Capítulo 12º - Três Dias de Luto, Um Milagre de Loba
Narrativa de Darius
Três dias.
Setenta e duas horas.
Quatro mil trezentos e vinte minutos de um vazio que esmagava meu peito sem trégua.
Alina havia sumido como se tivesse sido engolida pela própria terra. Nenhum cheiro, nenhum rastro, nenhum sussurro da natureza. Nada. A lua se recusava a me responder, e meu lobo... meu lobo rugia dentro de mim como um animal preso, rasgando minhas entranhas com desespero e revolta.
Na manhã do terceiro dia, com o coração despedaçado e as esperanças estilhaçadas, me vi diante de uma escolha que me corroía até o osso: reunir a alcateia e ordenar o fim das buscas.
Era cruel. Desumano. Mas necessário.
Subi nas pedras da praça central, onde antes ela sorria e dava ordens com aquele brilho flamejante nos olhos. Hoje, o local estava coberto por um luto silencioso. Os lobos se reuniam aos poucos, em silêncio. Cada passo arrastado parecia um lamento.
Inspirei fundo.
Minha voz falhou na primeira tentativa, engolida pela dor.
— Irmãos... — comecei, com a garganta apertada. — Três dias atrás... o mundo ficou mais escuro. Alina desapareceu. E nós... nós não conseguimos encontrá-la.
Alguns já choravam. Outros apenas cerravam os punhos. Ela era amada. Alina não era apenas minha companheira. Era a luz teimosa da nossa sociedade. A loba que encarava demônios com um sorriso debochado no rosto e ainda dava bronca na gente por não saber dobrar roupas.
— Temo que o pior tenha acontecido... — engasguei, tentando conter as lágrimas. — Mas... não quero perder a fé. Alina sempre foi destemida, corajosa, imprevisível... Se existe alguém capaz de sobreviver ao inferno, é ela.
Me curvei diante do altar da Deusa, e finalmente chorei. Não como Supremo. Mas como homem. Como lobo. Como um idiota que havia deixado a mulher que amava escapar de seus braços. O silêncio se tornou um lamento mudo. Um coro de dor.
Até que...
Passos.
Fracos. Hesitantes. Mas reais.
Virei o rosto devagar, com o coração aos pulos, achando que minha mente pregava peças.
— Ainda bem... que estão salvos — disse uma voz rouca, doce e quebrada ao mesmo tempo.
Alina.
Alina.
ALINA.
Meu mundo parou. E em seguida, explodiu em movimento. Corri até ela como um homem faminto corre para a fonte de vida. A peguei nos braços antes que ela desabasse.
— Alina! Amor, meu amor... me ouve, por favor! — sua pele estava fria, o pulso fraco. Seus olhos tentavam permanecer abertos, mas logo se fecharam. — CHAMEM O MÉDICO! AGORA! ALINA, NÃO ME DEIXA ASSIM! — gritava desesperado, segurando seu rosto, tentando ancorá-la neste plano.
— Darius! — Pietro me segurou pelos ombros, tentando me manter centrado. — Ela está viva, precisamos agir com calma!
— Eu a carrego. Ninguém mais. — rosnei, com a voz firme.
Corri com ela nos braços, como um raio atravessando o vilarejo, escoltado por nossos lobos mais rápidos. Entrei no centro médico com o coração em chamas. Deitei Alina na maca, segurei sua mão com força.
— Fique comigo... você é meu inferno e meu céu, Alina... não ouse me deixar agora.
— Supremo, precisamos levá-la — disse Giatros, o curandeiro. — Ela está em estado crítico. Permaneça aqui, por favor.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
