Branco
Aline: naquele dia no baile você mal me deu atenção, se fosse antigamente, aiai. —olhei pra ela que estava sentada na poltrona que tinha aqui na laje. Aqui estava cheio de homem, só ela de mulher.
Branco: quase que tu me mete em problema, maluca. Chega me beijando, sabe nem se tô casado.
Aline: e você está? —ela riu e eu neguei— então pronto. Ia entrar em problema com ficante? Tu não era assim. —fiquei quieto e ela voltou a falar— quem é a garota?
Branco: não é daqui não, você não conhece.
Aline: por isso então, suas peguetes de antes sempre sabiam de mim, nem ligavam pra nada.
Branco: se depender de mim mermo, ela não te conhece.
Aline: e por causa de que?
Branco: Tu chegou do nada achando que era a mesma coisa de anos atrás, e não é. Muita coisa mudou, minha mente também. Você era minha amigona, foi embora sem nem dizer nada, então não volta e age como se fosse continuar vivendo do meu lado. Tô falando agora, porque você sabe que sou sem leme.
Aline: nossa, não sabia que tinha ficado com raiva. Eu te liguei, tentei na verdade. Mas estava tudo muito difícil pra mim, você sabe. Achei que tinha encontrado o amor da minha vida.
Branco: não fiquei com raiva, torci pra dar certo. Minha raiva é você chegar achando que tá tudo igual, não força pô.
Aline: tá bom, desculpa. Eu não quero deixar de falar contigo, você sempre foi especial pra mim. Vou maneirar nas coisas... vou embora daqui uns dias já, queria aproveitar com você.
Nem falei mais nada com ela, depois de uns minutos ela foi embora e eu continuei marolando com os caras. O moleque ia vir cortar meu cabelo aqui, então estava esperando ele e o Lobo, que viria conversar comigo.
Kaká: moleque da barbearia tá subindo aí, autorizei a entrada. —assenti com a cabeça e agradeci— Lobo também está pelos acessos.
Branco: valeu Kaká, pode ir pra casa menor. Sua folga hoje e amanhã.
Kaká: que isso chefe, precisa não. Tô suave.
Branco: eu tô falando pra tu ir pra sua casa, aproveita. Vou ficar pela comunidade esses dias, se precisar te chamo. —ele fez um toque comigo e depois desceu.
Não demorou muito e o barbeiro chegou, sentei na cadeira de plástico e ele começou meu corte. Lobo chegou logo em seguida e já veio puxando uma cadeira pra perto de mim.
Lobo: Nicolle entrou em contato contigo?
Branco: falei com ela final de semana.
Lobo: me ligou hoje, falou que hoje ia na casa da família do cara e conhecer a mãe dele. —eu ri negando com a cabeça. Nem parece que é macaco velho, se emocionou por um rabo de saia novinho— tá sendo muito fácil, Branco. Tô estranhando.
Branco: fácil porque ela não tá tendo que fazer nada demais. Única coisa que a gente precisa dela é fácil, esse papo de família tá sendo por conta dela, não foi o que pedimos.
Lobo: ela disse que ia tentar descobrir uma entrada mais afastada e as armas essa semana, porque quer vir embora. A casa bomba ela sabe onde é, mas não entrou.
Branco: deve tá desesperada pô, mais de um mês lá. Ela te dando notícias você me avisa.
Lobo: pode deixar. Os caras da cúpula deram o aval, deixa ela voltar, a poeira abaixar e a gente invade.
Branco: recebeu mais alguma parada?
Lobo: pixaram o muro lá perto de novo, mandei apagar e deixei baixo. Deixa ele pensar que não tô ligando.
Essa vida é foda porque num dia a gente pode estar em paz e no outro em guerra total. Primeiro mês que eu assumi a comunidade teve operação aqui, bope subiu e ficou uns três dias a favela no maior clima estranho. Teve morte, perca de arma, me fodi legal. Só que depois a gente aprende, fica mais esperto, pega maldade nas coisas e começa querer estar sempre um passo a frente.
Depois que cortei o cabelo eu fui pra casa e fiquei deitado no sofá. Quando tava sozinho assim batia maior saudade da Isabella. Depois que voltamos nem nos vimos, tava afim de ver ela hoje, mas tava com dor, então deixei quieto. Mandei um agrado pra ela na casa dela, sei que mulher se amarra nesses negócios de surpresa.
Assenti um baseado e fiquei pensando nos fatos da vida, fiquei chapado sozinho e fui dormir.
VOCÊ ESTÁ LENDO
No alto do caos
FanfictionIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
