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Branco

Esperei uma semana pra ir na reunião que o Lobo marcou com a cúpula. Apensar de não ser totalmente a favor da ideia dele, depois do episódio que o soldado dele apareceu morto e com as inicias do Jhony, mais que certo ele correr atrás pra proteger a comunidade dele. Se fosse a minha eu já ia ter ido pra cima há muito tempo.

Lobo: pessoal vai cismar comigo, entrei agora no poder e pedi reunião já. —ele tava bem impaciente.

Branco: seja transparente só, vim contigo pra te apoiar. Tem uns que são filho da puta, mas tenho fé que pelo menos três deles vão abraçar sua ideia. Você não está errado

Era um representante de cada comunidade, porém alguns não estão aqui por estar privado. A gente ia resolver com quem viesse mesmo, que pelo papo que deram eram 7 caras.

Chegamos naquela casinha cabreira no meio do nada, lugar era feio, detonado. Mas escondido o suficiente. As luzes estavam ligadas e eles sentados ao redor de uma mesinha velha com algumas latinhas de cerveja em cima.

Entrando cumprimentando com um toque em sinal de respeito, eu conhecia a maioria deles, mas intimidade não tinha com ninguém. Nos ajeitamos ali em outras duas cadeiras de plásticos que estavam vagas. Lobo olhou pra mim e eu assenti fraco mostrando meu apoio em um sinal discreto.

Serginho: você é o Lobo, não é? —olhou pra ele que respondeu um "eu mermo"— pode prosseguir com as ideias.

Lobo: papo é um só, assumi a Nova Holanda recentemente e já venho recebendo ameaça do Jhony da Vila João. To ligado no currículo dele, sei que o mano vive invadindo favela alheia, afim de tomar pra ele. De uns meses eu venho ouvindo burburinho e fiquei na minha, tá ligado? Até porque era fofoca só. Mas morador fica aflito, vieram reclamar comigo diversas vezes. Até que ele fez a merda do jogar um soldado meu na minha comunidade, mataram o menor a troco de nada e marcaram a pele dele com o julgo do chefe de lá. Pixaram meu muro e os caralho pô. Isso não é certo.

Robacena: "A troco de nada" —imitou— todo mundo entra na vida errada ciente de que qualquer hora, qualquer dia pode morrer. Foi atrás pra vê se esse seu soldado não entrou em área rival? Tu viu se ele não fechou com os caras de lá?

Lobo: menor era meu de fé, ponho a mão no fogo que não.

Robacena: desde quando palavra tua vai valer irmão?
Nós trabalha em cima de prova.

Branco: Tô ligado nisso e por isso que mandei um dos meus ir atrás dessas informações, não íamos marcar uma reunião sem prova de nada —tomei frente. Apoie meus cotovelos no joelho e olhei pra cara de cada um deles — ele investigou, mas pelo que viram, o menor não foi atrás de ninguém em área rival. Ele estava curtindo na pista com a mulher e cataram ele de lá, levaram embora.  —joguei alguns papéis na mesa pra eles verem, provas do que eu falei.

Robacena: a mina dele foi falar com vocês?

Lobo: não... garota não era da favela, e sumiu depois também. Apareceu morta.

Serginho: não adianta fechar os caras, Robacena. Eles são dos nossos, e não do lado de lá. —passou as fotos pro colo dele que observou calado.

Branco: marcamos isso aqui justamente pra falar sobre o aval de ir pra cima e responder a mesma altura das ameaças.

Serginho: fizeram algo pro lado da Penha?

Branco: não... mas conheço o Jhony de uns tempos, tenho um histórico com ele. Foi ele quem pediu a morte de um amigo do meu pai, cara era como se fosse meu padrinho. Considerava pra caralho! E se for autorizado, minha tropa vai entrar junto com a do Lobo.

Serginho: eterno Léo. —assenti fraco.

Lk: o papo é que nenhum de nós aqui gostaria de receber ameaça, ainda mais que um dos nossos morresse. Desenrola logo o papo que vocês querem.

Lobo: quero o aval pra invadir aquela porra e tomar o comando, intenção é matar o Jhony mermo. Cota daquele cara já passou faz tempo, tá fazendo hora extra na terra.

Branco: colocar um X9 lá pra ir pegando a visão de onde fica as coisas e verificar o armamento. Pra irmos 10 vezes pior e ser sem erro.

Lk: A ideia é maneira... quem seria o cagueta? Pular pra lá é difícil. Operação de vida ou morte.

Branco: isso é mole pô, tem vários moleque novo que ninguém conhece, sem nada de crime nas costas e que a cara é desconhecida. Oferecer um bom dinheiro, eles aceitam.

Serginho: boto fé que a ideia é boa. Mas Jhony é macaco velho, não vai abraçar ninguém assim do nada.

Lobo: to ligado.

Branco: a não ser que seja mulher. —falei e eles me olharam— ele é casado. Mas todo mundo conhece o histórico dele com isso. Matou o irmão por causa de um rabo de saía.

Lobo: história antiga essa. —riu— uma medusa lá é na certa então.

Xande: Conheço uma mina sagaz nisso... de confiança. Ela já fez um serviço pra mim desse tipo, ninguém conhece. Posso conversar com ela, preço da mina é salgado, mas serviço bem feito.

Lobo: pode crê, fala com ela e se a garota aceitar eu tô dentro, seja qual for o preço. Troco uma ideia maneira com ela e nos desenrola.

Terminamos de fechar algumas coisas, fizemos um 10 e depois saímos de lá de dentro. Fomos andando em direção ao terreno abandonado, aonde estacionamos o carro.

Branco: vai guiar pra tua casa?

Lobo: vou, preciso reunir os caras pra dar uma satisfação sobre a morte do menor, era conhecido de geral. E ajudar a família ainda, maior pica. —esticou a mão e eu segurei fazendo um toque com ele.

Branco: Jaé então, vou guiar pra minha que preciso descansar. Essa porra tava comendo meu sono essa semana. Vai na fé.

Lobo: tu também, broto lá amanhã.

Concordei com ele e entrei dentro do meu carro. Acionei minha contenção que tinha ficado aqui fora e fomos sentido a Penha. Pista estava tranquila, então foi sem problema.

Tava mais relaxado por ter resolvido isso por enquanto. Sei que ainda vai rolar maior guerra, mas é papo pra daqui uns meses, enquanto isso não tem pra que eu criar caso. Só deixar rolar os dias, enquanto isso proteger minha comunidade e ficar atento com tudo.

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