Aos poucos Charlotte recobrava a consciência, embora ela mantivesse seus olhos fechados e continuasse fingindo estar desmaiada.
Ela conseguia sentir correntes frias apertarem seu corpo contra algo que ela presumiu que fosse uma cadeira de madeira. Ela parecia tentar anestesiar sua própria mente para continuar inconsciente, não queria lidar com aquilo.
-Eu sei que você está acordada, querida. Você nunca foi boa pra fingir que estava dormindo.
A voz fez com que Charlotte soltasse um suspiro involuntário, mesmo que as correntes apertadas dificultassem sua respiração.
Ignorar a coisa não vai fazer ela ir embora.
-Fez alguma coisa comigo? -ela tomou coragem de questionar. Sua voz vacilante, e seus olhos permaneciam fechados.
-Apenas te amarrei nessa cadeira. Não quis correr o risco de você fazer o mesmo que Stefan fez comigo em 1864.
Charlotte não pôde negar que sentiu um alívio intenso percorrer dentro de si. Sabia que ele não estava mentindo dessa vez.
-É, o Stefan sempre foi o mais sensato dos três irmãos -ela abriu os olhos. Por fim, encarando seu pai que estava sentado no sofá alguns metros a sua frente. -Eu deveria sentir muito ao dizer que não fiquei de luto pela sua morte?
Giuseppe deixou uma leve risada escapar. Ele segurava um copo com bourbon.
"Típico e maldito Salvatore" -Charlotte pensou consigo mesma, desviando o olhar para um canto qualquer.
Talvez sentisse negação?
Ela tentou se mexer, algo que não teve efeito. As correntes apenas pareciam apertar mais contra sua pele.
Mas nada parecia ser mais estranho do que suas tentativas de fazer algum feitiço falharem. Como se ela fosse humana, algo que realmente não seria uma boa coisa no momento.
-Eu achei que você ia tentar fazer alguma coisa pra se soltar. Pra minha sorte, Joshua Parker foi bastante gentil em me dar um tipo de poção para encantar as correntes e reter a sua magia
Charlotte não pôde deixar de sentir uma onda de raiva queimar sobre ela. A garota mordeu a parte interna da sua bochecha, foi a vez dela de acabar rindo.
-Joshua Parker, uau -ela riu novamente, embora não achasse graça. -Eu sabia que vocês dois iam se entender. Que parceria mais amável.
Ela continuava com seu olhar em algum canto da sala, em qualquer lugar que não fosse o seu pai. Charlotte teve muitos pesadelos durante toda sua vida. Situações em que ela encontrava seu pai e as coisas nunca acabavam bem pra ela.
E dessa vez, Charlotte desejou mais do que nunca que fosse apenas um de seus pesadelos que a assombraria por apenas algumas horas.
"Não é real."
-Ele também me disse algo sobre você ser uma das responsáveis pela morte de toda a família dele -Giuseppe relaxava seu corpo no sofá. Ele ingeriu um gole de sua bebida. -Quem diria, a minha garota que não tinha coragem nem de machucar um animal acabou se tornando uma assassina.
"Minha garota". Ela não conseguiu sentir nada além de nojo e desgosto. Talvez também se sentisse tonta com todos os pensamentos avassaladores e lembranças cruéis, embora fingisse que nada a afligia.
-"Matar ou morrer". Era isso que você me dizia. Lembro também de você me dizer que rostinhos como o meu não eram tão bonitos enterrados embaixo da terra. Então, decidi seguir o seu conselho -Charlotte tomou coragem para encará-lo de uma vez. Seu estômago revirou, ela sentia que estava tendo uma crise de pânico, mas se esforçou para não demonstrar nada. -Orgulhoso de mim, papai?
-Não, querida -Giuseppe retrucou. -Eu não consigo imaginar uma realidade em que usaria o seu nome e "orgulho" em uma mesma frase. Talvez desgosto, isso combina mais com você.
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A Devil Romance
FanfictionKai Parker, a ovelha negra do Clã Gemini. Todos já sabemos da história de Kai Parker, o sociopata que matou toda a família... Mas na verdade a história é um tanto diferente do que pensávamos, apesar de tudo, Kai Parker já teve um amor épico, que o a...
