35 M

15.7K 876 60
                                        

(Nesse livro não vou focar em história de nenhum outro personagem a não ser os principais, serão pouquíssimos capítulos com outros narradores)

Talita

1 semana atrás

O Márcio entrou em casa empurrando a porta com toda a força do mundo. Encarei ele e vi seu semblante completamente fechado, como eu nunca tinha visto na vida.  Passei uma mão na outra sentindo o suor das minhas mãos.

Brito: cadê a garota? Fala. —gritou chegando próximo de mim e me olhou.

Talita: não tá aqui, te avisei.

Brito: eu tô ligado que ela estava aqui sim. Me passaram a visão, cadê ela Talita? —se aproximou e abaixou segurando minha bochecha de leve com uma mão.

Talita: me solta cara, tá maluco? —bati no pulso dele que continuou me segurando— eu falei pra ela ir embora. Ela já foi.

Brito: tá de câo comigo? Você tá acobertando ela por causa de que? você já sabia que aquela piranha era parente de alemão. Não sabia?

Talita: não... eu juro. —falei tentando convencer— eu não sabia, Márcio. Ela só vinha pra cá pra curtir, eu tenho certeza disso. Ela não estava como X9.

Brito: tu garante como porra? Me fala. Garota mentiu pra tu, pro chefe, pra geral.

Talita: independente. Ela é minha amiga de anos, eu conheço bem ela, jamais faria uma tróia.

Brito: amiga o caralho, você sabe a merda que me meteu? Branco tá vindo pra cá e eu vou falar o que pra ele? fala aí. Que minha mulher é a maior vacilona do mundo? Tu deu o papo pra ela fugir, você foi filha da puta junto com ela.

Talita: fala que ela não veio aqui. Simples!

Brito: Simples o caralho, uma porra! —me apertou com força— você botou aquela garota dentro da minha casa, me colocou numa situação complicada perante ao meu chefe. 

Talita: eu desenrolo com ele. Agora me solta por favor. —senti meu nariz arder e a vontade de chorar vir a tona. Era de pura raiva e não medo.

Brito: tu acha que tá no direito de que? fala aí pra mim. Tu tem que falar nada caralho, tem que ficar quieta. Nunca vacilei contigo em nenhum sentido pra você agir na mancada comigo. —segurou firme meu cabelo.

Talita: Você tá passando dos limites comigo. Me solta caralho, não vou aceitar isso não. Posso ter errado, mas ainda sou tua mulher. —falei sentindo as lágrimas descer— você não pularia na bala de amigo seu? Porque eu sou amiga de verdade, pulei e pularia de novo e quantas vezes for preciso. Sou amiga da Isabella há anos e em quase todas as fases da minha vida ela acompanhou, mesmo que de longe.

Brito: jamais ia correr pelo errado, pulo na bala de quem corre pelo certo. —falou e me soltou encostando na parede— cadê sua moto? —fiquei quieta— ta de câo que você deu pra ela.

Eu coloquei os cotovelos no joelho e passei as mãos pelo cabelo suspirando fundo.

Brito: você sabe que ele está vindo aí e vai querer saber onde ela tá e como fugiu. —falou baixo— tamo fodido, Talita.

Talita: eu tô.

Brito: eu sou teu marido, você acha que não vai cair sobre mim? Vou cair no conceito dos caras e sair como quem tá de óculos.

Talita: é nisso que tá pensando? —olhei pra ele— eu posso tomar maior coça e você só pensa nisso.

Brito: consequência tua.

Foi a única coisa que ele disse antes do Branco chegar. E aquilo foi um tiro no estômago pra mim, tô com ele há anos, e ele da dessas como quem não se importasse.

[...]

Dias depois.

Respirei fundo olhando pro teto branco, não aguentava mais ficar nessa casa e na companhia do Márcio. Eu e ele desde que tudo aconteceu não trocamos uma palavra se quer. E sinceramente, nem eu sei se quero falar com ele algum dia.

Quando ele decidiu me cobrar ao invés de outra pessoa, me doeu de verdade. Pois preferia uma desconhecida me batendo do que ele, nunca aceitei tomar um tapa de quer dele antes de tudo isso. Apanhei pra caralho naquele dia, depois que o Branco foi embora eu comecei discutir com o Brito sobre a decisão dele e logo em seguida ele veio me agredindo.

Eu ainda consegui mandar mensagem pra Isabella antes dele tomar o meu celular e quebrar. Depois de uns dias me deu outro de novo, como se fosse um pedido de desculpa. Para faculdade eu nem estava indo, até porque estava proibida de sair de casa durante 3 meses, infelizmente vou perder esse final de semestre o início do último semestre.

Eu de verdade não me arrependia de nada, tá certo que eu sempre avisava pra Isabella que isso daria merda é mesmo assim ela se envolveu com o Branco, mas de qualquer forma foi eu quem convenci ela a vir aqui a primeira vez, e consequentemente deu abertura pra tudo isso. Protegi ela naquele dia e protegeria de novo.

Talita: eu quero ir pra minha mãe. — ele me olhou por cima do ombro enquanto jogava vídeo game.

Brito: pra que? tu vai ficar aqui em casa.

Talita: eu quero me separar de você.

Brito: não aceito, você sabe. —ele desligou a tv e voltou a me olhar— tudo que eu fiz foi porque tinha que fazer, nunca levantei a mão pra você. Tive que te cobrar, se fosse outra pessoa você estaria quase morta.

Talita: preferia outra pessoa do que você. Isso aqui não faz sentido pra mim. Já perdoei até traição sua, mas agressão não.

Brito: tá recente, leva o tempo que for pra perdoar, mas você não vai se separar. Vai ficar aqui comigo.

Não queria discutir, não tinha forças para isso. Subi pro quarto e tranquei a porta. Deitei na cama e comecei chorar de raiva.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora