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Isabella

Olhei minha cesta em cima da cômoda, muito linda. Busquei lá hoje cedo, aproveitei e fui no shopping também. Fiz umas comprinhas pra mim, gastei praticamente tudo que recebi dos aluguéis esse mês. Bem inconsequente mesmo. Hoje eu fui chamada pra fazer um bico em um buffet infantil na pista, e como o salário que eles pagariam o dia estava melhorzinho do que das outras vezes, aceitei.

Isabella: tô saindo, vó. —beijei a testa dela.

Isaura: que os orixás te acompanham e te protejam. —me abraçou— cuidado na volta.

Ajeitei a bolsa nas costas e sai de casa, fui andando até a entrada da comunidade e de lá peguei um ônibus pra economizar. O buffet era em Copacabana, coisa fina. Quando cheguei já fui por o uniforme e ajudar nas coisas.

Final do expediente eu esperei eles me pagarem e fui embora. Entrei na comunidade e peguei meu celular que estava escondendo na cintura. A tela ligou o nome do Branco brilhou na tela.

Branco: já saiu?

Isabella: sim, cheguei em casa praticamente já

Branco: na sua? tô aq em frente, n tô te vendo

Isabella: foi fazer o que aí?
Isabella: tô indo pra casa da minha tia, lindo

Branco: vish, achei q viria pra cá, ia te fazer surpresa kkkk

Isabella: se vc tivesse falado eu teria ido pra aí

Branco: tava por aqui perto já. Vou guiar pra casa então
Branco: amanhã a gnt se encontra?

Isabella: simm

Suspirei nervosa, meu deus. Nunca que ia pensar que ele iria inventar de aparecer lá sem nem avisar. Consegui marcar pra ir ver ele amanhã, menos mal.

Prendi meu cabelo num coque frouxo e subi em direção minha casa. Quando passei na viela avistei aquele cabelo loiro, ela me olhou sorrindo e eu retribui e fiquei olhando por um tempo, já que ela estava apontando o celular pra mim. Não sei se era só o modo dela estar mexendo ou se tirava foto minha.

Ignorei aquilo e entrei na minha casa, fui direto tomar um banho, me trocar e fiquei mexendo no celular até dormir.

[...]

Vim pra casa do Branco de tarde e desde então estamos aqui no maior amor. Fechei meus olhos sentindo a ponta dos seus dedos alisando meu cabelo. Me ajeitei na cama e olhei pra ele que estava vidrado na tv.

Olhei seu braço analisando sua tatuagens e pela primeira vez reparando nos detalhes delas. Vi uma com o nome parecido com o dele "Micael".

Isabella: posso te perguntar uma coisa? —ele desviou o olhar da tv e me olhou.

Branco: o que minha linda? —ele olhou nos meus olhos e depois aonde estava minha mão, na tatuagem— quer saber quem é?

Isabella: se não for nada demais pra você.

Branco: não é. É o nome do meu pai, fiz quando tinha 15 anos. Mas me arrependo.

Isabella: porque? não sente falta dele?

Branco: Depende, mas não tínhamos muito uma relação de pai e filho.

Isabella: eu sinto muita dos meus pais. Eles morreram eu era novinha, aprendi viver sem. Mas a falta que fazem no dia a dia é enorme.

Branco: pelo jeito você era apegada a eles. Mas é foda, são coisas da vida que não tem como mudar. Meu pai morreu de morte matada, era consequência da vida que ele levava.

Isabella: meus pais morreram num acidente de carro, foi um choque pra família toda. Eles estavam indo em uma viagem, que eu insisti tanto pra ir —dei uma risada sem ânimo— e não fui porque minha vó não deixou, era pra eles curtirem a lua de mel que não tiveram.

Branco: se tivessem vivo iam estar orgulhosos de você, Bella. Fica em paz. —beijou o topo da minha cabeça.

Deitei no peito dele e respirei fundo sentindo seus braços rodearem minha cintura. Eu quase nunca falava sobre, era algo que me doía profundamente mesmo depois de anos. Mas eu perguntei sobre o pai dele, nada mais justo que me abrir.

Já estava quase pegando no sono quando o Branco atendeu um telefonema. Não consegui ouvir muitas coisas.

Branco: tá bom. Vou vê se consigo ir e te aviso... Tô acompanhado. Tchau, fé. —desligou o celular e colocou na cama— tá cansada?

Isabella: tava quase dormindo, mas não tô cansada.

Branco: que ir num churrasco comigo? Minha irmã tá chamando, minha vó decidiu piar na comunidade.

Isabella: se você quiser ir nos vamos. Só vou jogar uma água no corpo.

Ele assentiu e eu fui pro banheiro, ele veio atrás e começou me beijar, transamos e depois eu coloquei meu shorts e meu cropped soltinho.

Assim que paramos na porta da casa da madrastra dele eu segurei sua mão e nos fomos entrando. Subimos para a varanda e estavas algumas pessoas. Três mulheres e um homem.

Cumprimentei todo mundo e ele me puxou indo pra perto de uma senhora, deduzir ser a avó que ele falou, por parecer mais de idade.

Branco: oie vó —abraçou ela— tudo bem? Essa é a Isabella. E essa é minha vó, dona Isabel.

Isabel: oie, prazer. Tudo bem?

Isabella: prazer o meu, tô bem sim.

Branco: e porque a senhora decidiu vir logo hoje aqui? uma hora dessa?

Isabel: Me convidaram, e eu vim. Mas vou embora ainda hoje.

Branco: veio sozinha?

Isabel: não. Denis tá por aí bebendo já... e você moça, é daqui mesmo?

Isabella: não, moro na pista.

Isabel: foi você quem fisgou meu neto? Já ouvi falar de você assim que cheguei. —dei risada com vergonha— se preocupa não, foi a Angélica e não a outra lá.

Branco: deixa a garota vó, vocês tão sufocando ela.

Isabel: eu? eu nem falei nada. Mas com certeza a Jaqueline já sufocou, já falou até o que não deveria, não é Michael?

Branco: começa não, dona Isabel. Vai curtir vai.

Isabel: depois a gente conversa mais, Isa. —sorriu pra mim simpática e virou as costas.

Branco: tá suave?

Isabella: eu tô. O que ela quis dizer que sua madrastra falou até o que não deveria? sobre mim?

Branco: nada, relaxa. É que elas duas não se bica, Angélica que deve ter chamado.

Ele pegou um pratinho de comida pra mim e outro pra ele, sentamos numa mesa aonde a irmã dele também estava. Ela começou puxar assunto comigo e eu respondia normalmente me sentindo mais a vontade com a família dele.

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