41° (Reescrito)

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Alina Narrando

Acordei com a respiração quente de Darius em minha nuca e os braços dele pesando como correntes ao redor da minha cintura. Era reconfortante... mas eu precisava levantar. Movi o quadril devagar, tentando me desvencilhar com delicadeza, e ouvi um rosnado rouco, quase preguiçoso.

— Fica quietinha, loba teimosa... — ele resmungou com a voz rouca do sono, apertando minha cintura com mais força.

Sorri, rolando os olhos. Virei-me de frente para ele e, antes que ele reclamasse de novo, selei nossos lábios com um beijo demorado. Aquele toque foi suficiente para despertar a fera.

Num instante, ele se virou por cima de mim, os olhos dourados se acendendo de desejo, os lábios descendo famintos pelo meu pescoço. Gemeu ao me morder, e pude sentir seu membro pulsando contra minha coxa, firme, ansioso, impaciente.

— Você nunca dorme de verdade, né? — sussurrei, ofegante, antes de sorrir com malícia e, num movimento rápido, o empurrar para o lado, saindo da cama.

— Alina! — ele resmungou, indignado, enquanto eu caminhava nua até o banheiro com um sorrisinho debochado nos lábios.

— Se quiser, venha tomar banho comigo, ogro. — provoquei, jogando os cabelos por cima do ombro.

Em menos de cinco segundos, Darius já estava atrás de mim. O vapor do chuveiro já preenchia o ambiente quando suas mãos envolveram minha cintura. E então, a água se tornou testemunha silenciosa de mais uma entrega — quente, intensa, e repleta de promessas sussurradas entre respirações ofegantes.

— Você é um ogro descontrolado. — reclamei, encarando meu reflexo no espelho, mais precisamente a marca vermelha em minha bunda.

Ele sorriu malicioso e me deu outro tapa, fazendo-me arfá.

— A culpa não é minha se a sua bunda é um convite ao pecado.

— Vá pro inferno, Darius. — Mostrei-lhe o dedo do meio, o que só fez com que ele gargalhasse alto.

Descemos juntos para a cozinha. Flora já havia deixado a mesa posta com carinho. Quando nos viu, se curvou respeitosamente.

— Bom dia, Supremo. Bom dia, Luna.

— Bom dia, Flora. — sorri calorosamente e fui direto ao bolo de chocolate.

Darius me olhou, inclinando-se sobre a mesa com aquele ar de predador satisfeito.

— Devo ter te deixado com fome, hum? — sussurrou com um olhar carregado de malícia.

— É, de tédio. — rebati, com uma piscadela irônica.

Ele engasgou com o café. Eu gargalhei.

— Vou te mostrar o que é tédio... — murmurou com a voz rouca e os olhos semicerrados, e aquilo só me fez rir ainda mais.

Depois do café, Darius saiu para checar os treinos da alcateia, e eu fiquei em casa com Flora. Eris despertou inquieta, rondando em minha mente.

"Tem algo diferente..." ela murmurou, como se estivesse farejando algo novo em mim.

— Diferente como?

"Não sei... não é ruim, só... novo. Como se o seu corpo estivesse preparando algo... importante."

De repente, o cheiro da gelatina de maracujá me enjoou como se fosse veneno. Corri para o banheiro e vomitei até não restar mais nada.

— Suprema?! — Flora bateu à porta, preocupada. — Precisa de ajuda?

— Está tudo bem, Flora. Já passou. — forcei um sorriso, lavando o rosto.

— Alina... isso não é normal. — murmurou Eris. — Deve ir ao médico.

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