Capítulo 3 - Um Chamado Quebrará a Armadura
Alina Narrando
Theo terminou de aplicar a última camada das ervas cicatrizantes, os dedos ágeis mas cuidadosos. O aroma forte das plantas preenchia o ar, misturado ao perfume amadeirado da floresta que entrava pela janela quebrada.
— Pronto — disse ele com um leve sorriso, observando como a pele começava a se regenerar quase imediatamente. — Essas ervas são boas, mas você devia tentar não se meter em confusão todo dia, Alina.
— Eu tento — brinquei, fazendo uma careta ao sentir a pele repuxar. — Obrigada, de verdade.
Me virei, e meus olhos encontraram os dele. O Supremo. Darius estava parado, braços cruzados, o rosto inexpressivo. Ele exalava autoridade, força, e uma calma quase sobrenatural. Era como encarar uma montanha: imponente, silenciosa, impossível de ignorar.
— Perdão, senhor — disse com um sorriso leve, abaixando a cabeça em sinal de respeito. — Machucados acontecem, mas é sempre melhor tomarmos os devidos cuidados.
Ele não respondeu imediatamente. Seus olhos escuros me estudavam como se tentassem me decifrar. Não era o tipo de homem que sorria fácil. Eu conseguia ver isso nas linhas duras do rosto dele.
— Obrigada por ter me salvado — acrescentei, curvando-me levemente.
— Foi só um impulso. Mas... uma coisa me chamou a atenção — respondeu ele, com a voz grave e firme. — Você foi a única que não se transformou para lutar.
— Não achei que precisasse — dei de ombros, tentando parecer indiferente.
— Alina, aqueles vampiros estavam em forma avançada de transformação — disse Hugo, se aproximando. — E mesmo assim você matou quatro com as mãos nuas. Sem nem ativar seu lobo.
Fiz uma careta ao perceber que todos realmente haviam visto. Que droga. Tentei amenizar.
— Acho que meus treinos finalmente estão dando algum resultado — disse, piscando para Hugo, tentando desviar a atenção.
— Intrigante — murmurou uma nova voz. Um homem surgia atrás do Supremo, um de seus betas, claramente intrigado. — Isso é... incomum.
— O quê? — perguntei, mesmo sabendo o que viria.
— Nenhum lobo, por mais treinado que seja, consegue fazer isso sem estar transformado. Nenhum... normal. Apenas o Supremo possui essa capacidade.
Fiz um ar de boba, como se não entendesse. Não queria mais pressão sobre mim. Eu já era a próxima alfa, mulher e única herdeira. Isso bastava para os rumores correrem soltos.
— Deve ter sido sorte — disse, rindo de leve, e comecei a andar. — Supremo, por favor. Acompanhai-me. O senhor ficará hospedado em minha casa.
O caminho entre o acampamento e a residência era tranquilo, ainda que soldados circulassem pelas bordas do território. Vi meu pai ao longe, cercado por guerreiros.
— Filha! — exclamou ao me ver. — Ouvi dizer que você se feriu.
— Ah, pai... Só um arranhão — respondi com um sorriso tranquilo. — E o Supremo me ajudou, inclusive. Salvou minha vida.
O olhar de meu pai se voltou para Darius, e os dois se cumprimentaram com respeito contido. Enquanto eles trocavam palavras sobre segurança e reforço de patrulhas, virei-me para os soldados.
— Quero rondas constantes pelos próximos dois dias. E apliquem magia de purificação no perímetro. Se houver mais algum deles, quero saber antes do anoitecer.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
