DARIUS NARRANDO
Quando voltei para o quarto, encontrei Alina dormindo profundamente, os cabelos ainda úmidos espalhados sobre o travesseiro e uma mão repousando sobre o ventre, como se, mesmo inconsciente, quisesse proteger nossos filhotes. Sorrio de forma orgulhosa e enternecida.
Aproximei-me em silêncio, desfiz o casaco e me sentei na beira da cama apenas para observá-la por alguns minutos. Aquela mulher... Aquela loba. Minha alfa, minha luz, meu caos, minha salvação. Desde que Alina chegou à minha vida, tudo se transformou. A guerra parecia suportável, o sangue deixava de ser tão frio.
Inclinei-me e beijei sua testa suavemente, inalando o perfume suave e doce que vinha de sua pele. Uma mistura de flores silvestres com o mais puro instinto de loba. Ela se remexeu levemente, e um sorriso se formou em seus lábios, como se, mesmo dormindo, reconhecesse meu toque.
— Está me espiando enquanto durmo, Supremo? — sua voz veio arrastada, sonolenta, mas carregada de ironia e provocação.
Sorri.
— Não tenho culpa se minha loba dorme como uma deusa exausta depois de salvar o dia.
— Exausta, faminta e grávida de dois filhotes alfa que me chutam como se tivessem uma guerra particular aqui dentro — ela resmungou, passando a mão pela barriga, e suspirou. — Mas obrigada por aquele bife.
— Anonatos insistiu em colocar alho, disse que ajuda com os enjôos... embora eu ache que só queira te manter afastada dos vampiros.
— Como se algum vampiro tivesse coragem de se aproximar de mim com essa dominância sua marcando cada canto do castelo — ela disse, debochada. — Só falta pintar meu nome na parede com sangue dizendo "PROPRIEDADE DO SUPREMO DARIUS".
— Já pensei nisso, sabia? — brinquei. — Mas aí você ia me bater com um dos livros da Afena, e esses livros são pesados.
Ela riu. Um riso leve, límpido, mesmo cansado.
— Darius... — ela disse após um breve silêncio, com a voz mais baixa, mais sincera —... você acha que a paz é mesmo possível?
Suspirei e me deitei ao seu lado, passando o braço ao redor de seu corpo, encaixando-a contra mim.
— Acho que nunca foi tão próxima. Mas também nunca foi tão frágil. A presença do filho do Don com o nosso... o equilíbrio entre as cortes... tudo depende de decisões que tomarmos nos próximos dias. E isso me assusta, Alina. Porque sei que se algo der errado, tudo que construímos pode desmoronar... e eu não posso te perder. Não de novo.
Ela virou o rosto para me encarar. Seus olhos estavam marejados.
— Eu também tenho medo. Mas se for para cair... que a gente caia lutando lado a lado.
— Sempre. — sussurrei, antes de beijar sua testa. — Sempre com você.
ALINA NARRANDO
Acordei com a luz suave do amanhecer filtrando pelas cortinas pesadas. A presença quente de Darius ao meu lado me dava uma falsa sensação de paz, como se o mundo lá fora não estivesse em guerra. Acariciei o rosto dele, os traços fortes e serenos. Darius era meu caos, mas também era minha calmaria.
Levantei devagar, ainda sentindo o peso dos filhotes. Abaixei o olhar para minha barriga já arredondada e sorri.
— Bom dia, meus pequenos — murmurei, passando a mão com carinho.
Enquanto me trocava, escutei um leve bater à porta. Era Rebeca, parecendo mais descansada, com uma túnica clara e os cabelos soltos.
— Lina, posso? — ela perguntou, um pouco hesitante.
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Suprema
Manusia SerigalaUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
