If I Was a Fool

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Charlotte continuava caminhando ao lado de Bonnie pelas ruas de Mystic Falls.
Ela não conseguia prestar atenção para onde estava indo, ou ao que estava na sua frente. Sua visão parecia estar tão nublada e turva, seu estômago revirava incessantemente.

-Charlotte -Bonnie puxou o braço da herege quando a mesma atravessou a rua sem perceber o carro que estava passando.

A herege balançou a cabeça negativamente. Ela parou de andar junto com a bruxa.

-Como sabia que eu estava lá? -ela indagou.

-Enzo foi me encontrar. Ele disse como você o incentivou a ir atrás de mim... Eu ia te agradecer -Bonnie explica.

E por mais que a bruxa Bennett tivesse um rancor mútuo com Charlotte, não resistiu ao impulso de segurar as mãos da herege quando a viu tremendo.

-Achei que você ia me deixar lá... -Charlotte resmunga. Seu cenho se franziu, e ela não se importou ao sentir Bonnie segurar suas mãos. -Você me odeia, por que me ajudou?

-Eu não sou um monstro, sabia? Não iria deixar ele fazer aquilo com você -elas ficaram em silêncio por alguns segundos, até Bonnie voltar a falar. -Ele já tentou fazer aquilo alguma outra vez? Não precisa responder, isso é assunto seu.

Charlotte olhou para o lado. Ela soltou uma das mãos de Bonnie, e passou o indicador sobre a parte esclerótica do olho, limpando uma lágrima como se fosse algo sujo.
Ela pensou alguns segundos, a princípio decidindo ficar calada.

-Eu tinha 17 anos -ela quebrou o silêncio. Sabendo que não tinha nada a perder com aquilo. -Vivia trancada em um porão por ser bruxa... Não quis correr o risco disso acontecer de novo, então pedi para Katherine me dar o sangue dela.

-Eu sinto muito por isso... De verdade -Bonnie falou. Ela deu um sorriso fraco, talvez uma forma de demonstrar apoio. E vendo por esse lado, Bonnie chegou a se questionar se não tinha começado sua história com Charlotte com o pé esquerdo.

-Tudo bem, é passado -Charlotte disse. Aquela era sua resposta automática, tão automática que fez ela suspirar ao ver que tinha sido estúpida, levando em conta os últimos acontecimentos.

Bonnie apoiou sua mão sobre o ombro de Charlotte. Ela era emocionalmente humana, e era uma mulher, aquilo tornava impossível não sentir uma empatia involuntária.

-Que tal nós procurarmos o Damon e o Stefan? Eu vou com você. Não acho que ficar sozinha vai te fazer bem -Bonnie falava com uma verdadeira gentileza.

-Eu só... -Charlotte balançou a cabeça negativamente. Ela sentiu seu estômago revirar novamente, e o suco gástrico subir até a sua garganta. Ela respirou fundo e engoliu. -Eu vou ficar bem. Pode avisar pra eles sobre Giuseppe? Não quero que eles cheguem na mansão, e tenham um reencontro surpresa.

-Tem certeza? Eu posso te ajudar, você precisa de ajuda, Charlotte.

-Não precisa, eu só quero um ar -Charlotte forçou um sorriso, então começou a se afastar, mas logo parou. -Bonnie... Obrigada por ter me ajudado, de verdade.

Bonnie retribuiu o sorriso.

-Não precisa agradecer por isso... Eu vou avisar os seus irmãos. Se cuida.

Charlotte se afastou, voltando a andar pela calçada.
Ela continuava com seus pensamentos agitados, e sua visão turva. Ela amaldiçoou a si mesma mentalmente, imaginando se o seu pai estava certo ao dizer que ela era fraca e estivesse se fazendo de vítima.

-Charlotte? -a voz ecoou atrás dela.

Ela se virou no mesmo instante, quase gritando ao sentir alguém apoiar a mão em seu ombro. Ela sentiu um choque em seu coração por causa do susto e medo.
Mas Charlotte respirou fundo ao ver que era Kai.

A Devil RomanceOnde histórias criam vida. Descubra agora