A Match In The Water

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Portland- 30 de outubro de 1992 (Flashback)

Charlotte havia acordado com menos disposição e bom humor do que o normal. Ela se levantou de sua cama e tomou um banho quente sentindo a água queimar suavemente sobre sua pele ao ponto de deixá-la vermelha, mas Charlotte gostava da sensação.
Depois de alguns minutos ela se olhou no espelho. Seu estilo era o típico Grunge da época.
Uma calça mais larga e rasgada que deixava a mostra algumas partes da meia-calça arrastão que ela usava. Por cima uma camisa preta e branca listrada de manga comprida que era colada em seu corpo, e por cima da camisa uma blusa mais larga da banda Nirvana, mas que mesmo assim não tirava o ar de sensualidade que ela tinha.
E para finalizar, um cinto preto de couro com algumas correntes prateadas e sua insubstituível coturno preta.

Após tanto tempo de arrumação, ela bufou de forma impaciente mesmo sem ter motivo e pegou uma bolsa de sangue que tinha em sua geladeira. Charlotte sempre preferia sangue fresco, mas sua animação para ir atrás de alguém estava quase escassa.
Ela se jogou no sofá e começou a beber o sangue, com seu olhar voltado para o teto. Mas um som a tirou de seus pensamentos.
Alguém batia na porta, e mesmo sem que percebesse um breve sorriso surgiu em seu rosto ao saber que era Kai. Ela se levantou e abriu a porta olhando para ele.

-Bom dia, vampirinha-ele sorriu com seu olhar fixo no dela. -Você está linda, nada novo, não é?

-Se você continuar me elogiando sempre, eu vou acabar me acostumando -ela deixa um sorriso se desenhar em seu rosto e abre espaço para Kai entrar.

Kai entra na casa e coloca a mochila que carregava em suas costas sobre a escrivaninha de madeira.

-Na verdade, eu quero que você se acostume com isso -Kai volta seu olhar para a garota. Ele podia passar o resto da vida só olhando para ela e aquilo não o cansaria. -E não se faça de desentendida, você sabe porque eu estou aqui.

-Deixa eu adivinhar... Você está aqui por que eu sou uma ótima companhia? -Charlotte inclinou a cabeça para o lado, deixando alguns de seus cachos caírem suavemente sobre seu rosto.

-Feliz aniversário, minha vampirinha -ele comenta com sarcasmo, tirando as mechas de cabelo da frente do rosto de Charlotte e sorrindo para ela. -Eu pensei em tentar te levar para algum show da Nirvana, mas tem a grande chance de Kurt Cobain achar você e tentar te roubar de mim.

Os dois se olharam e riram, Charlotte enrolou seus braços sobre o pescoço de Kai. Mantendo seu olhar junto com o dele com um sorriso.
Ela sentia sentia um frio em sua barriga e borboletas em seu estômago. Aquilo era tão bom, mas ao mesmo tempo a deixava com medo. Era uma mistura de sensações.

-Ah, Kurt Cobain e aqueles atraentes olhos azuis -Charlotte deu um breve sorriso irônico, ela adorava provocar Kai.

-Você é tão engraçada -ele diz com sarcasmo e se afasta dela, erguendo as mãos de forma brincalhona e fingindo seriedade. -Já que gosta tanto de olhos azuis vou ir embora, boa sorte com Kurt Cobain.

Charlotte passou a língua entre os lábios e riu, puxando Kai pela gola de sua camisa de forma que seus rostos se aproximaram muito.

-Pensando melhor, seus olhos são mais bonitos do que os do Kurt... E também são azuis -ela respondeu com um sorriso extrovertido, e por fim deu um breve suspiro. -Eu odeio aniversários, eu passei meus primeiros 17 aniversários presa em um porão velho. Não quero comemorar nada.

-Mas deveria, fala sério, olha pra você -a voz de Kai tinha uma certa animação com o objetivo de incentivar Charlotte. -Você é bonita, forte, inteligente, incrivelmente sexy. É uma herege e mesmo com todas as coisas ruins, você está aqui. Isso é motivo pra comemorar.

