Depois daquele longo momento de tensão e ameaças, Bonnie não tinha mais forças para lutar. Então, mesmo com relutância e medo, ela foi com Kai até os túneis no centro da floresta, onde se localizaria o poder do eclipse.
-Eu trouxe um presente -Kai interrompeu seus pensamentos, sua voz como sempre sarcástica.
Ele deixou sua mochila cair propositalmente sobre o chão, então se agachou e a abriu pegando o pequeno ursinho de pelúcia de Bonnie.
-A senhorita Cuddles, achei que você iria querer levar junto -ele deu um leve sorriso. Estar tão perto de sua oportunidade de voltar para casa trazia um ótimo humor.
-Valeu... -Bonnie murmurou.
-Eu sei que acha que eu sou um monstro -Kai se levantou, sua voz saia dessa vez sem cinismo ou brincadeiras. -E eu sou, eu matei ou ataquei severamente a minha família mais próxima... Mas depois de um longo período de reflexão eu percebi que poderia ter lidado melhor com a minha raiva...
"Mas as coisas nem sempre são simples... Meu sentimento com minha família era recíproco, eles me achavam uma abominação por não ter magia, e eu odiava eles por isso." -ele prosseguiu. "Só existiu uma pessoa na vida que realmente me amou e me aceitou... Alguém que não queria nada em troca, e eu amo essa pessoa. Ela é a única família que eu tenho."
-Você disse que queria sair daqui para dar a convenção Gemini uma morte excruciante -Bonnie acrescentava.
-Não, eu não tava falando sério -ele deu uma risada fraca. -Sinceramente? Eu faria de tudo para que naquela época a minha família me amasse, que me tratassem como tratavam uns aos outros... Você disse pra mim que achava que a primeira coisa que eu faria quando saíssemos iria ser matar você, na verdade... A primeira coisa que eu vou fazer quando sair daqui vai ser achar a garota que eu amo, a única pessoa que sabe tirar o melhor e o pior de mim, e transformar isso em algo bonito.
"Você é uma boa pessoa, Bonnie... Eu até que admiro isso, queria ser como você..." -pela primeira vez naqueles momentos as palavras de Kai foram falsas. Não, ele definitivamente não queria ser como Bonnie Bennett. Mas tudo o que disse, era verdade.
-Podemos ir pra casa? -ela perguntou baixo, cruzando os braços. Kai deu um breve sorriso.
Eles caminharam até o círculo de luz no centro. Kai entregou o ascendente na mão de Bonnie.
Novamente ela passou a lâmina sobre sua mão, o sangue manchando o chão e caindo sobre o ascendente.
Bonnie fechou os olhos e começou a sussurrar o feitiço. Kai segurou o pulso dela com brutalidade, fazendo ela se assustar com aquilo e o olhar de forma nervosa.
-Só por precaução, caso você queira ir embora sem mim -ele comenta com sarcasmo, o mesmo leve sorriso no rosto, e pisca para Bonnie no final.
Ela ignorou seu comentário, voltou sua atenção para o feitiço.
O ascendente se abrindo conforme o poder do eclipse chegava.
"Adeus 1994. Eu estou voltando, vampirinha". Kai dizia em seus pensamentos, seu corpo tomado pela agitação.
Mas seus pensamentos bons foram embora quando o ascendente começou a se fechar novamente.
-O que tá acontecendo? -ele perguntou impaciente.
-Eu não sei.
-Continua, rápido -Kai falou, olhando para o céu e vendo aos poucos o eclipse acabar. -Continua!
-Não dá! Eu perdi a minha magia -Bonnie tentava soltar sua mão.
-Do que você tá falando? Você estava fazendo o feitiço -a voz de Kai se levantou, ele segurou os dois pulsos de Bonnie. Nada de magia. -Não tem nada aqui, não tem magia.
-Mas que estranho... -ela franzia o cenho, fingindo estar confusa. -Será que eu coloquei ela em algum lugar? Ah, agora eu me lembro. Coloquei em um lugar seguro.
Um breve sorriso irônico se desenhou no rosto de Bonnie. Kai deu alguns passos para trás, sua respiração se pesando de raiva, seu punho cerrado.
-Onde você colocou a magia? -a voz de Kai saia de forma gutural como uma falha tentativa de imitar seu ódio.
