Mundo real (atualidade)
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Por mais que Damon estivesse adorando o fato de ter sua liberdade, os problemas em sua lista apenas aumentaram.
A culpa por Bonnie estar presa com Kai corroía seu interior, e ele não se sentiu nem um pouco aliviado quando descobriu que Elena havia sido hipnotizado para esquecer que um dia o amou. E também o inconveniente fato de que um caçador de vampiros estava a solta, e que graças ao suporto caçador Alaric quase foi morto, mas para sua sorte havia sido salvo por sua nova paquera médica.
Logo pela manhã, Damon foi para o hospital visitar Ric. Uma longa lista de queixas sobre como ele estava com raiva por Elena ter o esquecido, enchiam a cabeça de Alaric.
Mas logo a médica chegou até o quarto.
Ela era bonita.
Suas bochechas coradas se destacavam contra seus cabelos pretos e os olhos azuis geravam um ótimo contraste.
-Você deve ser o amigo do Alaric, certo? -ela questionava de forma simpática, se aproximando.
-O primeiro e único -Damon sorriu com ironia. -E você deve ser a paquera médica do Ric, responsável pela cura natural do vampirismo. Não é por nada, mas se essa notícia vazar vários vampiros vão vir procurar o seu tratamento.
-Eu só consegui fazer isso porque era uma ferida segura e que eu tive a ótima motivação de não deixar o cara mais interessante que eu conheci morrer -a médica deu um sorriso por cima do ombro para olhar para Alaric, mas logo voltou sua atenção para Damon. -Mas é impossível eu conseguir isso de novo, então ninguém vai espalhar essa notícia... Aliás, eu sou Jo Laughlin.
-É uma pena, porque o seu paquera acabou de ferrar minhas chances de reencontro com minha namorada -Damon cruzou os braços, sua ironia não cessava. -Eu sou Damon Salvatore.
Ao ouvir o sobrenome de Damon, Jo sentiu seu corpo gelar.
As lembranças sobre Charlotte vieram à tona com intensidade, lembranças que ela pensava ter enterrado.
Os gritos. O sangue. O corpo de sua mãe completamente machucado.
Em segundos, as piores memórias de Jo vieram em sua mente. Damon era parecido com Charlotte, seus sorrisos eram parecidos... Mas ela sabia que nenhum sorriso era tão perverso e nenhum olhar era tão dissimulado quanto o de Charlotte.
-Damon Salvatore? -finalmente a voz saiu da boca de Jo.
-Sou, com certeza Ric já falou sobre mim -Damon retruca de forma convencida.
-Na verdade, nunca falei -Alaric interrompe com uma breve ironia, mas logo desfaz seu sorriso ao ver o semblante de assustado de Jo. -Você está bem?
-Não... Quer dizer, sim -ela balança a cabeça de forma tensa e confusa. -Eu lembrei de outra pessoa... Charlotte... Charlotte Salvatore, conhece ela?
A voz de Josette mostrava evidente medo e saia com dificuldade. Os devaneios de 1994 passavam por sua mente como um pesadelo vívido.
-Claro, ela é minha irmã mais velha -Damon franziu o cenho. -Deixa eu adivinhar, ela já ficou com você? Porque eu sempre desconfiei que ela tinha uma vibe bissexual.
-Ela ficava com o meu irmão -Josette falava de forma receosa, mesmo sem perceber ela se afastou um pouco de Damon como se temesse que a genética fosse de fato funcional. -Ela destruiu uma parte da minha família... Uma grande parte.
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Mundo prisão (1994-atualidade)
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Bonnie correu o máximo que pôde. Naqueles momentos o instinto de sobrevivência falava mais alto do a dor e do que o sangue vazando em sua ferida.
Ela conseguiu chegar no hospital.
Como sempre, completamente vazio como todo o resto daquele lugar. Mas ela precisava sobreviver, precisa de mais analgésicos e algo que permitisse sua fuga.
A garota caminhava em passos rápidos pelo grande corredor do hospital, chegando até uma sala com enormes armários com esparadrapos, curativos, algodões, líquidos assépticos e uma longa fileira de inúmeros analgésicos.
Suas mãos estavam trêmulas de desespero. Ela pegou em sua mão várias daquelas pílulas amarelas e as engoliu em seco, torcendo para que não a fizessem desmaiar.
