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Maratona 2/3

Branco

Olhei pra cara da minha vó que me estava me secando um tempão, ela já sabia da gravidez, mas quem deu o papo pra ela eu não sei. Por mim, eu não falaria nada por agora, porém sei que ela vai me por contra parede.

Isabel: vai me enrolar mesmo? Limpei tuas bundas, Michael. Não ia me contar? Precisei saber de outra pessoa.

Branco: você é foda... fica jogando verde pra colher as coisas. Não tem nada pra contar não. Eu tô ligado que foram te falar sobre a Isabella, mas eu nem sei se a criança é minha, por isso não te falei nada.

Isabel: você não estava com a menina pra cima e pra baixo? como que não sabe se é seu? Pelo que falei com ela, parecia ser menina direita e de família.

Branco: tu gostou mermo dela né —ri fraco— o papo é mais embaixo velha, descobri um vacilo da mesma e não foi maneiro. Ficamos um tempo separado e depois ela apareceu grávida.

Isabel: se ela deu pra outro nesse meio tempo, é só fazer as contas. —disse como se fosse óbvio— ou pergunta pra ela e pronto.

Branco: ela já mentiu uma vez, pode mentir de novo.

Isabel: ela não tem cara de quem inventaria que a criança é sua. —sentou no sofá e cruzou as pernas. Ela abriu a bolsa e tirou um cigarro e um isqueiro. Colocou entre os lábios e acendeu — eu quero conversar com ela.

Branco: vai na casa dela, peço pra te levarem lá. É aqui do lado.

Isabel: achei que estivesse morando com você. —soltou a fumaça.

Branco: estava, mas já se mudou.

Isabel: então você trate de estar sempre perto viu? Porque quando a mulher esta grávida, ela precisa de apoio. —assenti fraco só para não rebater— manda alguém trazer ela, ou melhor, vai lá buscar ela e traz umas comidas que vou fazer uma janta para nós três.

Branco: tô ligado que você tá feliz com essa história de talvez ser bisa, mas eu e ela não estamos nessa amizade toda que você pensa não, nada haver eu buscar ela.

Isabel: eu vou ser bisa. Eu sei e sinto isso. A criança é sua e vai nascer tua cara pra você calar a boca. Agora faz o que pedi, por favor?

Levantei me dando por convencido. Debater com a Jaqueline era suave, não porque ela não era minha mãe, mas sim por ela ser menos cabeça dura e mais tranquila. Agora minha vó era folgada, quando cismava com algo, todo mundo tinha que acatar e por ela ser de idade eu nem fico batendo boca ou contrariando, ela sabe que tudo tem limite e nunca ultrapassou.

Como estava de carro, passei no mercado antes e comprei o que ela tinha pedido. Parei em frente a porta da casa da Isabella e ela estava lá conversando com o Cadu em pé apoiado no portão.

Buzinei chamando a atenção dos dois, ele se ajeitou e arrumou o fuzil. Abaixei o vidro e chamei ela com a mãos.

Isabella: o que foi? —se apoiou no vidro do carro e eu olhei seu rosto um pouco vermelho, como se tivesse chorado. Fiquei querendo perguntar se ela estava bem, mas acabei escolhendo deixar isso quieto.

Branco: vamo jantar lá em casa? Minha vó chegou hoje e quer te ver.

Isabella: ela sabe? —confirmei com a cabeça— e que nós não estamos mais junto?

Branco: sabe, tive que contar. A gravidez ela soube por outra pessoa, mas de qualquer forma, está feliz. —vi seu sorriso de canto— Bora?

Isabella: eu tô toda xoxa, Branco.

Branco: não precisa se arrumar, só vai tá nós três. Você come e depois eu te trago.

Isabella: vou só trocar de chinelo, pera aí.

Ela deu as costas e passou pelo portão, vi o Cadu olhando de canto pra ela e passei a língua nos lábios. Peguei meu rádio e chamei o Brito.

Branco: tá na linha?

Brito: tô patrão, pode falar.

Branco: chama o Kaka e o Cadu, troca eles de posto fazendo favor.

Brito: certeza? Kaká é linha de frente pra proteger você.

Branco: pode trocar, depois falo com ele.

Brito: vou chamar eles aqui!

Cheguei em casa acompanhado, assim que subimos eu senti o cheiro de alho frito vindo da cozinha. A Isabella foi em direção a ela e eu me sentei no sofá. Ouvia só as duas conversando, mas não dava para entender direito. Sentei na mesa depois que elas colocaram as coisas, logo as duas vieram e sentaram.

Isabel: já falei pra Isabella que ela é super bem vinda na nossa família, independente de vocês estarem juntos ou não.

Isabella: eu só aceitei esse convite por você mesmo, sempre me tratou bem. Trouxe até um ultrassom pra você ver, imaginei que gostaria.

Isabel: eu quero sim! —encarei ela.

Isabella mexeu na bolsa e tirou os papéis, entregou a minha vó que ficou babando por uns minutos. Fingi que nem ouvia o papo das duas e continuei comendo.

Isabel: se esse safado fazer algo contigo você pode me mandar mensagem, viu? Qualquer coisa que ele te abale, me chama que eu venho e dou uma coça nele. —ela riu— na minha gravidez foi tão doloroso, fiquei sozinha, me virava sozinha em tudo. Então o que puder te ajudar, eu vou e o Michael também.

Isabella: parece que nesse momento qualquer coisa abala. —falou fraca— tento deixar tudo de lado pra não afetar o bebê, mas é complicado. Quem me fortalecia era minha vó e ela tá longe nesse momento.

Isabel: onde ela tá?

Isabella: ela mora aonde eu morava, a gente conversa por celular, mas não é a mesma coisa.

Isabel: enquanto ela tiver longe, você tem eu. Não nos conhecemos muito, mas você é minha família agora.

Peguei meu celular vendo uma mensagem da Natiele me chamando pra uma resenha na casa dela, deixei o celular de canto para responder depois e terminei de jantar.

Isabella ajudou a minha vó a limpar a cozinha e depois veio pra sala pedindo pra mim deixar ela casa. Estacionei em frente a sua casa e ela tentou abrir a porta, mas ainda estava trancado.

Isabella: abre por favor.

Branco: quero conversar contigo.

Isabella: pode ser lá dentro? Quero usar o banheiro. —cocei minha cabeça ajeitando o boné.

Branco: pode ser...

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora