Branco
Kaká: Chefe, a Débora tá aí e pediu pra subir pra conversar contigo.
Soltei a fumaça do baseado devagar, fechando os olhos por alguns segundos e aproveitando a brisa leve. O dia tava tranquilo, tudo fluindo bem. As lojas estavam dando lucro, o bordel começava a render uma boa grana, e o mais importante, meu filho tava saudável. Ontem, quando senti ele chutar, foi uma parada de doido. Sentimento único.
Então nada ia tirar minha paz hoje, nem mesmo a Débora.
Eu sabia que tinha vacilado. Marquei com ela e não apareci. Ainda ligou várias vezes e eu desligava, até que me irritei e bloqueei de vez. Só queria dormir em paz e
curtir o final do dia na casa da Isabella.
Branco: Manda subir.
Ouvi o barulho do chinelo dela arrastando no chão antes de ver ela entrar. Usava uma saia jeans que marcava bem o corpo e uma blusa pequena, decotada. Olhou pra mim com raiva e, em questão de segundos, começou a falar.
Débora: Fala sério, Branco, qual o seu problema? Você disse pra mim que ia em casa, eu preparei um monte de comida, comprei até uma garrafa de whisky pra você tomar e fiquei lá plantada a noite toda! Você não atendia, não respondia e ainda por cima me bloqueou. Eu tenho cara de quê? De otária? Porque só pode! Você tá me tratando como lixo esses dias, mas eu sou mulher pra caralho e não aceito isso! — Cruzou os braços, a respiração acelerada.
Desencostei da cadeira, puxando o ar com calma antes de responder.
Branco: Vacilei, mas precisei ir pro hospital com a Isabella e acabei pegando no sono.
Débora: Para de ser cínico, cara! Tenho certeza que você dormiu com ela. Você tem que escolher com quem vai ficar, não vou aceitar prato pela metade.
Passei a mão no rosto, já impaciente.
Branco: Tô te dizendo que eu e ela não temos nada, e não rolou nada. Fui ajudar por causa do meu filho e pela consideração, entendeu? Tu tá causando à toa, e eu não gosto disso, nunca prometi nada a você também e já falei que não sou homem de dor de cabeça.
Débora: Ah, não prometeu? Mas me deixou acreditar, né? Me deixou pensar que tinha alguma coisa aqui!
Caminhei até ela, meu olhar sério.
Branco: Tu tá confundindo as paradas. Você é maneira, mas minha relação com a Isabella é outra coisa. Não vou ficar mentindo nem enrolando, se você quiser continuar na minha vida é assim que vai ser. Isabella sempre vai vir primeiro.
O silêncio pesou. Débora respirou fundo, desviando o olhar.
Débora: Eu me garanto e muito, ainda mais perto de uma criança daquela, mas a questão é que você faz questão de estar atrás dela, de ficar junto. Acha que eu me sinto como com isso?
Branco: Atrás aonde? Me fala. Aonde tu viu eu indo atrás dela?
Débora: Atrás não vai, mas seu olhar diz muito. Todo mundo vê, menos você... Eu vou te dar uma chance de fazer diferente. Mostra que você me quer e que vai esquecer ela.
Franzi a testa. Débora me olhou por um segundo antes de dar as costas e sair.
Soltei um suspiro, tragando o resto do baseado antes de chamar o Kaká com a cabeça.
Branco: Mais tarde tu manda um moleque qualquer levar umas flores pra Débora, só pra aliviar minha mente um pouco. — Entreguei duas notas de cem. — Precisa de muito, não.
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No alto do caos
FanfictionIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