Bonnie ergueu um pouco sua blusa, de forma que seu ferimento ficasse a mostra, mas com rapidez ela conseguiu fazer um curativo improvisado que iria impedir que o sangue saísse novamente. Pelo menos por um tempo.
Ela abriu com desespero a mochila que carregava em suas costas, jogando os pedaços do ascendente que havia conseguido pegar sobre o balcão branco. Seu olhar desviou brevemente até o relógio acima de sua cabeça.
-Eu tenho uma hora e quarenta minutos -ela murmurou para si mesma, tentando montar as pessoas do ascendente. -Eu consigo
Quase 40 minutos se passaram, por mais que o ascendente estivesse quase concertado, Bonnie não podia evitar em se sentir amedrontada. Mas aquele medo apenas se intensificou quando ela viu que faltava uma última peça. Aquela pequena parte arredondada que podia ser comparada a uma moeda de cobre.
-Cadê a última peça? -ela perguntou aflita.
Suas mãos percorriam o balcão tirando qualquer coisa que estava sobre ele, como uma falha tentativa de encontrá-la.
Sua cabeça balançava negativamente com desespero. Não estava ali. Ela não fazia ideia de onde estava.
E as luzes se apagaram. Novamente aquele clima de medo se instalou, a única coisa que a permitia enxergar algo eram os poucos raios de sol que entravam por uma ou outra janela de vidro.
Ela segurou o ascendente com firmeza em sua mão, e caminhou até o corredor. Secretamente ela torcia para que aquele apagão fosse apenas uma mera coincidência.
Bonnie entrou em uma das salas, seu olhar ainda voltado para o corredor. Mas assim que ele olhou para frente, pôde ver Kai apoiado sobre um dos balcões com um sorriso cínico no rosto. Seu corpo gelou.
-Procurando por isso? -ele perguntou com um sarcasmo que não cessava de sua voz, mostrando a pequena peça entre seus dedos. -Roubou o ascendente. Não tenta bancar a menina malvada, eu já conheci uma garota realmente má, e você não se encaixa nem um pouco no papel... Não tava querendo usar e me deixar para trás, estava?
Bonnie se afastava conforme Kai se aproximou dela. Suas mãos tremendo e entregando o medo que ela tanto lutava para esconder.
-Você deixou um rastro de sangue na calçada, aí eu pensei... "Onde mais ela podia brincar de enfermeira?"
-Votus! -Bonnie gritou o feitiço, e as grandes janelas de vidro da sala se quebraram sobre Kai.
Ela correu para fora e tentou abrir a primeira porta que viu ao final do corredor. Estava trancada.
Seu coração se acelerava, seus olhos procuravam por outra saída. Outra porta ao lado. Dessa vez ela se abriu, Bonnie conseguiu correr até o carro de Damon estacionado na calçada. Ela abriu a porta da frente e entrou no carro.
Suas mãos rolaram o porta luvas a procura da chave, mas o desespero somente a consumiu quando ela viu que o carro não ligava.
Mas, antes que qualquer outro pensamento pudesse tomar Bonnie. Ela sentiu uma das mãos de Kai tomar o seu pescoço por trás, a prendendo e a impedindo de seu soltar.
-Me solta -ela resmungava com um fio de voz.
-Eu pensei em tirar a chave, mas aí percebi que seria como tirar queixo da ratoeira -ele sussurrou com sarcasmo, sua mão ainda prendendo o pescoço dela e ignorando as lágrimas desesperadas de seu rosto. -Sabe... Os ratos não gostam de queijo, sabia?
"Shh".
"Shh".
Esse som saiu dos lábios do Kai quase 4 vezes como uma irônica tentativa de dizer para Bonnie se acalmar. Na verdade, ele não se importava nem um pouco com isso.
Ele soltou sua mão do pescoço de Bonnie, mas ainda segurava seu ombro por trás para poder atacar em qualquer passo em falso que ela desse.
-Nós temos, 1 hora até o eclipse. É hora de ir para casa, Bonnie -ele sussurrou em seu ouvido.
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A Devil Romance
FanfictionKai Parker, a ovelha negra do Clã Gemini. Todos já sabemos da história de Kai Parker, o sociopata que matou toda a família... Mas na verdade a história é um tanto diferente do que pensávamos, apesar de tudo, Kai Parker já teve um amor épico, que o a...
