Recado: gente, eu trabalho das 8h até 18h, chego em casa só 20h cansadíssima. Venho me esforçando muito pra ter capítulo todos os dias, ou quase todos, mas infelizmente vai ter dias que não rolar e também não consigo fazer maratona toda semana. Espero que compreendam e não me larguem, pois amo a interação de vocês com a história.
Boa leitura.
Isabella
Olhei meu ultrassom que estava no sofá, aquele borrão mal dava pra ver nada do meu bebê. Fomos pra escutar o coraçãozinho mesmo e marcar todos os exames. Eu não tinha convênio, fui só nessa primeira ultra em uma clínica particular, mas é muito caro, então resolvi fazer o pré natal no sus.
Eu não era a mãe mais feliz do mundo, porém já tinha me acostumado com a ideia de um serzinho estar crescendo dentro de mim. Quando parava pra pensar muito no que seria de mim depois que ele nascer, eu ficava morrendo de medo, então evitava pensar nisso.
Voltei a assistir minha novela mexicana, mas me assustei com barulho do portão batendo com força. Levantei e olhei pra janela pra ver o que era, revirei os olhos vendo que era só o Jhony entrando aqui.
A porta abriu e eu encarei ele que me olhava com a cara fechada e o rosto todo vermelho. Nítido o uso de droga.
Jhony: é tu mesmo que eu estava procurando sua filha da puta —veio na minha direção e ficou cara a cara comigo — tu tem muito o que explicar pra mim.
Isabella: tá gritando por causa de que? Vai gritar lá na sua casa e com sua mulher, comigo não. —retruquei no mesmo tom.
Jhony: cala a boca —deu um passo a frente e eu fui pra trás— sempre fui muito bom contigo, mesmo com sua ingratidão. Me deram o papo que você estava na Penha.
Fiquei quieta e no mesmo instante senti meu coração acelerar, igual da última vez que passei por isso. Logo agora que meu caminho ia entrar no trilho.
Jhony: gato comeu tua língua? Fala porra! Já to ligado em tudo, tem até foto tua lá. Só quero ouvir da sua boca, e espero que seja a verdade.
Isabella: eu não tenho que dizer nada a você, não te devo satisfação. —ele veio até mim e sua mão segurou firme minhas bochechas — me larga.
Jhony: tu quer dessa forma? valeu então. Vou te tratar como qualquer outra moradora. A partir do momento que você está na minha favela, me deve satisfação sim. Tu acha que é quem pra morar aqui, usufruir das paradas daqui e ir pra Penha pra sentar pro chefe do tráfico de lá? —engoli minha saliva vendo que ele já sabia de tudo literalmente— eu sei de tudo porra, tu é piranha! Só tem essa cara de sonsa, mas no final gosta de dar pra bandido, vergonha de você.
Isabella: eu não tenho ligação nenhuma com o tráfico, vou aonde quiser e sento pra quem eu quiser, se isso me faz ser piranha, eu sou piranha sim.
Senti o impacto da sua mão na minha cara, coloquei a mão por cima de onde ele bateu e olhei pra cara dele com ódio. Sentindo medo, mas muita raiva ao mesmo tempo.
Jhony: esse filho aí é dele não é? Você é uma vagabunda, Isabella. Imagina só o que o seu pai pensaria de você.
Isabella: você limpa a boca pra falar do meu pai —falei sentindo o gosto de sangue na boca— meu pai jamais sentiria vergonha de mim, porque meu pai era um homem bom, justo, honesto e acima de tudo um paizão. Diferente de você, que fica pagando de pai meu e esquece de ser pai pros seus filhos.
Ele veio pra cima de mim e segurou meu cabelo firme puxando pra trás. Senti sua mão ir de encontro com meu rosto de novo e um chute na perna.
Isaura: o que tá aconteceu aqui? —ouvi seu grito e logo consegui ter a vista dela entrando entre eu e ele— você tá ficando maluco? Quem você pensa que é pra tocar nela? pode tirar a mão dela. —empurrou ele com força que se afastou.
Jhony: sua netinha vagabunda tava dando pra bandido, mãe. Bandido de outra favela e ainda engravidou dele. Senhora sabia? —minha vó me puxou com força e eu fui para atrás dela.
Isaura: e isso te dá o direito de tocar a mão nela desde quando? Você por acaso criou ela? Sustenta ela? Não né, então você não deveria ter tocado um dedo nela. —apontou o dedo pra ele— ainda mais na minha casa.
Jhony: independente, você não tem que passar pano pra ela. Isabella está grande e vai responder pelo que fez. Não é ela que bate no peito pra dizer que não sou família dela? Pois então vai responder igual qualquer outro.
Isaura: na minha neta você não toca, a não ser que me bata também. Vai bater na sua mãe? Ah? Fala aí. —empurrou ele. Mesmo que ele dava duas dela, ele não encostou na mesma— ela está grávida, você não vai fazer nada com ela.
Jhony: você sabia também... —riu sarcástico— sempre soube. Eu não posso deixar isso passar, o que ela fez foi coisa de vagabunda, me tirou como nada perante minha favela. Em respeito a você, a única cobrança dela vai ser ir embora daqui, eu não quero nunca mais olhar a cara dessa piranha. Se eu ver ela, eu vou cobrar.
Isaura: você está expulsando ela?
Jhony: ela vai embora ainda hoje. Se eu ver ou souber que ela tá por aqui amanhã, eu vou te quebrar você todinha. —me olhou.
Isaura: ela não vai a canto... —interrompi ela.
Isabella: não vó, eu vou. Melhor pra mim não tem que ficar perto desse tipo de gente, eu me viro e arrumo meu cantinho.
Ele não falou mais nada e saiu de casa batendo o portão numa força absurda. Minha vó começou a chorar e eu abracei ela chorando também.
Isabella: eu dou um jeito. Eu vou, mas ainda te vejo normal.
Isaura: isso não é certo, você tá grávida.
Isabella: eu sei vó, eu vou conseguir um canto pra mim fica tranquila. —ela me abraçou e olhou pro meu rosto.
Eu subi pro meu quarto e ela me ajudou a montar a mala, levei o essencial em duas malas que eu tinha. Eu nem se quer sabia aonde iria, pois não tinha lugar nenhum que fosse bem vinda.
Olhei pro meu reflexo no espelho vendo minhas bochechas vermelhas devido ao tapa na cara e a marca da mão dele no meu rosto. Comecei a chorar pensando o que seria de mim, de longe essa era a vida que eu queria.
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No alto do caos
Fiksi PenggemarIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
