Estou amando a interação de vocês e só venho informar que a história ainda vai pegar muito fogo! Continuem votando e comentando, logo mais sai maratona.
Estava pensando em fazer um Instagram para interagir com vocês, o que acham?
Isabella
Fazia uma semana desde que tudo aconteceu, eu fui pra faculdade essa semana morrendo de medo de alguém está me esperando na porta. Por isso entrei a tarde e sai bem depois do horário e por outra saída que não costumava ir.
Talita não foi, não vi ela e estava começando a ficar preocupada, pois as mensagens nem no sms chegava pra ela e eu tive que parar de mandar, até porque não sabia quem estava com o celular dela.
De certa forma eu sei que eu tenho total culpa se algo acontecer com ela, porque quem continuou ficando com o Branco sabendo que era extremamente perigoso foi eu. E ela a todo momento me avisava, pedia pra ter cuidado, pra parar e eu não ouvia. Meu coração ficava apertado toda vez que eu pensava na possibilidade de terem matado ela, eu jamais saberia lidar com a culpa da morte da minha melhor amiga.
Não tenho nem saído de casa, era da faculdade pra casa e de casa pra faculdade. Eu estava ficando tão entediada e sozinha, mas também não tinha ânimo nenhum pra sair de casa e nem coragem de sair da favela à toa.
Isaura: tô indo no mercado, quer algo? —abriu a porta do meu quarto e entrou.
Isabella: não vó, brigada.
Isaura: vamos comigo. Eu preciso de ajuda e você de ânimo.
Isabella: tô com cabelo sujo.
Isaura: larga de frescura. Vamos me ajudar, vai. Não vou demorar.
Calcei meu chinelo, meti um coque no cabelo e fui junto com ela contra minha vontade. Mercado era próximo de casa, mas sempre que ela ia, voltava com a ajuda do D2 ou outro vapor que estivesse mais perto. Segurei o carrinho e fui empurrando enquanto ela olhava os preços e pegava o que precisava.
Isabella: essa semana tem o aluguel da casa da Tânia, ela não me fez o pix ainda.
Isaura: essa mulher sempre faz atrasado, você sabe.
Isabella: mas não é bagunça não, se eu tivesse necessitando?
Isaura: mas não tá. Então para de graça. Vem. —falou andando e eu fui atrás— vai precisar de absorvente ou ainda tem?
Isabella: tem lá o pacote fechado.
Isaura: fechado? não usou esse mês?
Fiquei quieta parando pra pensar, entortei minha boca e peguei o celular entrando no meu app aonde anotava quando descia pra mim. Última menstruação fazia 37 dias. Ou seja, to atrasada 9 dias.
Isaura: Isabella, quando foi sua última menstruação?
Isabella: vai descer ainda vó, senti até cólica uns dias atras.
Isaura: e não desceu até hoje? Você vem usando camisinha? —fiquei quieta— meu deus, minha neta. Vamos passar na farmácia e comprar um teste.
Isabella: não, não precisa. Eu não tô grávida vó, não estou sentindo nada de sintomas. Já atrasou outras vezes assim, relaxa.
Isaura: mas não desceu pra você esse mês. Quando é sua consulta do diu?
Isabella: sem ser nessa, na próxima semana. —tinha feito tudo pelo SUS, então o processo era lento pra tudo.
Isaura: se até sexta não descer, você vai fazer um teste. —falou colocando as compras no caixa— e você sabe quem é o pai? —a mulher do caixa olhou pra gente e eu fiquei com vergonha.
Isabella: agora não, vó!
Terminarmos de passar a compra, eu paguei no meu cartão e nós voltamos pra casa em silêncio. Mas foi só pisar dentro de casa e ela começou falar.
Isaura: se por acaso estiver grávida, sabe quem é o pai?
Isabella: estava transando com uma única pessoa há meses.
Isaura: menos mal. Por mim você faria esse teste logo e a gente saberia.
Isabella: não tem porque, vó. Deixa isso quieto, por favor. E não é pra sair falando pros outros, te conheço.
Eu nem cogitava estar grávida, apensar de ter usado proteção com o Branco poucas vezes, reconheço que de fato dei vacilo nisso. Porque sempre fui chata com camisinha e com ele era super flexível.
Olhei minha barriga no espelho, tava normal, nem um pouco inchada. Deitei na cama e fiquei com aquilo na cabeça.
[...]
Semana toda minha vó me olhando desconfiada, até o lixo do meu quarto tirou, e tudo isso pra vê se tinha papel de absorvente. Mas até hoje não desceu e eu já estava começando ficar nervosa. Era minha última semana na faculdade, a próxima iria ser recuperação e metade da sala não iria, então também não vou.
Aproveitei que estava saindo mais cedo da faculdade e passei na farmácia aqui perto. Comprei um teste daqueles básico e guardei na bolsa.
Sentei no sofá colocando meu pé em cima do puff, e liguei a tv para relaxar um pouco.
Isaura: eai? —apareceu na ponta da escada e me olhou.
Isabella: oie, que foi?
Isaura: pacote permanece fechado no banheiro.
Isabella: eu sei, vó.
Isaura: sabe, mas não faz o que tem que fazer. —desceu com uma sacola na mão— comprei hoje, faz.
Isabella: também comprei, tá na bolsa. —apontei pra mesma que estava na cadeira ao lado.
Isaura: então levanta, minha filha. Vai logo fazer isso, deixa de coisa.
Isabella: e se eu fizer e dar positivo? Faço o que da minha vida?
Isaura: o mundo não vai acabar não. Você vai parir e criar.
Isabella: eu tenho 19 anos só, tô estudando, tenho tantos planos pra mim e filho não era um deles agora. —falei sentindo vontade chorar.
Isaura: você enrolar pra fazer o teste não vai mudar em nada. Outra, na hora do sexo foi bom, não foi? Tinha que pensar nisso tudo aí. Mas você sabe que pra tudo se dá um jeito e você não tá sozinha. Tem eu e o pai dessa criança que talvez possa existir também vai criar.
Mal sabe ela que se eu estiver grávida, o pai da criança é quem nunca vai saber disso. O cara quer minha cabeça, ata que vai criar filho meu.
Peguei o teste da mão dela e entrei dentro do banheiro, encarei aquela caixinha durante alguns minutos torcendo para fazer e dar negativo.
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No alto do caos
FanfictionIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
