Mystic Falls, 1860.
...
Charlotte estava deitada sobre o sofá de uma das salas da mansão. Seus olhos percorriam pelas linhas do livro "O Morro dos Ventos Uivantes".
A mansão Salvatore ficava completamente silenciosa quando Giuseppe viajava com Damon e Stefan para ensinar sobre finanças e negócios.
Ao lado do sofá, estava uma pequena mesinha redonda de madeira, sobre ela havia uma taça com um líquido vermelho rubro que ocupava um pouco menos da metade do recipiente.
Haviam se passado seis anos desde que ela havia completado sua transição do vampirismo, o que acabou facilitando bastante a vida dela. Incluindo o fato de que ela não precisava esconder que estava bebendo sangue, já que bastava uma hipnose para que qualquer um esquecesse sobre aquilo.
Amélia estava sentada em uma cadeira de madeira, debruçada sobre a escrivaninha no canto da sala. Ela revezava sua atenção entre escrever em seu caderno ou ler em livros e diários antigos.
Ela olhou brevemente para Charlotte, observando a herege beber um gole curto do sangue que estava na taça. A morena passou a língua entre os lábios, como se fosse um pecado desperdiçar qualquer gota de sangue fresco.
—Só uma pergunta... —Amélia se vira na cadeira. —Esse sangue é de animais?
—Sim, minha doce Afrodite —sibilou Charlotte. Seus olhos ainda focados em seu livro.
—Sério? Você seguiu meu conselho de parar de consumir sangue humano? —a loira sorriu para Charlotte, suas mãos apoiadas sobre a saia de seu longo vestido azul celeste.
Charlotte abaixou seu livro e ergueu um pouco seu corpo, ficando sentada sobre o sofá.
—Sabia que os humanos também são considerados uma espécie de animal? A diferença é que são considerados racionais —ela ergueu um pouco seus ombros.
Amélia a encarou com tédio.
—Sério?
—Nunca fui tão séria em toda a minha vida —Charlotte encarou os olhos verdes da garota, seu tom de voz ecoando sarcástico. Ela riu e se levantou. —Eu tentei beber sangue de animal algumas vezes, mas não dá. Não vou me sentir fraca apenas para poupar a vida de seres mortais.
—Esses "seres mortais" são pessoas. Pessoas com sentimentos, sentidos e histórias —Amélia franze as sobrancelhas. Ela ergueu o rosto para poder encarar outra mulher. —Eu não julgo o fato de que você precisa de sangue humano para se sentir forte, mas não precisa matar ninguém. Pode poupar a vida deles.
Charlotte caminhou até Amélia. Ela apoiou sua mão sobre a escrivaninha de madeira e inclinou seu corpo, de forma que seus rostos ficaram a curtos centímetros um do outro.
—Sabe o que significa a palavra "mortal"? —ela questiona. Seus olhos encaravam fixamente a íris esverdeada de Amélia. —Significa nascido para morrer. Eles vão morrer de qualquer jeito, nasceram para isso. Eu só vou adiantar um destino que eles merecem receber.
O olhar de Amélia era firme, mesmo com toda a doçura dela.
—Acha que eu mereço morrer? Ou melhor, acha que os seus irmãos, que são "mortais" merecem morrer? —ela indaga.
Pela primeira vez em muitas conversas, Charlotte desviou o olhar para o chão.
—Não, vocês não. Sabe que não foi isso que eu quis dizer —ela apoiou sua mão sobre o ombro de Amélia, depositando um beijo suave sobre o canto da boca dela. —Não vamos brigar por isso. O que você está escrevendo?
Amélia concordou com a cabeça, tentando dizer que realmente não valia a pena brigar por aquilo. Ela se virou para mostrar suas anotações para Charlotte e deu um leve sorriso.
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A Devil Romance
FanficKai Parker, a ovelha negra do Clã Gemini. Todos já sabemos da história de Kai Parker, o sociopata que matou toda a família... Mas na verdade a história é um tanto diferente do que pensávamos, apesar de tudo, Kai Parker já teve um amor épico, que o a...
