I Was Feeling Epic

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Kai Parker.

Atenção, espero que sejam fluentes em doses generosas de sarcasmo para entenderem tudo o que eu quero dizer.
Sabe aqueles jogos de tabuleiro malucos que o peão do adversário parece caminhar rápido demais?
Pois é, os últimos meses foram assim. Odeio parecer o cara apaixonado de uma comédia romântica brega, mas é meio impossível não ficar assim quando se trata de estar com Charlotte Salvatore. Na verdade, nos divertimos muito. Passamos a nossa lua de mel na Itália, tivemos essa ideia depois de vermos o último filme do James Bond, meio triste se eu posso ser sincero. Essa viagem para a Itália fez eu descobrir que os Salvatore's são descendentes de italianos, qual é, eu nunca descobriria isso sozinho.
Passei a lua de mel comendo vários tipos de comidas italianas (inclusive uma chamada Charlotte Salvatore), matando e imitando várias cenas de 007. Resumindo? Eu e a minha ESPOSA nos divertimos de todos os jeitos loucos que só nós sabemos. Nem consegui perceber quando o tempo passou tão rápido.

Parece loucura. Porque eu lembro de cada mínima parte da minha vida, lembro desde as lembranças boas até as ruins, acho que eu sempre fiz questão de lembrar de todas.
Desde que eu nasci na era de Michael Jackson e passei dezoito anos entediantes, torturantes e rancorosos com a minha família. Até 1990, quando eu conheci a garota bonita de estilo grunge e que saiu comigo por gostar dos doces de uma feira de Portland. Me lembro de estar com a Charlotte durante aqueles quatro anos em todos os instantes, estávamos juntos nas nossas fugas para o nosso lugar especial, quando íamos para uma lanchonete no centro e eventualmente ela arrumou uma briga com uma garota, quando fomos para os shows da Nirvana, Green Day, Pearl Jam e várias outras bandas de rock. O quanto ela me ensinou a matar e não se importar, aliás, eu nunca vou me esquecer daquele hotelzinho na beira da estrada em que nos tivemos a nossa primeira vez sem nos importarmos com os cadáveres no chão.
Sério, com tantas memórias boas eu acabo me esquecendo das outras coisas. Com ela, eu esqueço o quanto os meus primeiros anos foram infernais, esqueço o tempo de rejeição e os dezoito anos preso na minha prisão pessoal... Chame do que quiser, Charlotte Salvatore é a droga que percorre as minhas veias a longo prazo e me faz esquecer de tudo. Ela me faz sentir adrenalina, prazer e todas as coisas que eu mais adoro. Não me arrependo de quem eu sou. Eu sou um sociopata, matei toda a minha família e faria isso sem pensar duas vezes, a diferença é que achei alguém que fosse tão insano quanto eu.
Por isso me apego a lembrança de quando peguei Charlotte em meus braços quando voltei para Portland e como eu decidi que ia pedi-la em casamento, mesmo que naquela mesma noite ela tenha morrido nos meus braços. E pensar que hoje ela é Charlotte Salvatore Parker. Meu demônio pessoal, minha perdição, meu inferno e meu paraíso.
E toda essa história louca acabou me trazendo uma família. Uma esposa, uma filha igualmente louca e incrível, e meus três melhores amigos irritantes (que eventualmente me fazem perder a cabeça). O que me provou que família não tem nada a ver com sangue, descobri isso vendo o sangue dos meus pais e irmãos escorrendo pelas minhas mãos.

Mas chega de baboseira. Vou atualizar vocês sobre todas as fofocas de Mystic Falls.
Advinha quem está grávida de gêmeos?
🥁🥁🥁🥁
SIM! O ENZO!
A Bonnie engravidou o Enzo, ou foi o contrário, não sei. Só sei que com a medicina moderna eles estão grávidos de gêmeos, brega, mas tomara que os gêmeos sejam inimigos mortais pra animar a cidade.

Elena e Damon continuam com a mesma. Estão casados, até agora nada de divórcio e a pequena Stefanie continua adorável.
Caroline e Stefan também estão na mesma. O Stefan parece mais o pai das gêmeas Saltzman do que o Ric, mas isso não importa, não posso matar mais elas por causa do Stefan e porque as meninas adoram a Charlotte.

Megan entrou no quarteto das garotas super poderosas junto com a Lexi, Amélia e Daniela. As vezes a Megan lembra que tem pais e liga para mim e para a Charlotte contando sobre as experiências de viagens dela. Mesmo assim, ela é incrível, não é tão apegada a magia quanto eu ou a mãe dela, se diverte mais sendo vampira e bebendo sangue na veia, mas tudo bem. Ela é uma mulher forte e com ótimo senso de humor

Bom...
Trinta e dois anos se passaram desde 1990.
Nem família, nem magia, nem prisões e nem mesmo o inferno foram capazes de me separar de Charlotte Salvatore.
Eu a usei como um sinal de alerta, e se você falar que isso não faz sentido, então você enlouqueceu.
Eu usei Charlotte Salvatore como o meu ponto focal e por isso nunca a perdi de vista, nem mesmo quando tentavam tirá-la de mim.
Ela me fez seguir em frente bem mais do que achei que conseguiria. E a amei mais do que achei que era possível...
E eu encontrei amor onde ele não deveria estar... Um amor louco e não convencional, do tipo que tem direito a beijos de chuva, provocações em público, noites mal dormidas e declarações em meio a cenas de crimes... Dizem que o amor não deve ter borboletas no estômago porque isso é o corpo reagindo ao perigo, fico feliz pelo fatos das borboletas nunca sumirem, sei que estar ao lado dela sempre vai ser o tipo de perigo mais prazeroso e desafiador que existe.
Talvez isso não faça sentido, mas nada nessa história tem um único sentido.
Não se deve esperar ética em um romance diabólico e sociopata.

-Vai ficar só observando?

Olhei para o lado, sorrindo ao ver Charlotte Salvatore Parker segurando o corpo quase morto de uma mulher em seus braços. O sangue escorrendo pelos seus lábios corados e manchando o decote da sua blusa cinza.

-É, você me chamou depois de ter secado o prato principal -falo ironicamente, mantendo um sorrisinho sarcástico no canto da boca.

Ela riu e revirou os olhos, lambendo o sangue do pescoço da garota antes de a matar e jogar o cadáver na beira da estrada. Charlotte se aproximou. Ela andava com a cabeça erguida e nariz empinado.
Ela abriu a porta do banco de trás do nosso carro, não entendi direito. Pelo menos não até ela agarrar a gola da minha jaqueta e me puxar para perto dela, pressionando seus lábios contra os meus em um beijo intenso e quente. Quando nossas línguas se encontraram senti o gosto doce de sangue em sua boca, o que me fez morder e chupar seu lábio, tão intoxicado por um beijo que parecia ser o passe livre para o paraíso. Não pensei duas vezes em entrar no banco de trás junto com ela, sem ousar separar nossos lábios, pois apesar de tudo o calor precisava ser aproveitado ali e naquele exato momento.

E agora, beijando a rainha do inferno, só um pensamento se passava em minha cabeça...

Eu estou me sentindo épico.

A Devil RomanceOnde histórias criam vida. Descubra agora