Charlotte desviou brevemente o olhar para o lado tentando manter seriedade, mas acabou deixando um sorriso escapar, e por fim, se rendeu a sensação de liberdade.

-Eu adoro quando você me chama de "minha vampirinha"

Ela sorri e seu olhar se encontra ao de Kai novamente. Ele a puxou pela cintura, prendendo o corpo dela contra o seu e com a outra mão seu polegar deslizava sobre a bochecha macia da garota.

-Na próxima vez que se esquecer que você é Charlotte Salvatore, se lembra que eu sou Kai Parker e que eu amo você -a voz de Kai saiu com impulsividade e suavidade, ele sentiu um acelerar em seu peito quando percebeu o que falou, ainda temia a reação dela. Mas era verdade, e era incrível o jeito que ele perdia todos os pensamentos ruins quando estava com ela.

-Você disse que me ama?

-É, eu disse -Kai respondeu com uma luta interna para não deixar sua voz trêmula. -É estranho, né?

-É, um pouco -ela dizia ainda o olhando e por fim deixou um sorriso aparecer em seu rosto. -Eu também amo você, Kai Parker.

Kai sorriu de volta para ela e antes que falasse mais alguma coisa sentiu ela puxar seu rosto, fazendo seus lábios se encontrarem.
Foi um beijo intenso, como todos os outros. Seus corpos e seus lábios sempre se encaixavam com perfeição. A sensação do calor os dominava. E dessa vez momento ou outro um sorriso intruso aparecia durante o beijo.

Charlotte e Kai não sabiam ao certo o que eram um do outro. Uma amizade colorida, melhores amigos, ficantes... Eles só sabiam que gostavam daquilo, gostavam da sensação de estarem juntos. Era um sentimento novo.
Por grande parte de suas vidas eles só provaram das sentimentos amargos, e era delicioso provarem as sensações doces juntos.
Aos poucos seus lábios se separavam e ambos podiam sentir suas respirações agitadas uma contra a outra. Seus olhos se reencontraram e eles sorriram.

-Isso é extremamente meloso -Kai quebra o silêncio e eles acabam rindo.

Charlotte deu alguns passos para trás pegando sua bolsa de sangue que ainda estava pela metade e bebeu mais um gole.

-Temos que matar alguém depois para poder equilibrar toda essa doçura -ela comenta com extroversão, e logo via Kai se sentar no sofá. -Sua família sabe que você tá aqui?

-Não, mas não vão se importar, meu pai acha você uma boa influência, irônico, não é? -ele sorri sarcasticamente e apoia suas costas no apoio do sofá. -Eles até saíram um pouco do meu pé quando eu comecei a sair com você, acredita?

Charlotte deu um sorriso convencido e se aproximou de Kai se sentando em seu colo.

-Então, se você quer provocar os seus pais. Namorar comigo pra assustar eles, e mostrar que cresceu... Eu sou a melhor opção -ela dizia com um breve sorriso sarcástico. -E se sangue, presas e mortes te atraem, então você está com sorte.

-E como eu tenho sorte -o olhar dele se erguia para observar a garota com uma breve malícia, então ele apoiou sua mão na coxa dela. -Posso te fazer uma proposta de aniversário?

Ela assentiu com a cabeça e colocou seu braço em cima do ombro de Kai, com seu olhar fixo nele.

-Você topa ser minha parceira de crimes? -ele questiona a olhando com um sorriso em seu rosto e ela retribui.

-Essa é a sua sútil forma de me pedir em namoro? -Charlotte o provoca de volta, sentindo os dedos dele brincarem com as pontas de seus cabelos. -É, eu aceito ser sua parceira de crimes.

Algumas almas gêmeas não nasceram para serem domadas.
Algumas almas apenas precisam correr livres por aí, até encontrarem alguém tão selvagem quanto elas.
Para no fim, correrem livres lado a lado.

A Devil RomanceOnde histórias criam vida. Descubra agora