Alguns minutos se passaram desde a prematura "morte" de Kai.
Bonnie se sentou novamente sobre o barranco de terra. O ascendente em sua destra e um grimório no qual ela lia atentamente.
Ela tentou ignorar as reclamações de Damon e os pequenos insultos sobre ela ter matado o Kai. Já que de acordo com ele, Kai era a única chave para que saíssem de lá.
-Acho que a convenção Gemini usou um feitiço Bennett para criar essa lugar, pode ter isso por isso que minha avó nos mandou para cá... Porque ela sabia que eu era a chave pra sair daqui.
-E é essa cara que eu faço quando não entendo você -Damon apontou para o próprio rosto e olhou para seu nariz, fazendo uma breve careta.
Bonnie revirou os olhos, e voltou seu olhar para o ascendente em sua mão. Ela respirou fundo e tentou ao máximo se concentrar apenas em sair de lá.
Logo, as palavras surgiam em sua boca com naturalidade, como se ela soubesse fazer aquilo a anos. E algumas peças do ascendente se mexeram em sua palma, ela se levantou no mesmo instante.
O ascendente estava se ativando.
-Por isso o Kai não me matou -ela se aproximou de Damon. -Ele precisava de uma Bennett. Eu sou a única saída daqui.
Antes que pudessem falar mais alguma coisa, Bonnie deu as coisas, caminhando em direção aos túneis.
-Ei! Pra onde você vai? -questionou Damon ao se desencostar de uma árvore.
Ela parou de andar, e voltou seu olhar para Damon. Um breve sorriso esperançoso agora se encontrava em seu rosto.
-Eu vou pra casa. Você vem?
...
Não demorou muito para Bonnie e Damon entrarem sobre os túneis. Eles eram escuros, mas ainda tinham o feixe luminoso que criava um círculo de luz no centro, pequeno, mas capaz de trazer uma breve iluminação ao local.
Seus corações estavam agitados, a sensação de estar perto da oportunidade de voltar para casa era excitante e animadora.
Bonnie passou a lâmina afiada do ascendente sobre sua palma, criando um corte fundo, que em questão de segundos começou a derramar sangue.
Damon bebeu um último gole de uma das garrafas de Zima que havia roubando da mochila, mas logo a jogou no chão e se aproximou novamente de sua amiga.
O sangue de Bonnie caiu sobre o centro do ascendente, e os dois sorriram com animação. Ela respirava de forma agitada e tensa, era um misto de emoções.
Sua voz começou a recitar novamente o feitiço. O ascendente se abriu um pouco mais, as peças funcionando em perfeita sincronia.
-Tá na hora, Damon -ela sorriu, e com quase um pulo ele foi até ela, ficando em sua frente.
-Beleza, sem constrangimento -Damon falou de forma extrovertida. Entrando sobre aquele pequeno círculo de luz e colocando sua mão embaixo da mão de Bonnie com delicadeza. -Sei que você tem um bilhão de pessoas com quem gostaria de estar agora...
-Não exatamente -um sorriso doce e amigável tomou os lábios de Bonnie.
Damon fez menção de dizer mais alguma coisa, mas antes que tivesse essa oportunidade, algo aconteceu.
Bonnie caiu para longe, acompanhada com um grito de dor e uma flecha em seu abdômen.
Damon olhou para trás e pôde ver Kai segurando uma besta, um sorriso irônico desenhado em seu rosto.
-Esquecendo de mim? -ele baixou a arma, mas seu ar de maldade e cínismo não sumiram. -Acham mesmo que eu nunca tentei me matar antes? Porque eu tive muito tempo, e muitas formas para fazer isso...
Kai colocou outra flecha sobre a arma, e a ergueu em seguida. Vendo o olhar de Damon fixo no ascendente caído no chão.
-Toca nisso e a próxima flecha vai no seu coração -sua voz saia com sarcasmo. -Você escolhe, irmão.
Damon usou sua velocidade de vampiro e foi até Bonnie, ele a segurou com cuidado e tirou a flecha de sua barriga, mordendo seu pulso para oferecer seu próprio sangue a ela.
E Kai não desperdiçou um segundo sequer. Ele jogou a besta sobre o chão e correu até o ascendente, o segurando com firmeza. Mas não adiantou muita coisa, Damon voltou até lá.
A velocidade de vampiro dava uma pequena vantagem a Damon, que prendeu Kai contra as paredes rochosas do lugar de forma que o ascendente caiu de sua mão.
Kai com dificuldade conseguiu pegar uma das flechas no chão e a enfiou no abdômen de Damon com força. Aquilo continuou por um bom tempo, e mesmo sendo vampiro Damon perdeu toda a vantagem que tinha conforme Kai fazia questão de enfiar aquela flecha mais fundo em sua ferida.
