir da indignação genuína dela.

— Já. Ele disse que eu podia decorar como eu quisesse, mas... eu não sei o que quero! — Ela fez um bico enorme, como uma criança contrariada.

— Beca, você está com um mês de gravidez. Espera descobrir o sexo do bebê. Aí a inspiração vem. — A puxei pela mão, fazendo-a se sentar ao meu lado. Mas algo me incomodou. Senti a energia dela... irregular.

— Lina, eu tô uma bomba hormonal! Tem dias que eu só quero chorar, outros quero matar alguém. Eu tô tomando sangue o tempo todo, mas quando fico sem... meu corpo inteiro dói. Don fica em pânico.

Franzi o cenho, preocupada.

— E você contou isso pra ele?

— Claro que não! — Ela suspirou. — Ele já se culpa por tudo. Se eu disser que o bebê tá me sugando viva, ele vai pirar.

— Mas se afastar dele vai ser pior. Seu bebê tem uma ligação profunda com o Don. Negar essa conexão só vai te fragilizar mais. Eu posso te ensinar mantras que a Afena me passou. Mas vai precisar do Don. Eu mesma não me afasto do Darius. E olha que estou carregando dois alfas no meu ventre! Para uma beta já era torturante. Agora, com dois e sendo ômega... — dei uma risada amarga. — Tem dias que mal consigo respirar sem ele por perto.

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