Mystic Falls, 1854. (Flashback - Parte 3).
...
A madrugada foi longa para Damon e Charlotte Salvatore. Damon conseguiu contrabandear chás e ervas naturais que fariam a dor de Charlotte diminuir, aquilo seria apenas uma pequena ajuda, mas eles não podiam contar com a ajuda dos outros funcionários. Ambos sabiam que as coisas ficariam piores para eles se algum boato vazasse.
E 1850 não era conhecido pela igualdade, provavelmente se alguma notícia como aquela se espalhasse a má reputação cairia sobre os ombros de Charlotte. Diriam que ela havia pedido por aquilo por ser vulgar demais ou talvez justificariam as atitudes de Giuseppe dizendo que ele havia apenas cometido um pequeno deslize pela falta que sentia de sua esposa.
Charlotte bebeu alguns chás naturais que conseguiram fazer suas pernas ficarem um tanto dormentes e as dores diminuírem. Damon havia conseguido achar uma pequena caixa de emergência com alguns objetos que poderiam ser usados para fechar o corte fundo na panturrilha de Charlotte.
-Eu não vou conseguir fazer isso -Damon dizia antes mesmo de levar a agulha em direção a perna de Charlotte, largando o pequeno objeto metálico sobre o próprio colo. -Eu vou achar que estou machucando você. Nós precisamos de ajuda.
-Tá tudo bem, Damon -Charlotte mantinha a voz calma. Ela fingir que não sentia dor e nem fraqueza pela perda do sangue. -Você só tem 15 anos, não precisa fazer tantos sacrifícios por mim.
-E você só tem 17, acha mesmo que precisa passar por tantos sacrifícios sozinha? -ele questiona, olhando para a irmã.
-Eu não estou sozinha, eu tenho o meu irmão -Charlotte sorriu e estendeu a mão pegando a agulha com a linha. -Caramba... Isso vai doer, não fica olhando.
-Você enlouqueceu? -Damon arregalou os olhos ao ver que sua irmã pretendia fazer aquilo sozinha. -Você não vai fazer isso, vai doer mais do que você aguenta.
-Vai doer mais ainda se eu deixar minha perna apodrecer -ela disse e limpou o resto de sangue em sua panturrilha, pegando um pedaço de pano. -Não olha, você nunca gostou de ver sangue.
Com relutância, Damon se virou de costas. Ele esfregava as mãos com aflição para tentar aliviar a preocupação que estava sentindo naquele momento.
Charlotte respirou fundo. Ela amarrou um pano ao redor de sua panturrilha com força, fazendo uma espécie de torniquete para barrar a circulação sanguínea na área. A garota resmungou pela dor, e em seguida colocou um pano sobre a própria boca. Ela tomou coragem, e então enfiou a agulha sobre seu corte.
O grito excruciante foi abafado pelo tecido em sua boca, mas a dor de sentir a agulha penetrar por sua pele era quase insuportável.
Ela sentiu lágrimas de for caírem sobre seu rosto, e a sua visão ficar turva por alguns segundos, mas ela fez o maior esforço possível para ignorar.
"Existem dores maiores do que isso". Ela dizia para si mesma e continuava costurando sua própria pele. Ela mordia aquele tecido em sua boca como uma tentativa frustrada de aliviar a dor.
Foram os minutos mais agonizantes da vida dela.
E mesmo se perguntassem 200 anos depois, qual tinha sido o pior dia da sua vida... Charlotte responderia que aquela foi a noite mais agonizante da vida dela.
Mas ela sobreviveu a tudo aquilo.
Quando Charlotte conseguiu terminar de costurar seu corte, ela cuspiu aquele pano de sua boca. A sua respiração estava agitada e mais pesada do que nunca.
Ela se sentia tonta pela sensação excruciante, a dor quase insuportável.
-Damon -ela chama com a voz fraca e engolia em seco, se sentindo zonza por tanta dor. -Pronto, nós conseguimos.
Damon foi até ela. Ele tirava a agulha das mãos trêmulas de Charlotte e a colocava sobre a escrivaninha, logo pegando algodão e esparadrapos.
Ele se agachou perto dela. E com o máximo de cuidado possível, ele cobriu os pontos dela com um curativo improvisado para cobrir os pontos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Devil Romance
Fiksi PenggemarKai Parker, a ovelha negra do Clã Gemini. Todos já sabemos da história de Kai Parker, o sociopata que matou toda a família... Mas na verdade a história é um tanto diferente do que pensávamos, apesar de tudo, Kai Parker já teve um amor épico, que o a...
