Branco
-uma tal de Isabella tá aqui chefe, disse que quer falar contigo e que você sabe quem ela é.
Branco: como ela é menor?
-morena do cabelo longo e baixinha. —na hora me bateu ela na cabeça, não podia não ser. Meu sangue subiu.
Branco: leva pra sala de tortura, pode amarrar e botar pano na cara. Essa maldita vai morrer.
Cheguei na salinha, abri a porta e olhei ela sentada com o rosto tampado, mas eu reconhecia aquele corpo dela de longe, com certeza era ela. Me aproximei e tirei a blusa que cobria seu rosto, engoli seco a saliva e passo a língua nos lábios vendo uma onda de emoção me dominar, não sabia nem que porra era.
Olhei seu rosto por alguns segundos antes de falar com ela, estava vermelho como de quem tivesse apanhado e seu olho inchado, claramente estava chorando.
[...]
"Eu estou grávida Michael", essas palavras me pegou de surpresa. Não sabia o que falar pra ela. Por um extinto involuntário eu me virei e olhei pro seu corpo, ela estava com uma camisa justa, não marcava nada. Eu não sou bobo, ela pode muito bem estar inventando uma coisa dela ou até a criança nem ser minha.
Isabella: eu vim aqui por isso. Eu descobri faz pouco tempo, não ia nem te contar, mas não tive escolha depois que eu fui expulsa da Vila João, fiquei sem alternativa.
Branco: porque eu confiaria em você? tu é a maior mentirosa, mentiu antes olhando na minha cara, pode tá mentindo agora.
Isabella: eu sei, você não tem motivo nenhum pra confiar. Eu errei contigo, e errei feio. Mas eu não tô mentindo, eu tô grávida e você é o pai.
Branco: depois que a criança tá na barriga é mole escolher o pai né? Saia ficou justa pra você, é cômodo o pai ser eu.
Isabella: olha o que você tá falando, para de ser nojento. Eu posso ter mentido em uma única coisa, mas de resto foi tudo verdade. Tudo que vivi, senti e te contei. Eu estava transando só com você, com mais ninguém há meses. Você sabe, eu te disse. E você sempre soube que eu não tomava remédio nenhum e a gente quase nunca usava camisinha.
Branco: mas pode ser de qualquer um. Prova que tu tá grávida e não tá mentindo.
Isabella: solta meu braço, por favor... meus exames está na minha mala, seu vapor disse que iriam pegar.
Branco: vou pedir pra buscarem —estava nervoso pra caralho, se antes eu já tava só de ver ela, imagine agora. Chamei o menor no radinho e pedi pra trazerem as coisas dela. Assim que chegou ele botou no chão e foi abrindo — deixa que ela vai pegar, solta ela e mete o pé.
Assim que ele saiu, ela se mexeu na cadeira incomodada e se soltou da corda que ele afrouxou. Caminhou até a mala e começou a mexer. Fiquei só observando quieto, não sabia nem o que fazer.
Isabella: está aqui, tô de 6 semanas. A criança é sua e eu tenho certeza, mas se quiser pode fazer um teste DNA mais pra frente.
Peguei o papel da mão dela e li o nome dela na parte de cima da folha e um positivo um pouco abaixo. Na outra folha tinha uma imagem de ultrassom. Olhei o nome da clínica e reconheci na hora, era a mesma que a Angélica foi naquele dia e eu acompanhei. Então foi isso que ela foi fazer lá.
Branco: vamo fazer um DNA.
Isabella: por mim, tranquilo. Minha única exigência é esperar pelo menos até a décima sétima semana. O ideal é entre 14 e 20, pra ser mais seguro e eficaz.... Branco, eu te juro...
Branco: eu não quero ouvir nada da tua boca pô, se a criança for minha, eu assumo. Faço a minha parte somente com ela, mas pra mim tu já era. E se por acaso não for minha ou você estiver mentindo, vai morrer.
Isabella: eu não teria pra que mentir sobre isso, eu tenho 19 anos, Branco, você acha que agora seria o momento ideal pra um bebê? Não né, mas foi fruto de inconsequência minha e sua.
Branco: me dá teu celular. —ela negou balançando a cabeça— pra tu ficar aqui tem que ser sem ele, como vou ter certeza que não tá me dando o bote?
Isabella: eu não preciso disso, não mesmo. Eu te falei o que vim falar, caso queira eu não preciso nem ficar na sua área, fico em outro lugar. Meu celular não dou, preciso falar com a única pessoa que me importa, infelizmente minha vó não veio comigo.
Pensei pra caralho, logo eu que sabia sempre como agir, não fazia a mínima ideia do que fazer. Garota tirou meu chão de verdade. Tô ligado que ela é apegada nessa avó.
Branco: troca teu chip, vou pedir pro menor te da. Único contato que é pra você ter, é o da sua vó. —ela assentiu fraco com a cabeça— você vai ficar em casa até resolvermos essa parada, bora Isabella.
Sai daquela salinha e fui na frente largando ela pra trás. Parei na frente do menor que estava com uma bolsinha.
Branco: da um chip novo pra garota aí. —esperei ele entregar e fui andando até o minha moto— leva as paradas dela lá pra casa e ela também. Tô indo na frente.
-beleza chefe.
Cheguei em casa antes e já fui logo entrando no quarto e pegando minhas armas de lá, guardei tudo no cofre. Fui tomar um banho e peguei uma muda de roupa pra levar pra casa da minha mãe.
Ouvi a porta de lá abrindo e as vozes dele e dela. Desci e fiquei observando no canto. Ele saiu e ela sentou no sofá, respirou fundo e murmurou algo que não ouvi.
Branco: eu vou deixar dois segurança aqui, se tentar gracinha você já sabe. Amanhã 7h fica de pé e me espera que vamos no posto. —abri a porta pra sair e ela me chamou.
Isabella: espera, por favor. Sabe me falar sobre a Talita?
Branco: castigo. —disse essas únicas palavras e sai.
Assim que cheguei na Jaqueline ela me olhou com a roupa na mão e balançou a cabeça.
Jaqueline: o que é isso?
Branco: posso ficar aqui só essa noite?
Jaqueline: sempre pode filho. O que aconteceu?
Branco: nada pra se preocupar.
Não ia comentar com ninguém essa parada, se ela tivesse grávida eu ia saber amanhã. Sou homem, não deixo de assumir minhas responsabilidades. Mas também não vou ser passado pra trás de novo.
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No alto do caos
Fiksi PenggemarIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
