53º (Reescrito)

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Alina Narrando

Depois de sair feito uma doida de casa e intimar a todos, eu sabia que precisava de uma explicação que fosse tão impactante quanto a minha chegada inesperada. Os alfas das alcateias, com suas responsabilidades e distâncias, demoraram cerca de duas horas para chegarem. Nesse tempo, os soldados agiam como formigas operárias, reunindo mapas, livros e registros de todos os territórios Lycans, o murmúrio de vozes e o arrastar de pergaminhos preenchendo a sede. Os meninos – Theo, Léo, Hugo, Pietro, Carlos e Filipe – já estavam sentados na sala de reuniões, suas expressões uma mistura de curiosidade, cansaço e uma pontada de desconfiança, aguardando a chegada dos alfas enquanto eu me organizava, minhas mãos frenéticas arrumando o espaço.

- Separem por território e preciso de um mapa-múndi grande! - eu dizia aos soldados, minha voz carregada de uma urgência que não podia ser ignorada.

- Alina, dá para falar logo o que você está fazendo?- Darius se levantou, sua voz baixa, mas o tom irritado evidente. Ele puxou meu braço, seus olhos me questionando. Havia uma ironia em sua impaciência, pois ele era o mestre do controle, e eu, a geralmente mais impulsiva, estava agora no comando da situação.

- Darius, eu tive um conselho da Deusa naquele momento em que estávamos no escritório- eu disse, baixando um pouco a voz para que apenas ele me ouvisse. -Ela me mostrou algo que pode ser nosso poder contra a escuridão.- Senti que todos se sentaram mais eretos, suas atenções se voltando para mim, percebendo a seriedade em minhas palavras. Darius se calou, seu rosto sério, e voltou a se sentar. Logo, todos os alfas estavam reunidos na sala de reuniões, seus betas acompanhando-os, o ar carregado de expectativa e uma leve tensão.

-Boa noite, senhores. Primeiramente, obrigada pela vinda de vocês e peço desculpas pelo horário- comecei, minha voz clara e firme, reverberando pela sala. - Mas, sem rodeios, recebi um conselho da Deusa sobre a guerra que está por vir.- Todos os comentários sessaram imediatamente, e um silêncio absoluto preencheu o ambiente. Os olhos de cada Alfa estavam fixos em mim. - A Deusa me mostrou o caminho que a guerra pode tomar, e eu vi nossa vitória.- Todos os alfas se entreolharam, e alguns sorriram, um fio de esperança surgindo em seus rostos cansados. - Mas não é tão fácil, e não será somente nós.- Todos se calaram novamente, a expectativa pairando no ar. -A guerra que está por vir será a guerra que decidirá o destino do mundo e das criaturas que vivem nele. Por mais que nós, Lycans, somos considerados a raça mais forte, não conseguiremos lidar com a proporção dessa guerra sozinhos.

- E o que vamos fazer, Suprema?-  Troy, o Alfa dos Presas de Prata, perguntou, sua voz carregada de uma dúvida compreensível.

- Iremos contar com a ajuda das outras criaturas- eu disse, e imediatamente, alguns alfas me encararam e soltaram gargalhadas, um deboche que me irritou. Era o orgulho Lycan, a arrogância enraizada em séculos de autossuficiência. - Não estou brincando, senhores!- Engrossei a voz e liberei minha dominância, um pulso de poder que silenciou todas as risadas e fez alguns encolherem levemente. O ar ficou pesado com a minha autoridade. -Devemos deixar esse orgulho de lado e pedir ajuda às outras raças. Nós já temos os vampiros como aliados, por que não contar com a ajuda dos outros? Nessa guerra, iremos enfrentar criaturas da escuridão que usam o poder de ilusão e desespero. Não temos a capacidade biológica de ir contra esse controle, mas elfos, fadas e ninfas têm esse poder, o conhecimento de armas e projéteis quem melhor que os anões e duendes, e para nos proteger contra os feitiços, nada melhor que as bruxas e feiticeiros.- Eu gesticulava, a paixão em minhas palavras era palpável. -Senhores, quero que entendam o seguinte: somos fortes em nosso âmago, em nossas tribos e em nossos bandos, mas apenas isso não será suficiente para derrotar o Rei da Escuridão.- Todos se encaravam, pensando no que eu tinha acabado de dizer. Alguns concordavam, seus olhares refletindo a seriedade da minha proposta, enquanto outros pareciam relutantes, ainda presos à tradição.

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