Isabella
Estava quase chorando junto com o Guilherme. A noite toda ele ficou resmungando, chorando sem parar, as cólicas não davam trégua. Eu já não aguentava mais, mal tinha pregado o olho.
Me sentia no limite, meu corpo exausto, minha cabeça pesada. Teria sido pior se a Isabel não tivesse vindo me ajudar hoje.
Isabel: Vai descansar, você tá com uma cara péssima. Eu fico com ele, se precisar te acordo.
Isabella: Eu te amo, dona Isabel. — Ela riu, balançando a cabeça, e eu me levantei sem nem pensar duas vezes.
A Talita tinha ido trabalhar e, com certeza, devia estar moída de cansaço também, porque o quarto dela é perto do nosso e ela deve ter escutado o Guilherme chorando a noite toda. Me sinto até mal por isso.
Assim que encostei na cama, apaguei. O cansaço era tanto que meu corpo desligou completamente. Nem vi nada, não ouvi nada, só me entreguei ao sono profundo.
Fui despertando devagar, primeiro sentindo meu corpo mais leve, depois ouvindo uma voz masculina vindo da sala. Demorei alguns segundos para processar e me levantar.
Peguei o celular e vi que já era 14h da tarde. Tinha dormido muito, mas ainda me sentia meio aérea. Levantei devagar, tomei um banho para tirar o suor e desci, encontrando o Lobo sentado no sofá com a Isabel. Ele segurava o Guilherme no colo, brincando com ele.
Isabella: Oie. — Minha voz saiu rouca, chamando a atenção dele. Ele tirou os olhos do Guilherme e me olhou.
Lobo: E aí, tranquilo?
Assenti, bocejando de leve.
Isabella: Ele deu muito trabalho? — Perguntei para a Isabel, já esperando uma resposta óbvia.
Isabel: Que nada. A Jaqueline veio aqui também. Ele chorou só quando queria mamar, depois dormiu de novo.
Isabella: Tô até renovada depois desse sono... Eu precisava.
Isabel: E se prepara que o pior nem chegou. Quando a fase dos dentinhos vier, é uó. Mas você dá conta.
Lobo: Posso bater um papo contigo? — Ele falou, me olhando sério.
Fiz que sim com a cabeça, meio desconfiada. Peguei o Guilherme do colo dele e coloquei no bebê conforto, ajeitando a mantinha sobre ele.
Isabella: Aqui mesmo?
Lobo: Você quem sabe... O Branco quer falar contigo.
Meu estômago afundou, minha respiração travou por um segundo. Engoli seco, tentando não demonstrar tanto, mas meu coração já começava a acelerar.
Isabella: Agora?
Lobo: Tava esperando você acordar pra ligar. Tá tranquila pra isso?
Assenti tentando parecer indiferente. Ele me entregou o telefone com um número já discado. Preferi me isolar um pouco, por privacidade e também para processar tudo melhor. Subi para o meu quarto e fui para a varanda. Sentei na cadeira, respirei fundo e apertei para chamar.
O tempo que demorou para atender pareceu uma eternidade. Meu peito subia e descia mais rápido, e eu conseguia ouvir de fundo algumas vozes masculinas.
— Alô? Quem é? — A voz forte do outro lado da linha me fez fechar os olhos. — Ligação pro Urso ou pro Branco?
Isabella: Branco.
Ouvi ele mandando esperar. Mais alguns segundos de ansiedade. Meu pé batia no chão sem parar, até que a voz que eu conhecia tão bem preencheu a linha.
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No alto do caos
FanfictionIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
