62° (Reescrito)

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Alina Narrando 

Depois do encontro com as Lunas, elas decidiram permanecer em Uktena. Era um acordo silencioso entre nós – não apenas um dever, mas um chamado ancestral. A ligação da Luna não era algo que se explicava em palavras, era sentida no mais profundo do peito, onde a alma tocava o que restou da Deusa. Quando uma Luna é marcada por seu companheiro, parte dessa centelha divina se inscreve nela como uma runa viva, e a partir disso... não estamos mais sozinhas.

No escritório da sede principal, o som da pena deslizando sobre o papel se misturava ao tic-tac do antigo relógio de parede. Fred estava ao meu lado, sempre meticuloso, com um amontoado de relatórios em mãos.

— Suprema — ele começou, ajustando os óculos. — As Lunas estão conseguindo manter e expandir sua dominância com mais firmeza. A ligação espiritual delas está cada vez mais forte.

Assenti, mantendo o olhar no relatório de suprimentos, mas um sorriso escapou.

— Isso é mais do que bom, Fred. É essencial. E quanto aos alfas?

Ele hesitou um segundo, o que foi o suficiente para eu entender que viria uma dose de reclamações.

— Alguns ainda reclamam, senhora. Ainda estão inquietos por não terem suas companheiras de volta na alcateia. Mas... como o Supremo garantiu que nada aconteceria, estão confiando. A maioria apenas ficou ressentida. Sentem-se vulneráveis.

Fechei os olhos por um instante. O vínculo entre uma Luna e seu alfa era poderoso, quase sufocante. Estar longe um do outro... era como andar sem pele.

— Vai ser por pouco tempo — murmurei, mais para mim. — Faltam dois meses. Dois. A grande guerra está à espreita. As terras dos lycans já foram tomadas por nossos confidentes. Don, Rebeca e os meninos da equipe Nuran estão em Transilvânia, limpando o restante dos rebeldes e libertando os nobres da ilusão do antigo rei. — Suspirei e fechei o relatório. — Provavelmente não verei Rebeca tão cedo. Mas... nos domínios de Don, ela está segura. E como Rainha Vermelha, é ali que ela deve estar agora.

Fred assentiu e se retirou silenciosamente, voltando aos seus deveres com a mesma seriedade de sempre.

Estava me perdendo nas marcações quando Laís bateu levemente à porta e entrou sem esperar.

— Suprema, o Supremo solicita sua presença na sala S de reuniões. É de extrema urgência.

Claro que é, pensei, já me levantando. Peguei as anotações e fui até lá com passos firmes. Quando entrei na sala, a tensão era quase palpável. O ar parecia mais denso, carregado de antecipação e medo contido. Darius estava ali, me esperando, junto aos Betas Alfas, representantes das raças noturnas, e as Lunas. Ele caminhou até mim e pegou parte da papelada da minha mão com um sorriso leve e um beijo na testa. Aquele gesto, mesmo simples, me aqueceu como brasas sob a neve.

— Senhores — cumprimentei, e todos se levantaram ao mesmo tempo.

— Suprema — disseram em uníssono, com respeito.

— Alina, estamos reunidos para montar as táticas de entrada na Floresta Proibida — começou Darius, sua voz soando como o trovão antes da tempestade. Todos silenciaram de imediato.

Os Betas distribuíram os papéis, Fred apagou as luzes e eu liguei o projetor, enquanto Darius se sentava ao meu lado, os olhos fixos em mim com atenção silenciosa.

— Obrigada a todos por estarem aqui. — Minha voz soou firme. — Em dois meses, atacaremos na noite em que a escuridão estará mais fraca, segundo nossos xamãs. Não teremos uma segunda chance. Teremos doze fronts de guerra, cada um com vinte e dois mil combatentes, divididos entre ataque, suporte, magia, defesa e bloqueio. — Comecei a mostrar as imagens, uma a uma.

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