Alina Narrando
Depois de discutirmos os assuntos mais sérios, a conversa naturalmente tomou um rumo mais leve. Estávamos em uma sala ampla, rodeados por mapas, telões e cristais de comunicação. Pietro, Castro, Jimmy e Luigi se revezavam explicando como estavam as sedes em cada território. Eu prestava atenção, ou ao menos fingia. Por dentro, agradecia amargamente pelas aulas intermináveis que meu pai costumava me obrigar a assistir sobre diplomacia, economia de guerra e hierarquia territorial.
— Nunca achei que um dia usaria essa porcaria toda... — murmurei para mim mesma, massageando as têmporas. — Mas olha só, papai, parece que serviu pra alguma coisa.
Os betas conversavam entre si, e eu me afastei lentamente, sem chamar atenção. Meus pés descalços tocaram o chão frio e o som de risadas e ecos estratégicos foi ficando para trás. Caminhei até um canto envidraçado da sede e encarei a noite. A névoa estava mais densa do que o habitual. A Lua Nova pairava silenciosa, negra contra o céu. Havia algo... errado.
Um calafrio me percorreu a espinha. Arrepio. O tipo que Eris reconhecia como presságio.
— Sinto algo — ela sussurrou dentro de mim, faminta e inquieta. — Quero caçar.
Dei um leve sorriso e, sem resistência, entreguei o controle. Meu corpo se curvou com naturalidade. Ossos estalaram, músculos se alongaram, e em poucos segundos, eu já não era Alina, a Luna diplomática. Eu era a fera, a caçadora. Eris.
A floresta era minha. Os odores vibravam em cada célula. Corri, livre e veloz, entre árvores ancestrais. Um cervo cruzou meu caminho. Pobrezinho. Foi rápido. Um salto. Um estalo. Um suspiro.
Lambi as patas ensanguentadas com tranquilidade. Estava em paz. Por um momento, apenas um instante, me senti... viva.
Voltei à forma humana. Meus pés pisavam na grama úmida. Um vento fresco me envolvia e fechei os olhos, confiando nos meus sentidos. Senti o sussurro das árvores, ouvi o riso leve de criaturas etéreas.
Quando abri os olhos, ninfas flutuavam no ar, dançando em espirais mágicas. Seus corpos brilhavam em tons de dourado e azul. Eram belas, como um sonho.
— Que cena mais linda... — sussurrei, sorrindo, completamente hipnotizada.
E então o mundo estalou. Um som seco, metálico, cortou o ar. Meu instinto gritou. Saltei para o lado, e uma bala roçou meu ombro.
— QUEM ESTÁ AÍ?! — rugi com a autoridade de uma Alfa, a voz reverberando pela floresta.
Do meio da névoa, uma silhueta surgiu. Reconheci antes mesmo de ver seu rosto.
Peter.
Senti meu estômago revirar.
— Querida... quanto tempo. — Seu sorriso era perverso. Aquilo não era saudade. Era ameaça.
— Eu pensei que tinha te matado. — Cuspi as palavras, o corpo já em posição de ataque.
— Por um instante, minha amada, quase conseguiu. Pena que não te dei esse gostinho completo. E por falar nisso... vim devolver o favor.
Ele levantou a arma. Saltei novamente, desviando, mas o segundo disparo veio acompanhado de uma dor aguda. Uma flecha. Na coxa. Prata com bordas serrilhadas. Veneno. Vampiro.
— Merda... — murmurei, arfando, enquanto o calor da dor se espalhava.
— Eu avisei pra não exagerar. — Ele olhou para alguém nas sombras, ignorando meu grito de dor. — Isso era só um presente, Ani. Um pequeno lembrete de que eu ainda existo.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
