60

16.9K 1K 153
                                        

MARATONA
4/4
Branco

Branco: Ela passou por mim, me deu oi e saiu andando. Como se não importasse. — contei o que havia acontecido e o Brito riu achando graça da situação.

Brito: te cutucou maneiro. E só vai piorar irmão, se liga. — me cutucou com o braço.

Olhei a cena, passei a língua nos lábios e neguei com a cabeça. Eles estavam dançando juntos há um tempão, e eu só observava, sentindo ela dar toda atenção. Fiquei bolado quando ele começou a alisar o cabelo dela. Meu corpo queimava de raiva. Não conseguia entender por que ela tava dando esse tipo de moral.

Brito: Vocês não têm nada. —falou, e eu olhei pra ele. — Você não quer ter nada com ela, e tá ficando com outras, ela pode também.

Branco: Num fode! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. —ele riu.

Meu olhar percorreu o ambiente. Sentia falta de um de nós, um cara que fosse parte do meu time, todos os seguranças estavam ali, menos ele.

Branco: Cadê o Lobo?

Emerson: Ele saiu com uma novinha. —um dos seguranças respondeu, com um olhar rápido, como se não fosse assunto.

Branco: Aquele menor ali era soldado do Jhony, trocou de time? —apontei com a cabeça, e Emerson olhou na mesma direção.

Emerson: Porra nenhuma, Lobo deixou ele pegar as paradas na casa dele e ir embora. Não era nem pra tá aqui. Vou acionar o chefe.

Branco: Precisa não, eu resolvo. —coloquei a mão no peito dele. Ouvi a risada do Brito.

Brito: Me divirto com essa versão do Branco.

Ignorei o comentário dele e fui direto em direção à Isabella. Eles ainda estavam conversando, e eu podia ver o quanto estavam próximos.

Cruzei os braços, observando, e então vi ele se despedindo dela com um beijo na bochecha e depois na boca. Não era o que eu queria ver, passei a língua nos lábios sentindo o gosto amargo.

Não deu tempo de eu falar nada com ele, ele deu as costas saindo rápido e a Isabella me olhava com aquele olhar de quem já sabia o que eu ia dizer.

Branco: Tá fazendo o que aqui? Veio com quem?

Isabella: Boa noite, Michael. Vim com a Talita.

Branco: Tu me pediu pra deixar você descer sozinha, sem segurança, não foi? Fui bonzinho contigo e deixei, porque você ia só na faculdade e jantar fora. Não era pra vir pra cá.

Isabella: Por quê? Que eu saiba, aqui não é área rival mais. Comando do Lobo agora, não é? Inclusive, vim falar com ele.

Branco: O que você quer com ele? —franzi a testa, a raiva subindo.

Isabella: Eu vou te dizer uma coisa que você vai ter que gravar na sua cabeça. Não existe mais Jhony, então não tô correndo risco nenhum. E você sabe que não sou X9 nenhuma, nosso único vínculo ainda está dentro da barriga, por enquanto. Eu não vou ficar dando satisfação da minha vida e vivendo do jeito que você quer enquanto você vive a sua vida com toda liberdade do mundo.

Ela cruzou os braços, me olhando com um olhar firme, que me fez ficar quieto por um momento. Não sabia o que responder.

Branco: Isso é ciúmes? —ri fraco. — Não tô impedindo você de viver sua vida, mas, se o filho for meu, você tá ligada que o risco de vida que ele e você sempre vão estar correndo... Vou marcar em cima mesmo pela sua segurança. Agora, se sua liberdade que você quis dizer é em relação a macho, por mim você dá pra quem quiser.

Ela pareceu surpresa com o que falei, e então riu, debochada.

Isabella: Só não enche a porra do meu saco quando me ver com outro. —falou e passou por mim sem olhar, a confiança dela me deixando sem palavras.

Respirei fundo, sentindo raiva se espalhar pelo meu corpo.

Não era justo me sentir assim, não devia me importar com ela indo com outro. Mas uma coisa era certa: ninguém na comunidade ia se meter com ela, não depois daquela confusão toda. Todos sabiam que ela estava grávida de um filho meu.

Voltei pra minha mesa, onde a galera estava reunida. A Isabella tava no canto com a Talita, as duas conversando, e eu já sabia sobre o que.

Estava arrependido de falar o que falei, eu me importava sim com quem ela estava.

[...]

A noite estava rolando tranquila, o pagode animado, e todo mundo parecia se divertir. Vi a dondoca se despedindo da amiga e indo falar com Kaká, que tava um pouco afastado de mim.

Fiquei observando. Ele me olhou e balançou a cabeça, pedindo permissão pra alguma coisa. Chamei ele até mim.

Kaká: Ela tá pedindo pra mim levar ela embora.

Branco: Fica suave, eu levo.

Kaká: Certeza?

Confirmei com a cabeça, me sentindo no controle da situação.

Dei meu último gole no whisky e deixei o copo sobre a mesa, indo até ela, que me encarava com aquele olhar desafiador.

Branco: Vou te levar.

Isabella: Não tô afim de ir de moto contigo não. Sua companhia foi embora? —olhou pros lados, claramente tentando me provocar.

Branco: Te deixo na tua casa e meto o pé.

Isabella: Eu vou de Uber ou com o Kaká. Contigo, eu não vou.

Eu sabia que essa discussão não ia levar a lugar nenhum. Ela tava irritada, e eu também. Chamei o Kaká, que veio até a gente, e pedi pra ele levar a garota.

Isabella: Se preocupa não, que ele não será o macho pra quem vou dar. —falou, e ele me olhou sem entender. Ela saiu dando as costas, e eu bufei, mais uma vez bolado.

Estava sem ânimo de continuar ali. Me despedi dos caras e saí de moto pra Penha. Cheguei rapidinho, fui pra casa, tomei um banho e me deitei na cama. Como estava sem sono, coloquei uma série pra assistir e tentei distrair minha mente, mas tudo o que eu conseguia pensar era nela.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora