74º (Reescrito)

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DARIUS NARRANDO

Quando voltei para o quarto, encontrei Alina dormindo profundamente, os cabelos ainda úmidos espalhados sobre o travesseiro e uma mão repousando sobre o ventre, como se, mesmo inconsciente, quisesse proteger nossos filhotes. Sorrio de forma orgulhosa e enternecida.

Aproximei-me em silêncio, desfiz o casaco e me sentei na beira da cama apenas para observá-la por alguns minutos. Aquela mulher... Aquela loba. Minha alfa, minha luz, meu caos, minha salvação. Desde que Alina chegou à minha vida, tudo se transformou. A guerra parecia suportável, o sangue deixava de ser tão frio.

Inclinei-me e beijei sua testa suavemente, inalando o perfume suave e doce que vinha de sua pele. Uma mistura de flores silvestres com o mais puro instinto de loba. Ela se remexeu levemente, e um sorriso se formou em seus lábios, como se, mesmo dormindo, reconhecesse meu toque.

— Está me espiando enquanto durmo, Supremo? — sua voz veio arrastada, sonolenta, mas carregada de ironia e provocação.

Sorri.

— Não tenho culpa se minha loba dorme como uma deusa exausta depois de salvar o dia.

— Exausta, faminta e grávida de dois filhotes alfa que me chutam como se tivessem uma guerra particular aqui dentro — ela resmungou, passando a mão pela barriga, e suspirou. — Mas obrigada por aquele bife.

— Anonatos insistiu em colocar alho, disse que ajuda com os enjôos... embora eu ache que só queira te manter afastada dos vampiros.

— Como se algum vampiro tivesse coragem de se aproximar de mim com essa dominância sua marcando cada canto do castelo — ela disse, debochada. — Só falta pintar meu nome na parede com sangue dizendo "PROPRIEDADE DO SUPREMO DARIUS".

— Já pensei nisso, sabia? — brinquei. — Mas aí você ia me bater com um dos livros da Afena, e esses livros são pesados.

Ela riu. Um riso leve, límpido, mesmo cansado.

— Darius... — ela disse após um breve silêncio, com a voz mais baixa, mais sincera —... você acha que a paz é mesmo possível?

Suspirei e me deitei ao seu lado, passando o braço ao redor de seu corpo, encaixando-a contra mim.

— Acho que nunca foi tão próxima. Mas também nunca foi tão frágil. A presença do filho do Don com o nosso... o equilíbrio entre as cortes... tudo depende de decisões que tomarmos nos próximos dias. E isso me assusta, Alina. Porque sei que se algo der errado, tudo que construímos pode desmoronar... e eu não posso te perder. Não de novo.

Ela virou o rosto para me encarar. Seus olhos estavam marejados.

— Eu também tenho medo. Mas se for para cair... que a gente caia lutando lado a lado.

— Sempre. — sussurrei, antes de beijar sua testa. — Sempre com você.

ALINA NARRANDO

Acordei com a luz suave do amanhecer filtrando pelas cortinas pesadas. A presença quente de Darius ao meu lado me dava uma falsa sensação de paz, como se o mundo lá fora não estivesse em guerra. Acariciei o rosto dele, os traços fortes e serenos. Darius era meu caos, mas também era minha calmaria.

Levantei devagar, ainda sentindo o peso dos filhotes. Abaixei o olhar para minha barriga já arredondada e sorri.

— Bom dia, meus pequenos — murmurei, passando a mão com carinho.

Enquanto me trocava, escutei um leve bater à porta. Era Rebeca, parecendo mais descansada, com uma túnica clara e os cabelos soltos.

— Lina, posso? — ela perguntou, um pouco hesitante.

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