Capítulo 129 Você...

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Os dias que se seguiram foram horríveis.

Eu estava com tanta vergonha do que estava acontecendo que simplesmente não consegui contar a ninguém. E sabia que Isaque também não tinha dito nada. Se tivesse contado, com certeza Vitória já teria vindo falar comigo. Mas ela não veio. Ele não contou.

Na verdade, nós nem tínhamos nos falado desde a briga. Mas ele... continuava agindo como se nada tivesse acontecido. Postava fotos no Instagram, saía com os amigos... O meu mundo estava desmoronando, mas o dele não. Eu estava destruída — e ele? Ele parecia bem. E isso me corroía por dentro.

Mesmo assim, a culpa me rondava. Me sentia fraca. Confusa. Ele havia dito que os últimos dias tinham sido cheios de brigas... Mas por mais que eu tentasse, eu não conseguia me lembrar de nada. Queria minhas memórias de volta. Queria resolver tudo. Eu não queria terminar. Não queria que o casamento fosse cancelado. Não queria que as brigas nos separassem.

Foi com isso na cabeça que dirigi até a casa dele, três dias depois de nossa última conversa. Quem abriu a porta foi a governanta.

— Senhorita Suzana... o senhor Isaque acabou de subir. Vou informá-lo que está aqui.

Assenti, surpresa por ele estar em casa. Ao menos não teria que procurá-lo em outro lugar.

— Vou esperar na sala — avisei, indo direto para a sala principal.

Assim que entrei, percebi que havia alguém ali. A mesinha onde eu costumava tomar chá com Vitória estava posta — mas ao invés de chá, havia sucos e bolos.

Talvez fosse ela... Mas eu esperava que não. Não queria interrupções. Precisava conversar com Isaque sozinha.

Nesse instante, o som de um celular tocando me tirou dos pensamentos. Só então percebi que o aparelho estava sobre uma das cadeiras. O celular dele.

Me aproximei, curiosa. Era uma ligação pelo WhatsApp, mas não havia foto de perfil, apenas um nome:

Camilla.

O telefone tocou por alguns segundos e caiu. Logo em seguida, chegou uma notificação de mensagem — mas como o celular estava bloqueado, não dava para ver.

Respirei fundo. Será que... seria a mesma Camilla? A ex, a primeira namorada dele?

Não devia. Mas a curiosidade falou mais alto.

Encostei o dedo no sensor, esperando que ele tivesse removido minha digital.

Não tinha. O aparelho desbloqueou na hora.

Abri as mensagens.

> "Amor, acabei esquecendo minha bolsa aí. Traz quando vier no hotel."

Meu coração parou.

Amor? Bolsa? Hotel?

Minhas mãos começaram a tremer. Meus olhos correram pela tela, procurando mais. Havia várias conversas. Ela sabia sobre tudo. Sobre o término, sobre meu trauma, sobre o jantar com os meus pais...

Desde quando eles estavam juntos? Desde quando estavam me fazendo de idiota?

Engoli em seco. Respirei fundo. Tentei me controlar. Não podia chorar ali.

Com os dedos trêmulos, liguei para o número.

— Oi, Isaque, meu amor! Acabei esquecendo minhas coisas aí, guarda pra mim?

Silêncio.

Eu não conseguia responder. O estômago revirava.

— Isaque?

— Seu? — perguntei, com raiva escorrendo pela voz.

Mais silêncio. E então...

— Suzana?

Isaque entrou na sala.

Me virei com o celular ainda no ouvido.

— Quem é Camilla? — perguntei, olhando diretamente pra ele.

Ele se sobressaltou.

— O que você tá fazendo? — ele ignorou minha pergunta, focado apenas no celular em minhas mãos. Veio até mim, pegou o aparelho e me encarou. — O que está fazendo aqui?

Uma lágrima escapou, e eu a odiei. Ele não merecia minhas lágrimas.

— Você me traiu. — sussurrei, com a voz rasgada.

— Não! — ele respondeu imediatamente. — Eu não te traí. Eu juro!

Olhei para ele, pasma com a audácia.

— Eu vi as mensagens! — minha voz falhou.

"Por favor, pare de chorar..." eu implorava para mim mesma.

— Suzana, depois do trauma, suas memórias... elas ficaram confusas. Você não acha possível que tenha se confundido?

Não. Não. Não.

Como ele podia?

— É ruim você ter me traído... — comecei com ódio. — Mas me fazer duvidar de mim mesma é mil vezes pior!

— Eu não te traí...

— Você estava com ela enquanto ainda estava comigo! Você me traiu. Você é um traidor!

— Suzana...

— É sua ex, não é? A mesma que você disse que não era ameaça. Que eu não precisava me preocupar.

Ele empalideceu.

— Você jurou que não ia me machucar de novo! Você jurou, Isaque! Como você pôde ser tão... tão cruel?

Como eu deixei? Como deixei ele voltar? Depois de tudo...

Ele tentou me tocar, mas me afastei como se estivesse diante de um estranho.

Cambaleei pela sala. Me sentia sufocada. Cada passo doía. Meu coração parecia em frangalhos.

— Me deixa explicar...

— Explicar? — ri, amarga. — Eu não acredito em uma palavra sua!
Você dizia que me amava. Que eu era a única.
Então por quê?
Por que me traiu com ela? Você ainda a ama?

A resposta estava no olhar dele.

Foi ali, naquele segundo, que tudo fez sentido.

Foi tudo uma mentira.

— Meu irmão estava certo sobre você... — sussurrei. — Eu nunca devia ter voltado.

Eu precisava sair dali.

— Espera! Você não pode dirigir assim...

Abri a porta do carro, e ele tentou impedir.

— Eu não sou mais problema seu, Isaque! — gritei, entrando no carro. — Parabéns! Pode ficar com quem quiser agora!

Bati a porta. Liguei o carro.

Dirigi sem rumo.

Sem saber pra onde ir.

Só queria fugir. Dele. De mim. Do que um dia eu achei que era amor.








 Do que um dia eu achei que era amor

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O AMOR ME CUROUHistórias para pegar e não largar. Descubra agora