-Lembra que você disse que queria ser como eu? Corajoso, leal, paciente -Bonnie dizia com uma mistura de naturalidade e ironia.
Por fim, Kai sorriu. Um pensamento invadindo sua mente.
-Você colocou no urso. Não foi?
Aquele fio de esperança retorna, uma breve risada de alegria escapou. Kai pegou a mochila e a colocou de cabeça para baixo, o urso não estava lá.
Ele jogou a mochila com brutalidade no chão e caminhou até Bonnie, segurou seu braço com força o suficiente para saber que um hematoma iria aparecer.
-Cadê a droga do urso? -seu tom de voz não era nada amigável, ele nem se importava que podia sentir a respiração dela. Naquele momento a única coisa que queria era ver ela sofrer, e sair de lá.
-Ah, ele foi embora -ela respondeu com audácia, tentando não reclamar da dor em seu braço. -Estamos presos aqui. Pra sempre... Desculpe.
Kai desistiu de tentar conter os seus impulsos, então bateu com força o seu punho contra a nuca de Bonnie fazendo ela desmaiar na mesma hora.
...
...
Ele abriu o porta malas do carro, logo ouvindo Bonnie resmungar ainda confusa com tudo o que estava acontecendo.
-Hora de acordar -sua voz saia com sarcasmo. -Vem cá.
Ele segurou os braços de Bonnie e a puxou para fora do morta malas, vendo ela passar a mão em seu próprio rosto com um semblante claramente desnorteado.
-Como eu...
-Teve a sorte de chegar aqui em um voo privado pilotado por mim? -Kai interrompeu com cinismo e um sorriso. -Você ia ficar impressionada com as minhas habilidades. Mas eu já tinha te apagado, primeiro com um soco na nuca e depois com um monte de analgésicos.
Ele fechou a porta, então Bonnie olhou ao redor vendo um pequeno bosque próximo de uma grande casa branca. Era um lugar aconchegante e adorável, com certeza ela gostaria de conhecer se não estivesse machucada, confusa e acompanhada por Kai.
-Onde nós estamos?
-Em Portland, Oregon -ele voltou a falar, pegando um pequeno canivete em seu bolso. -Terra natal de Courtney Love, Tonya Harding e muito mais gente legal.
-Você podia ter me levado para qualquer ligar, e me trouxe para Portland? -Bonnie franziu o cenho, suas mãos atadas por um pequeno pedaço de corda.
-Eu cresci aqui -Kai comentou, usando a lâmina do canivete para cortar a corda e ignorando Bonnie reclamar quando a lâmina cortou um pouco sua mão. -Eu venho contando eclipses desde que eu fui aprisionado nesse planeta vazio. E pelas minhas contas, estou aqui a 6.771 sobrenaturais dias repetitivos. Então, no mundo real, para o qual nunca vamos voltar porque você mandou sua magia embora em um urso de pelúcia... Hoje é o meu dia favorito do ano.
Bonnie se sentou sobre o chão ao sentir suas pernas não conseguirem mais segurar seu corpo, evidente Kai não se importava com aquilo.
-E que dia é hoje? -sua voz soou fraca.
-Dia de ação de graças. Pode deixar que eu faço o jantar -Kai deu um breve sorriso irônico.
Ele saiu na frente, caminhando em direção ao bosque e logo dando de cara com sua antiga cara. Kai não pensou que ia sentir tanto choque ao voltar para o local. Aquela clareira no jardim... O último lugar que viu Charlotte.
"Temos a eternidade toda pela frente, não é?"
Essa foi a última palavra que ele disse para ela antes de se sacrificar para que Charlotte não morresse.
Kai se perdeu um pouco em seus pensamentos, era tudo doloroso... Mais do que ele esperava que ia ser.
Mas, Kai saiu de seus pensamentos quando viu Bonnie caminhar até ele. Ele não iria dar a ela a satisfação de o ver mal. Não mesmo.
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A Devil Romance
Fiksi PenggemarKai Parker, a ovelha negra do Clã Gemini. Todos já sabemos da história de Kai Parker, o sociopata que matou toda a família... Mas na verdade a história é um tanto diferente do que pensávamos, apesar de tudo, Kai Parker já teve um amor épico, que o a...
