Isabella
Terminei de arrumar minhas malas, mas ainda não parecia real. Eu estava indo para o México. A ideia de pisar em outro país e de viver essa experiência me deixava empolgada, mas também um pouco nervosa, sabia nem falar o português e ia tem que me virar no espanhol.
Pra minha surpresa, íamos até de jato particular.
Talita estava sentada na cama, balançando Guilherme no colo, com aquele sorriso divertido no rosto.
Talita: Ai, que inveja da minha amiga — ela brincou, apertando as bochechas do Gui. — Mas não vou negar que vou sentir falta do meu neném. Não é, gostoso da titia?
Isabella: Vão ser só sete dias. Estou te dando folga, isso sim.
Talita: Não vou me acostumar com a casa vazia.
Isabella: Aproveita pra sair um pouco, distrair a mente.
Talita: Vou ver... Mas você nada de sumir. Me dá notícias assim que chegar.
Assenti e me estiquei para pegar o celular que vibrou na cama. Olhei a notificação e vi que era uma mensagem do Branco avisando que estava a caminho.
Uma pontada de ansiedade tomou conta de mim. Não pela viagem, mas pelo percurso até o aeroporto. No fundo, sempre tinha aquela sensação de que algo podia dar errado. Mas respirei fundo. Dessa vez eu queria aproveitar.
Finalizei os últimos detalhes e, quando ouvi o barulho do carro chegando, fui até a janela. Assim que vi Branco saindo do veículo, notei que estava mais arrumado do que o normal.
Vestia uma calça jeans escura, tênis brancos impecáveis, uma camisa branca ajustada ao corpo e óculos de sol. Um gato.
Ele entrou em casa, cumprimentando Talita e foi logo pegando Guilherme no colo para dar um cheiro nele. Era uma babação toda hora.
Branco: Oi, Talita — disse, lançando um sorriso para ela. — Tá bem?
Talita: Tô, mas triste porque não vou.
Ele riu.
Branco: Da próxima vez, você vai. Pode crer.
Depois, veio até mim e me deu um selinho rápido.
Branco: Pode por as malas no carro?
Isabella: Sim, só vou ao banheiro rapidinho.
Fui até o banheiro, fiz xixi e, antes de sair, parei em frente ao espelho. Observei meu reflexo por um instante. Era engraçado pensar em tudo que vivi até aqui. As coisas finalmente estavam mudando.
Me despedi de Talita com um abraço apertado e um beijo no rosto.
Talita: Se cuida e aproveita
Isabella: Você também.
Fui até o carro, onde Branco estava colocando o cinto na cadeirinha do Gui. Entrei no banco do passageiro e esperei ele terminar.
Assim que começamos a rodar pela estrada, senti sua mão parar na minha coxa. Um gesto pequeno, mas que amolecia meu peito. No rádio, tocava uma música baixa, enquanto Guilherme dormia tranquilamente no banco de trás.
Quando chegamos ao aeroporto particular, reparei na pista menor, onde havia alguns jatinhos e aviões de porte pequeno. Um homem de terno e gravata nos recebeu.
— Boa noite, senhor. Michael, certo?
Branco: Isso — Branco confirmou.
— O jato já está pronto. Vamos levar a bagagem de vocês.
Peguei Guilherme no colo, enquanto Branco carregava o bebê conforto. Seguimos pelo caminho indicado, e eu estava completamente encantada. Já tinha viajado de avião antes, mas nada se comparava a estar em um jato particular.
A viagem foi longa, mas aproveitei para descansar. Quando estávamos prestes a pousar, olhei pela janela e vi aquele mar azul-claro.
Assim que desembarcamos, um carro já nos esperava. Nem precisei ver nossas malas, porque alguém já tinha se encarregado de colocar no porta malas.
No caminho para o hotel, meu coração estava acelerado de empolgação. Ao chegarmos, meu queixo quase caiu. O lugar era incrível, um verdadeiro paraíso.
Branco: Gostou? — Branco perguntou, observando minha reação.
Isabella: Isso aqui é lindo.
Ele sorriu de canto.
Branco: Escolhi esse hotel porque tem uns lugares legais pro Gui e pra gente... E ouvi dizer que eles têm um quarto só pra casal.
Revirei os olhos, fingindo estar chocada, mas já estava acostumada com suas putarias.
Subimos para o quarto, e, depois de um banho relaxante, descemos para conhecer o hotel. Andamos por cada canto, e eu já estava apaixonada pelo lugar.
Me deitei em uma espreguiçadeira na beira da piscina, observei Branco brincando com Guilherme na água. Eles estavam rindo, e aquilo me deixou muito feliz. Meus homens.
Por muito tempo, achei que esse momento nunca chegaria. Foram dias de luta, sofrimento e incertezas. Mas agora, tudo parecia estar se encaixando.
Branco saiu da piscina e se aproximou, os cabelos molhados e um sorriso no rosto.
Branco: pensei em a gente sair mais tarde, só nós dois. O hotel tem um restaurante privativo, bem bonito.
Isabella: e o Gui?
Branco: Já falei com uma babá daqui. Vão cuidar dele direitinho.
Eu hesitei por um instante, mas acabei concordando.
[...]
Me arrumei com calma. Escolhi um vestido preto simples, mas elegante, e prendi o cabelo de um jeito diferente. Quando saí do quarto, Branco já estava esperando no corredor, vestindo uma camisa social preta e calça escura também.
Branco: Tá linda — ele disse me analisando.
Fomos para o restaurante, onde uma mesa à luz de velas nos esperava. A música ao vivo deixava o clima ainda mais aconchegante, mesmo não entendendo a letra, dava para ver que era sensual.
Durante o jantar, conversamos sobre várias coisas, e pela primeira vez em muito tempo nos sentimos leves.
Quando terminamos, Branco segurou minha mão sobre a mesa me olhando daquele jeito único e que mexia comigo de todas as formas. E eu suspirei, por algum motivo eu estava nervosa além do normal.
Branco: eu nunca imaginei que estaríamos aqui um dia. Depois de tudo que passamos, de todas as cagadas que eu fiz, você ainda tá aqui comigo.
Dei um sorriso.
Branco: Eu sei que errei muito, e talvez eu não mereça essa chance. Mas eu te amo. Eu amo você e nosso filho, e só quero fazer as coisas darem certo.
Meu coração disparou. Olhei nos olhos dele e vi que estava sendo genuíno. Meus olhos se encheram de lágrimas e o dele também.
Isabella: Eu também quero fazer dar certo — sussurrei.
Ele sorriu e se inclinou para me beijar. Foi um beijo calmo. Como se, dessa vez, a gente finalmente estivesse dando paz ao nosso coração.
Branco: eu quero me casar contigo, ter mais filhos. Construir uma vida ao seu lado e eu tô disposto a largar tudo por vocês, se você disser que aceita. Eu vou te fazer a mulher mais feliz do mundo.
Ele tirou algo do bolso e colocou sobre a mesa uma caixinha aveludada preta. Na hora que ele abriu eu vi duas alianças de ouro e com pedras cravejadas e uma solitária.
Isabella: eu aceito meu amor, eu te amo.
Branco: eu te amo. — ele sorriu e colocou a aliança no meu dedo e eu fiz o mesmo com ele — prometo te dar a família que tu sempre idealizou, e a vida que sempre quis.
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No alto do caos
FanfictionIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
