Branco
Era época de são joão e eu resolvi fazer um agrado para os moradores. Fiz uma quermesse na quadra da comunidade, tava cheio de barraquinha, música ao vivo, brinquedo. Tava maneiro.
Sentei na cadeira que tinha ali ao redor de duas mesas cheia de bebidas. Brito estava na outra ponta, não direcionava o olhar pra mim nenhuma vez. Depois daquele dia ele fala comigo o necessário, não sei se ficou bolado comigo ou se acha que eu tô de cara virada pra ele. Considero ele pra caralho, é um dos poucos que tenho mais proximidade e por isso deixei a mulher dele viva.
Eu não toquei naquele assunto com mais ninguém, nem com o Lobo, apensar dele viver me rodeando e perguntando sobre. Mas quero esquecer tudo que um dia chegou perto de existir entre eu e a Isabella e se ela esteve aqui como X9, uma hora a cobrança pra ela chega. Até porque aonde ela mora vai avermelhar logo, não vai ter saída. Uma hora nossas pedras se encontra e eu vou resolver a pendência que tenho com ela.
Olhei pro lado vendo a Nicolle entrar junto com a Angélica, olhei ela de cima a baixo vendo seu shorts curto e seu cropped xadrez decotado mostrando o silicone.
Nicolle chegou ficar na casa da minha mãe dois dias até eu achar uma pra ela morar, nesse tempo ela e a minha irmã já se amigaram facinho. Pra mim fazia diferença nenhuma, elas lá e eu cá.
Brito levantou e eu fiquei encarando ele vir na minha direção, puxou uma cadeira e sentou do meu lado me olhando.
Brito: Boa noite, chefe. —falou sem jeito.
Branco: boa noite, tranquilo?
Brito: tô suave... Queria trocar um papo contigo. Posso?
Branco: a vontade, só falar. —peguei meu copo da mesa e dei uma golada.
Brito: não sei como tô contigo na situação, mas queria te pedir um favor.
Branco: só falar. Sempre fui mesma fita com você, até porque você era meu fechamento.
Brito: ainda sou, no papo! Não trai tua confiança, sei que minha mulher deu mancada, mas eu cobrei ela perante essa situação que aconteceu. Ela me deu a palavra que não sabia de nada, tá ligado? Situação lá em casa tá foda, até papo de separação ela me deu. Você sabe que amo ela, é tudo pra mim! Quero deixar a mina ir embora não, mas como, 3 meses de castigo é muita coisa.
Branco: quem sabe em três meses tu convence ela a continuar com você... fala logo o que tu quer, Brito. Já tô até ligado.
Brito: um mês!
Branco: devia botar tu pra varrer a rua depois do baile, isso sim.
Brito: se quiser eu faço isso, só me dá uma força aí.
Branco: dois meses e ela pode sair. Mas tá ligado, sem câo nenhum na rua, se não a cobrança vai ser outra. Consigo ser ruim pra caralho quando quero, se fosse qualquer outra pessoa eu teria mandado matar ou expulsar da minha favela. Aliviei por causa de você —apontei pra ele— confiei na tua palavra que não sabia de nada, até porque eu tava envolvidão com a mina lá e também não tinha ciência.
Brito: tô ligado, parada foi foda mesmo.
Troquei uma ideia com ele, apensar de tudo, menor é tranquilo comigo e faz as paradas que eu peço direitinho. Nunca tinha dado motivo pra mim desconfiar antes.
[...]
Isabella
Olhei a foto minha e do Branco na minha galeria, olhar aquilo me fazia sentir saudade de tudo que vivi, principalmente daquela viagem. Do lado da minha cama estava o teste de gravidez aberto, não tinha feito por puro medo.
Respirei fundo sentindo um nó na minha barriga, uma ansiedade horrível. Peguei o teste e levantei indo pro banheiro, fiz xixi no potinho que vinha e coloquei o palitinho, esperei uns segundos até subir e depois tirei. Coloquei ali do lado e esperei uns minutos.
Peguei ele nervosa olhando sem entender, não tava nem negativo e nem positivo.
Isabella: vó? —gritei— vem cá.
Isaura: oi —apareceu uns minutos depois e me olhou sentada — que foi menina? fez?
Isabella: tá aí, não sei o que deu. —ela pegou e olhou.
Isaura: você fez errado isso aqui, está inválido. Cadê o outro?
Isabella: na cama também.
Isaura: vou pegar lá. —ela saiu e voltou com ele aberto— essa parte você põe no xixi e vai ver o negócio subir, quando terminar de subir você tira.
Quando ela mostrou eu me liguei que tinha colocado do lado contrário. Ela saiu e eu fiz o processo novamente do lado certo. Coloquei a roupa e sai do banheiro largando o teste na pia.
Isaura: transar sabe, mas pelo visto a camisinha e fazer um teste não sabe. —disse rindo.
Isabella: nunca tinha feito. E você tá me deixando nervosa, vó.
Isaura: na sua idade eu já estava com dois filhos no mundo, criei muito bem e não morri. Independente do resultado, você vai ter eu do seu lado.... agora vai lá ver que já deu o tempo.
Eu fui pro banheiro e peguei o teste sem olhar o resultado. Me olhei no espelho e suspirei pra mim mesmo "Seja o que pai oxalá quiser". Olhei pra aquele palito fino e observei bem.
Meu olho encheu de lágrima e eu comecei a chorar logo em seguida, coloquei a mão na pia e tentei buscar o ar que estava faltando. Minha vó chegou e nem se quer perguntou o resultado, só me abraçou passando a mão no meu cabelo.
Meu coração estava acelerado, minha cabeça cheia de pensamentos negativos, eu não sabia o que iria fazer criando uma criança sozinha.
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No alto do caos
Fiksi PenggemarIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
