66º (Reescrito)

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DARIUS NARRANDO

Alina entrelaça seus dedos nos meus, e seguimos lado a lado pelos corredores silenciosos em direção ao centro médico. Seus olhos estavam atentos, mas o brilho neles — o mesmo que me encantou desde o primeiro dia — oscilava entre preocupação e expectativa.

Assim que entramos, fomos recebidos por um grupo de médicos e enfermeiras que prontamente se curvaram em respeito.

— Supremos — cumprimentou Giatros com reverência. — Fomos informados do grande milagre... que honra testemunhar algo assim.

Alina foi direta, sem rodeios, guiada pelo instinto materno e pela urgência silenciosa que sempre acompanha as mães.

— Giatros, por favor... quero saber como estão meus filhotes. Preciso ter certeza de que estão bem — disse com a voz levemente trêmula. Ela se deitou na maca de exames e ergueu a blusa com cuidado, o ventre já levemente mais arredondado do que dias atrás.

As enfermeiras correram em silêncio, sabiam da importância de cada segundo. O gel foi aplicado com delicadeza sobre sua pele pálida e quente. Eu me mantive ao lado dela, minha mão envolvendo a sua, transmitindo toda a força que ela pudesse precisar.

— Vamos iniciar — murmurou o médico, deslizando o transdutor com precisão. A imagem surgiu no monitor, borrada e vibrante, e o semblante de Giatros logo se transformou em algo entre fascínio e preocupação.

— Aqui... este ponto mais escuro é o primeiro bebê — ele apontou com calma. — E aqui está o segundo. O curioso é a diferença no desenvolvimento: um parece ter oito semanas e o outro apenas três.

Senti Alina apertar minha mão com força. Seus olhos estavam fixos na tela, mas seu corpo inteiro exalava tensão.

— Isso é normal? — ela perguntou com a voz embargada.

— Não é incomum em gestações bivitelinas — explicou Giatros. — Mas exige atenção redobrada. Precisamos encontrar o equilíbrio perfeito para que nenhum dos dois sofra. Nem parto prematuro, nem atraso perigoso. A senhora Afena passou aqui mais cedo. Ela mesma nos orientou a acompanhar tudo com muito cuidado. A cada quinze dias, faremos um novo ultrassom, exames e coletas.

Giatros entregou uma folha repleta de informações.

— Aqui estão os alimentos prioritários, os chás permitidos e os mantras que a senhora Afena deseja conduzir para preservar sua energia. A gravidez da Suprema é uma jornada sagrada.

Alina assentiu, ainda calada, lendo cada detalhe como se cada palavra pudesse salvar seus filhos. Beijei o dorso de sua mão, tentando trazer alguma serenidade.

— Nossos filhotes nascerão fortes. Eu te prometo, Alina. Não vamos permitir que nada os afete.

Ela virou o rosto para mim e sorriu com doçura, mesmo que os olhos ainda refletissem insegurança.

— Obrigada, meu amor...

Saí para buscar as vitaminas e, quando retornei, ela já me esperava na porta com Peter e Castro. Seu rosto estava mais tranquilo, e seu sorriso tinha voltado, mesmo que ainda carregasse resquícios de ansiedade.

— Amor... está muito ocupado hoje? — perguntou com aquele tom manhoso que ela sabia usar tão bem.

— Pra você? Nunca. Sou todo seu — respondi, e vi o brilho em seus olhos se acender.

— Então vem! Quero ver os móveis pro quarto das crianças!

Ela praticamente saltitava, e eu não pude evitar sorrir. A energia dela acalmava tudo ao redor, e os guardas da entrada, as enfermeiras... até Peter, que raramente sorria, parecia mais leve.

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