Eles nem sequer conseguiam perceber Bonnie machucada, mas se arrastando com dificuldade sobre o chão para conseguir pegar o ascendente.
-Bonnie... Vai embora daqui -a voz de Damon saia pausada e fraca, conforme ele sentia a madeira perfurar seus órgãos quando Kai pressionava ainda mais a flecha.
-Eu não vou conseguir... Mas você vai -ela murmurou e recitou um feitiço rápido. -Motus.
No mesmo instante, Kai foi puxado pelo feitiço fazendo suas costas baterem com força contra uma das rochas do lugar.
A mesma força mágica puxou Damon até o círculo de luz onde o eclipse estava acontecendo. O ascendente se abriu sozinho na mão de Damon.
-Não, não -ele falava e olhava para a Bonnie sem conseguir sair do lugar para buscar sua amiga.
A luz do eclipse se intensificou, o feitiço de concretizou, tirando Damon do mundo prisão.
O ascendente caiu sobre o chão, se separando em pedaços minúsculos. Kai se levantou do chão com dificuldade.
-Não! -ele gritou com uma evidente raiva que transbordava em si mais do que nunca.
Bonnie se deitou sobre o chão, sua vista ficando turva pela dor.
Nenhum dos dois esperava que o dia fosse acabar assim.
...
Se passaram quase 4 horas. Bonnie acordou com os pensamentos confusos, mas que logo foram esclarecidos quando ela sentiu uma dor forte em seu abdômen. A esperança de que tudo aquilo fosse um pesadelo se esvaiu.
Ela olhou para o redor e viu que estava deitada sobre um dos sofás da mansão Salvatore, aos poucos conseguiu se sentar sobre o sofá. Mas assim que seu olhar se voltou para o lado, ela pôde ver Kai na pequena mesa da frente, aparentemente tentando concertar o ascendente despedaçado.
-Olha quem acordou -Parker quebra o silêncio, obviamente ele não se importava, mas sua pergunta a seguir foi apenas retórica. -Como se sente?
-Como se você tivesse me dado uma flechada -ela retruca com raiva, mas sua voz continuava fraca e sua mão apertava o próprio ferimento.
-Faz sentido... -ele diz rapidamente, mas prossegue sua fala, provando a teoria de Bonnie de que não se importava. -Mas então, eu não sei como você conseguiu quebrar o ascendente em um milhão de pedaços... Mas, precisamos colar antes do eclipse as 12:28. Vai querer ajudar? Eu sei que você curte quebra-cabeças.
-Não! -a tentativa de Bonnie em elevar seu tom era completamente falha, mas ela conseguiu se levantar do sofá com dificuldade. -Eu não quero te ajudar, você é um sociopata, aqui é a sua prisão e eu não vou te soltar, porque você vai me matar assim que sairmos daqui.
Kai olhou para ela sem se deixar abalar por seus comentários. Ele se levantou da cadeira, e se aproximou um pouco de Bonnie.
-Você passou por um trauma, a sua memória deve estar confusa. Então, você deve estar pensando que a sua magia vai te proteger -e antes de qualquer coisa, ele segurou o pulso de Bonnie, puxando ela um pouco mais para perto ao ponto dela cambalear. A magia da garota estava sendo absorvida, mas ela estava sem forças até mesmo para gritar. -Mas eu só preciso segurar a sua mão, e a sua magia passa a ser minha.
Bonnie apoiou outra mão no ombro dele tentando se soltar, mas isso não adiantava. Kai a puxou novamente e virou o rosto com um breve sorriso sarcástico.
-O que você disse? -ele comentou com ironia, sabia que Bonnie não tinha dito nada. -Você disse que vai fazer o feitiço e levar a gente pra casa?
Mesmo com a evidente fraqueza, Bonnie desviou para o lado e agradeceu aos céus por aquele canivete ainda estar sobre a mesa. Ela deslizou a mão livre para a madeira, segurou o cabo do canivete e o enfiou na garganta de Kai, que a soltou no mesmo instante e caiu sobre o chão.
Bonnie não perdeu tempo em correr e pegar a maior quantidade de analgésicos que podia. Suas mãos estavam trêmulas, mas ela fez o maior esforço possível para correr de lá o mais rápido.
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A Devil Romance
Fiksi PenggemarKai Parker, a ovelha negra do Clã Gemini. Todos já sabemos da história de Kai Parker, o sociopata que matou toda a família... Mas na verdade a história é um tanto diferente do que pensávamos, apesar de tudo, Kai Parker já teve um amor épico, que o a...
