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Branco

Brotei na casa da Jaqueline mais tarde e ela começou a me bombardear com perguntas sobre a Isabella.

Jaqueline: eu só acho que ela é muito nova para você, Michael. Você está na idade de sossegar, parar com a vidinha de farra, sair dessa vida que não vai te levar a canto nenhum, viu o fim do seu pai né? E ela é menina ainda, tem que estudar muito, ralar muito pra virar mulher. Você tem que tomar cuidado.

Branco: eu e ela não tem nada Jaque, eu tô ficando com ela.  Conheci a pouco tempo.

Jaqueline: e eu te conheço. Deve tá fazendo seu charme, tratando com carinho, dando atenção, querendo manter perto. Coisa de safado! Acha que vai levar quanto tempo pra uma menina se apaixonar por um cara mais velho, que tem dinheiro e a trata como princesa?

Branco: papo reto... vim aqui pra deixar um dinheiro com você só e não falar sobre ela. Eu acho ela uma mina maneira, até então vem se mostrando ser na dela, vou deixar fluir.

Jaqueline: não disse que ela não era maneira, apenas que é uma menina ainda e você está ficando velho. —dei uma risada fraca e me levantei.

Branco: tá bom, eu me cuido. Fica em paz aí. —deixei o dinheiro na mesa e beijei a testa dela— se cuida.

Jaqueline: você também, amo você.

Branco: te amo.

Sai da casa dela. Jaqueline sempre foi protetora, fala sem papa na língua, igual a Angélica. Respeito e até entendo, mas não gosto que ninguém se meta nos meus assuntos.

Fui direto pra boca, Lobo estava me esperando aqui a um tempo. Fui entrando e vendo ele sentado numa poltrona antiga que tem ali, e ela numa cadeira de plástico.

Olhei a mulher de cima a baixo. Era uma pretinha de cabelo liso e loiro, olhei bem o dragão na coxa dela que provavelmente terminava na cintura. Ela estava com um shorts jeans e um cropped preto liso, tinha um pequeno decote no peito, e pela marcação do peito, julguei ser silicone.

Branco: boa noite. —falei chamando a atenção deles que pararam de falar e me olharam.

Lobo: boa noite meu rei. —me cumprimentou e eu me sentei— Essa é a nossa medusa, Nicolle.

Branco: prazer. —ela sorriu simpática.

Nicolle: prazer é todo meu.

Lobo: tava comentando por alto umas coisas por ela e ela compartilhando sobre a vida dela.

Sentei na mesa de madeira que tinha ali e acendi um pra fumar enquanto conversávamos.

Branco: quero saber como tu entrou nesse rolo, fiquei curioso. Uma mulher como tu fazendo esse tipo de serviço e correndo risco de morte.

Lobo: não leva a mal ele, meu amigo ali é desconfiado. —colocou a mão no ombro dela.

Nicolle: tô acostumada com isso já. —ela se ajeitou abaixando o shorts— Trabalho pro Xande tem 10 anos, hoje vivo bem, mas nem sempre foi assim. Entrei por necessidade, papel de medusa eu fiz uma vez só. Os outros foram outro tipo de trabalho, nada haver com sexo. Já palmeei um pouco sobre ele, sei que é casado, então vou tem que comer pelas beiradas. Mas pelo que o Xande disse vocês querem saber somente o tipo de arma que eles porta e onde é a casa bomba.

Lobo: isso aí.

Branco: já que tem o costume, se puder descobrir aonde ele mora e uma entrada mais discreta, melhor ainda. Qualquer informação que der pra usar contra ele é bem vinda. Ele é macaco velho, temos que estar ligado o máximo.

Nicolle: posso tentar. Mas ai o preço sobe né. —levantou a mão e olhou pra a unha com alongamento— O cara é casado, vai ser complicado saber aonde ele mora e vou tem que me meter em buraco pra ver as entradas de lá.

Branco: da teu preço, loira. —acendi um cigarro e coloquei na boca olhando pra ela.

Nicolle: além do meu aluguel de lá que vocês vão pagar e alimentação. Vou cobrar 100 mil por mês. —dei uma risada grossa.

Branco: bem que o Xande falou que seu preço é alto. —ela levantou e veio até mim.

Nicolle: tô botando minha vida a jogo —parou na minha frente colado a mim e eu encarei seu rosto e desci o olhar pro seu peito— se eu sair viva e puder gastar o dinheiro, ótimo... —se afastou um pouco— se não parar de olhar pro meu peito se não eu subo pra 150.

Branco: tu é golpista —peguei uma mecha de cabelo dela que riu— 50 agora e mais 50 depois.

Nicolle: aceito.

Celular do Lobo tocou e ele olhou no visor.

Lobo: vou atender lá fora e já peço pros menor trazer os 25.

Branco: eu dou aqui, você paga o restante depois. Chama pra mim o Brito.  —ele confirmou e saiu da sala com telefone no ouvido já.

Nicolle: por curiosidade, você é solteiro? —se afastou um pouco de mim e me olhou.

Branco: eu sou, mas não costume misturar negócios e sexo.

Nicolle: mas quem disse que eu quero transar contigo? se manca, amor. Você é gostoso, mas não sou pro teu bico, já ouvi muito falar sobre você. Só coisa boa sai da boca das mulheres, dos homens nem tanto.

Branco: fazer o que né, acontece. —joguei o cigarro no chão e pisei em cima— Ainda bem que meu lance é mulher mermo.

Brito: chamou patrão? —entrou na sala e olhou para a Nicolle de cima a baixo também.

Branco: trás 50 mil aqui e arruma uma mala, conta direito por favor. De nota de 50 e 100.

Brito: fechou.

Ele saiu e voltei a encostar na mesinha ali e fiquei mexendo no celular. Ela se sentou na cadeira de plástico e ficou fazendo o mesmo, vez ou outra olhava pra minha cara.

Brito chegou com o dinheiro, contamos de novo e estava tudo certo. Ela pegou a maleta e passou a unha por cima.

Nicolle: obrigada... vou piar na Vj semana que vem, estou com um celular pra falar com vocês. Anota o número, mas já aviso que não fico com ele a todo momento, pego pra dar notícias e sumo. —entreguei o celular a ela que anotou e devolveu.

Branco: tranquilo loira, qualquer sinal que as coisas estiverem ficando ruim pro teu lado, você avisa e a gente te busca.

Nicolle: tá bom, e você toma cuidado com as medusa da vida aí. Se não me conhecesse eu tenho certeza que te levaria no papo igual vou levar esse Jhony. —falou sorrindo mostrando os dentes com lente e eu dei risada.

Branco: te levaria pra cama, mas não pros meus negócios. —ela murmurou um "hm" — pede pra algum dos meninos te deixarem na tua casa de carro.

Nicolle: obrigada. Tchau, Branco.

Branco: tchau.

Ela deu as costas e eu dei risada sozinho, mina maluquinha da cabeça papo reto. É bonita, mas não faz meu tipo.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora