Capítulo 75

1K 70 1
                                        

05 DE SETEMBRO...

Eu estava dormindo quando o telefone tocou, era muito cedo e era o telefone de casa, a única pessoa que ligava diretamente na minha casa era minha mãe. Eu já tinha voltado a trabalhar, cuidava de papelada, e ficava na montagem dos pratos, ainda não podia cozinhar como antes, mas estava bem cicatrizado e em duas semanas eu volto com força total.

Eu: Alô?

Mãe: Priscilla?

Eu: Oi mãe? Que horas são? – olhei o relógio – Nossa, são seis horas da manhã, sabe que horas eu cheguei em casa? As 2 da manhã mãe, o que não podia esperar?

Mãe: Sua avó faleceu.

Eu: Oi? – me sentei na cama. - Como assim? Que avó? – já tremia.

Mãe: A dona Carolina.

Eu: Como assim mãe o que aconteceu?

Mãe: Sua tia chegou em casa de uma festa e a encontrou no chão do quarto desmaiada essa madrugada. O pulso dela estava fraco, ela chamou uma ambulância e constataram que ela havia sofrido um infarto e no hospital ela sofreu mais dois e não teve como reverter – suspirou – Seu pai está arrasado, passou mal, precisou ser medicado. Isso tudo nas últimas 3 horas. Suas tias estão vindo para São Paulo, o corpo vai ser liberado as 13 horas o enterro vai ser amanhã provavelmente de manhã, ainda não tem horário marcado.

Eu: Eu vou pra São Paulo no primeiro voo que eu encontrar mãe.

Mãe: Tudo bem filha. Se cuida. – eu não falei nada, só desliguei. Estava processando aquilo tudo. Entrei na internet achei uma passagem para as 10:55 da manhã comprei, imprimi a passagem e fui fazer mala. Arrumei minha mala para alguns dias, avisei a Luíza, e ela ia pra São Paulo também, num voo mais tarde. O restaurante não abriria aquela noite e nem na noite seguinte. Liguei pra Natalie.

Nat: Oi amor, bom dia, acordou cedo. – falou animada.

Eu: Oi amor, bom dia. Eu estou indo pra São Paulo.

Nat: Aconteceu alguma coisa? Seu pai está bem? – perguntou preocupada.

Eu: Minha avó Carolina faleceu.

Nat: O que? Como assim?

Eu: Minha mãe me ligou – contei tudo a ela.

Nat: Meu Deus amor... Quer que eu te leve ao aeroporto?

Eu: Se você puder. Meu voo é as 10:55.

Nat: Eu vou tomar banho e estou indo.

Eu: Tá... – desliguei tomei banho tomei café e ela chegou.

Nat: Oi vida – me beijou – Sinto muito. – eu dexei minha primeira lágrima cair.

Eu: Obrigada. Desculpa nem perguntei se você vai, se você quer ir.

Nat: Me avisa que horas vai ser o enterro onde vai ser o velório onde tudo vai acontecer que eu vou amanhã. Não quero causar mal estar na sua casa. Eu vou ficar num hotel por sinal.

Eu: Amor...

Nat: Sem amor... Ok? É melhor assim. É um momento delicado, eu não quero que as coisas fiquem piores que já estão.

Eu: Tudo bem. Eu te aviso – a beijei. – Vamos? Senão eu perco meu voo.

Nat: Vamos – peguei minha bolsa e minha mala e fomos para o aeroporto. – Se cuida tá? E me mantenha informada.

Eu: Tá, te amo.

Nat: Te amo – entrei no aeroporto fiz meu check in e já fui para a fila do embarque. Cheguei em cima da hora. Uma hora mais tarde estava em São Paulo. Estava chovendo e bem frio. Fui para a casa dos meus pais, o carro da minha mãe não estava na garagem, ela não deveria estar em casa. Eu entrei e a Nair veio me receber como sempre.

Nair: Oi dona Priscilla.

Eu: Oi Nair... Onde estão todos?

Nair: Sua mãe foi resolver um problema com o túmulo da família, sua avó Sandra foi com ela e seu pai está lá em cima com o enfermeiro dele. Seu irmão foi em casa ajudar a esposa com os bebês e logo devem voltar.

Eu: Ok, eu vou subir. Obrigada – eu subi deixei minha mala no meu quarto e fui ver o meu pai. Bati de leve na porta e o enfermeiro abriu. – Oi André.

André: Oi Priscilla... Ele está sentado ali olhando para fora a mais de uma hora não fala nada só fica assim.

Eu: Eu vou falar com ele. – entrei no quarto e o André saiu. – Oi pai... – ele me olhou e eu o abracei. Meu pai chorou, me abraçando com força e eu chorei vendo ele daquele jeito. – Eu estou aqui...

Pai: A culpa foi minha.

Eu: Por que? Claro que não pai.

Pai: Eu e ela discutimos ontem.

Eu: E porque vocês discutiram?

Pai: Eu contei a todos sobre o casamento de vocês, todos comemoraram e até a sua mãe que ficava 24 horas falando o quanto a Natalie não era mulher para você, deu um sorriso. Juro que eu achei que minha morte estava próxima e aquela era a minha ultima visão – deu uma leve risada e eu também – Ai a minha mãe como sempre, foi sem filtro, falou um monte de besteiras e eu falei que ninguém estragaria esse momento, que sua felicidade viria em primeiro lugar e não deixaria a ignorância dela atrapalhar isso. Ai ela falou que eu sou muito petulante, aquelas coisas que ela sempre dizia, ai ela disse que não abençoaria o casamento nunca e que não iria. E para encerrar discussão eu falei que ela seria a única da família a não ir então. Antes de ir embora ela me deu um beijo disse que me ama mesmo não concordando comigo e foi embora. Ai de madrugada minha irmã liga falando que estava indo para o hospital com ela que a encontrou desmaiada... – suspirou. – A culpa foi minha.

Eu: A culpa não foi sua pai, se tem algum culpado aqui esse alguém sou eu. Mas pai, eu não vou pedir desculpas por estar apaixonada, por amar a minha noiva e por querer sem feliz. Eu sinto muito que a vovó tenha falecido sem ao menos conversarmos de maneira decente depois de tudo isso, mas eu não vou pedir desculpas por isso.

Pai: E nem deve filha, nem deve – me abraçou de novo. Eu me senti culpada com isso, de verdade. Eu não queria meu pai se sentisse assim, eu não queria que minha avó tivesse morrido e menos ainda sem falar comigo e sem conversarmos sobre tudo isso. Mas ela deixou claro que não abençoava o meu casamento. Isso doeu, mas eu não mudaria de ideia, nunca. Fiz ele tomar uma vitamina antes de almoçar, já que ele não comeu a manhã toda. A gente desceu e andou um pouco pela varanda coberta já que chovia bastante. Logo ele se sentou na sala e a minha mãe e minha avó chegaram.

NATIESE EM: SENHORITA KATEOnde histórias criam vida. Descubra agora