49º (Reescrito)

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Darius Narrando

A noite chegou, e com ela, o silêncio preencheu minha casa. Ou, pelo menos, deveria ter preenchido. Caminhei pelos corredores, o aroma suave e familiar de Alina, que sempre se agarrava aos móveis e cortinas, parecia um pouco mais denso do que o normal. Entrei no quarto e a encontrei dormindo profundamente, a expressão serena em seu rosto, mas um leve sulco entre as sobrancelhas indicava o cansaço. Seu corpo exalava um calor suave, que sempre me atraía. Sentei-me na beira da cama, observando-a. Aquela mulher era uma força da natureza, capaz de planejar rituais grandiosos e, ao mesmo tempo, exausta por escolher um vestido. Era a inocência dela que me cativava, a forma como ela se entregava às coisas com tanta paixão.

Passei um dedo levemente pela sua bochecha. Senti a necessidade de protegê-la, de envolvê-la em meus braços e mantê-la segura de tudo. Era uma luxúria que ia além do corpo, uma necessidade profunda de possuí-la em cada aspecto da minha vida. Eu sabia que ela tinha tido um dia exaustivo com as garotas. Branca era um furacão, e Luna, com suas ideias grandiosas, não ficava muito atrás. Suspirei. Como ela conseguia lidar com tudo aquilo?

Decidi tomar um banho rápido para aliviar a tensão do dia e me deitei ao lado dela. Ela se moveu, inconscientemente, aninhando-se em meu peito. O calor de seu corpo era um bálsamo para minha alma. Abracei-a com firmeza, sentindo o perfume de lavanda de seus cabelos. Era um momento de paz, um raro alívio da constante vigilância que minha posição exigia.

Não resisti. Beijei seus cabelos, depois sua testa. Ela murmurou algo inaudível, um sorriso tênue brincando em seus lábios. Aquele sorriso. Era a minha maior recompensa, a promessa de um futuro que eu ansiava construir com ela. A provocação de saber que ela estava ali, tão perto, e que eu teria que esperar pelo ritual, era quase insuportável. Mas o romance e a paixão que sentíamos um pelo outro eram as fundações de algo muito maior.

Apesar da exaustão, meus pensamentos se voltaram para o que Montmare me havia dito. A Transilvânia. A capital dos vampiros, agora sob o controle de um primo usurpador. Uma operação de limpeza levaria tempo e recursos. E os riscos? Sempre havia riscos. Aqueles que se opunham à união dos reinos não hesitariam em usar qualquer oportunidade para causar estragos. Uma onda de dúvida e preocupação me atingiu, mas eu a afastei. Não agora. Agora, eu precisava de um momento de silêncio, de proximidade com a minha Luna.

Fechei os olhos, o som da respiração dela acalmando minha mente. A esperança era um sentimento poderoso. A esperança de um futuro onde nossas raças pudessem coexistir em paz, onde Alina e eu pudéssemos viver sem a constante ameaça pairando sobre nossas cabeças. O humor da situação era quase palpável: a Suprema Luna e o Supremo Lycan, com o destino de dois reinos em suas mãos, e ainda assim, presos nos pequenos dramas de vestidos e preparativos para o ritual. Era irônico, de certa forma, mas também era o que tornava tudo tão real, tão humano, apesar de nossa natureza.

O cheiro dela, o calor dela, a sensação de seu corpo contra o meu... Era a minha ancoragem.

O sol ainda não havia nascido quando abri os olhos. Alina ainda dormia, profundamente. Abracei-a mais uma vez, antes de me levantar. Tinha trabalho a fazer. A Transilvânia não esperava. As reuniões com as equipes de segurança e estratégia precisavam ser agendadas. Havia um reino a ser retomado, e eu precisaria estar no meu melhor. Beijei sua testa novamente, um beijo de despedida silencioso.

-Eu te amo, minha Luna- sussurrei, sabendo que ela não ouviria. -E farei de tudo para que seu futuro seja seguro e feliz.

Saí do quarto, a promessa daquele beijo gravada em minha mente, me impulsionando para o dia que se iniciava. O drama, a paixão, as dúvidas e as esperanças se misturavam na teia de nossas vidas.

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