43

16.4K 939 69
                                        

Isabella

Estar aqui me dava um certo alívio por eu ter onde dormir e estar em um lugar "seguro". Fiquei muito puta do Branco ainda questionar se o filho seria ou não dele, eu errei eu ter omitido sobre o Jhony, eu sei. Mas de qualquer forma não sou nenhuma piranha e ele sempre soube disso. Eu deixava claro que estava somente com ele a todo momento, mesmo sem ter a necessidade.

Me doeu também ver a forma com que ele falava e me olhava, mal olhava no meu olho, quando olhava direto nele, era com uma raiva anormal. Eu senti que ele ficou balançado com a história do bebê e tenho certeza que só estou viva por ele.

Tomei meu banho e me troquei colocando um vestido preto longo e uma rasteirinha no pé. Peguei meus documentos e desci pra sala pra esperar ele. Levantei do sofá quando ouvi alguém bater na porta, já até sabia que o Branco não era, a casa é dele então óbvio que iria entrar direto.

Kaká: Branco pediu pra você descer, tá aí embaixo.

Isabella: tá bom, brigada. —peguei as coisas, meu celular e fui. Avistei ele dentro do carro com um óculos de sol no rosto, sem camisa e estava mexendo no som. Fui até ele e abri a porta me sentando no banco da frente— bom dia.

Branco: nós vamos numa clínica da pista aqui perto.

Isabella: tá bom. —falei ignorando o fato dele nem me dar bom dia ao menos.

Fomos o caminho inteiro sem trocar uma palavra, chegava a ser estranho. O clima entre nós dois estava dos piores e estava ficando até incomodada em estar nesse carro.

Chegamos na frente de uma clínica que eu nem se quer tinha visto. Nem questionei nada e desci do carro entrando na recepção juntamente com ele.

Branco: bom dia. Eu marquei um ultrassom pra ela hoje. —falou escorando no balcão e a mulher olhou pra ele sorrindo.

-Bom dia, vou precisar do documento dela. —disse ainda olhando para ele, como se eu não estivesse aqui.

Ele me olhou e eu peguei entregando diretamente na mão dela que me agradeceu.

-Dr.Nelson, consultório 104. Pode esperar sentados que vai chamar pelo nome da paciente.

Peguei de volta minhas coisas e a gente se sentou um do lado do outro. Peguei meu celular vendo que minha vó ainda não tinha me respondido. Consegui falar com ela hoje mais cedo, expliquei tudo, falei que estava bem e disse que falaria aonde tô por ligação somente, não sei se o Jhony vai mexer no celular dela, melhor precaver.

O Dr me chamou e eu levantei indo pra sala, o Branco me seguiu atrás e quando se sentamos em frente ao médico, ele me olhou de canto. Ele me fez algumas perguntas, como a última menstruação, se tomo remédio, etc.

Dr Nelson: você está gestante? —confirmei— já sabe as semanas?

Isabella: fui ao médico e pelas contas que ele me passou, estou com 6 semanas e um dia hoje. Viemos só pra ver se estar tudo bem.

Dr Nelson: como você já fez o exame, eu iria falar para fazermos em uma outra consulta. Porque você está de vestido, mas caso não se incomode podemos fazer hoje.

Isabella: nem tinha me ligado nesse detalhe, mas não tem problema não. Podemos fazer hoje.

Dr Nelson: Ok então, pode se sentar na maca e levantar o vestido até a altura abaixo dos seios.

Fiz o que ele pediu e me deitei, o Branco me olhava atentamente, diretamente pro meu rosto e pra minha barriga. O médico passou o gel gelado em mim e em seguida veio com o aparelho passando na minha barriga levemente.

A sala que estava completamente em silêncio foi dominada pelo som do coraçãozinho do meu bebê, eu dei um sorriso automático ao ouvir e senti a paz que aquilo me transmitia. Olhei pro Branco que olhava pro aparelho sem dar um sorriso, mas o semblante não estava fechado como antes. Não sabia explicar, mas parecia que sua expressão era de alívio por eu não ter mentido.

Dr Nelson: de acordo com tamanho do feto e com sua última menstruação você está de 6 semanas mesmo. Quer que eu imprima o ultrassom?

Branco: pode imprimir, por favor. —falou e eu olhei pra ele— exame de DNA é indicado a partir de quantas semanas, Dr? —comprimir meus lábios ficando sem graça com a pergunta.

Dr Nelson: o exame de DNA ainda na gestação tem riscos. Pode a partir de 14 semanas, porém a indicação é que seja feita após a 16, mas se possível esperar a criança nascer para coletar o DNA. Com o feto ainda na barriga corre risco de parto prematuro e perca de líquido.

Ele assentiu com a cabeça e ficou olhando o médico limpar limpa barriga e eu abaixei o vestido e olhei pra cara do Branco que olhava para minha calcinha antes. Neguei com a cabeça e a gente saiu dali após ele pegar as imagens.

Entrei no carro e respirei fundo tomando coragem para falar.

Isabella: eu já sabia dos riscos do teste, mesmo assim estou disposta a fazer caso queira. Mas se acontecer algo com o nosso filho, eu ponho a culpa nas suas costas. Porque eu sei da minha palavra, ela pode não estar valendo para você agora, mas quando estávamos juntos valia muita coisa e estou te dando ela, o filho é seu.

Branco: tu acha que eu queria essa parada, Isabella? —me olhou— nunca foi sonho meu ser pai, se a criança for minha mesmo, vou ficar feliz por ela. Mas agora se não for, não assumo b.o dos outros. Não tenho motivo nenhum pra confiar na tua palavra não, tu me fez de otario uma vez, não vai ter a segunda. Se quiser a gente vê pra esperar até a criança nascer então pô, tu que sabe. Só que se estiver me enrolando e depois que nascer não for meu, você vai morrer da pior forma.

Isabella: ponho minha mão no fogo por mim. Tomara que nasça a sua cara pra você pagar com a língua. —falei cheia de raiva— eu não vou ficar na sua casa, vê depois alguma outra que eu pago o aluguel, só me avisa.

Branco: tá bom.

Jurava que ele ia insistir, ou sei lá o que, mas não. Foi direto e reto igual vem sendo desde ontem. Estava firme nas palavras comigo.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora