Alguns minutos depois, Charlotte adentrou novamente na Mansão Salvatore. Ela pôde ver alguns casacos jogados sobre o sofá, então percebeu que já tinham voltado.
-Damon? Elena? Kai? -ela chamava os nomes com a voz um tanto elevada para que a ouvissem. -Alguma alma que esteja viva ou semi-viva?
Ela caminhou até a cozinha, então novamente não viu ninguém, já se sentindo um tanto irritada com aquilo.
-Charlotte?
A garota sentiu seu estômago revirar e seu corpo gelar quando a familiar voz chegou em seus ouvidos. Ela se virou com relutância, então viu a mãe alguns metros em sua frente.
Charlotte engoliu em seco, tentando não demonstrar nenhuma das insuportáveis emoções que ela sentia no momento. Tentando ignorar a sensação de ter levado um soco no estômago e querer vomitar todo o sangue que havia bebido.
-Como você cresceu... E está linda, o vampirismo te fez bem -Lily sorriu com doçura para ela e se aproximou.
-Não, não chega perto de mim -Charlotte diz com rispidez, dando um passo para trás assim que viu a mãe se aproximar.
Lily parou de andar no mesmo instante, e ergueu um pouco as mãos sobre o corpo, como se mostrasse rendição.
-Eu queria conversar com você, sei que tivemos nossos problemas, mas...
-Problemas? -a garota a interrompeu, lutando para sua voz não falhar por causa do nó em sua garganta. -Problemas é o que se tem quando mãe e filha tem opiniões diferentes e brigam com frequência. Não é o nome que se dá quando tranca uma filha em um porão e a trata como um pedaço de lixo.
Lilian desviou o olhar para o chão e concordou com a cabeça.
-Eu me arrependo pelo que fiz com você, de verdade...
-Muito obrigada pela sua comoção, mãe, de verdade -retrucou Charlotte com sarcasmo, sentindo o aperto em seu coração se intensificar conforme várias palavras queriam sair de sua boca. -Mas o seu arrependimento não vai tirar nenhum dos meus machucados, medos ou traumas. Não vai tirar o fato de você ter abandonado os meus irmãos e nos deixado lá pra sobreviver com o papai.
-Eu sei que não vão, querida -a mãe continuou. -Eu demorei anos para perceber o quanto sua espécie era algo único, algo que te tornava especial. Queria ter a chance de dizer isso a você.
Charlotte desviou o olhar para o lado, uma risada sarcástica e de pouca graça saiu de seus lábios, conforme seus olhos começaram a arderem com sua relutância.
-Deveria ter me dito isso quando eu era criança, quando eu precisava de você -ela falou com desgosto, e tentava ao máximo não deixar sua voz ficar tão trêmula quanto suas mãos estavam agora. -Você não estava comigo todas as vezes que eu precisei de uma mãe para cuidar de mim. E agora eu não preciso de você.
Um silêncio reinou por alguns segundos.
Lily olhou para a garota e se aproximou um pouco, Charlotte ainda olhava para o lado e balançava sua cabeça de forma negativa, com incredulidade. Ela cruzou seus braços para não dar a satisfação da mãe ver o quanto suas mãos estavam tremendo.
-Eu soube o que o seu pai tentou fazer com você... Eu sinto muito -a voz de Lily saiu de seus lábios de forma verdadeira, mas depois de tudo, o que compaixão poderia trazer agora? -Eu deveria ter te ajudado, eu sempre desconfiei das intenções do seu pai. Deveria ter tomado uma atitude quando percebi a forma que ele te olhava.
Charlotte olhou para a mãe, uma dor e incredulidade reinava em seu olhar junto com o brilho das lágrimas que estavam formadas. Sua boca ficou entreaberta, como se não soubesse o que dizer, embora ela tivesse tanto a falar e sentisse mais do que pudesse ser suportável.
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A Devil Romance
Hayran KurguKai Parker, a ovelha negra do Clã Gemini. Todos já sabemos da história de Kai Parker, o sociopata que matou toda a família... Mas na verdade a história é um tanto diferente do que pensávamos, apesar de tudo, Kai Parker já teve um amor épico, que o a...
