Isabella
Meu coração transbordou de alegria de ver o Branco segurando o Guilherme no colo. Era isso que eu sempre quis, ele presente na vida do nosso filho.
Fiquei encarando com admiração aquela cena, depois o Guilherme começou a resmungar e o Branco me olhou com cara de preocupado.
Isabella: hora dele mamar só, ele sempre acorda fazendo cena. — estiquei meus braços pra pegar ele e me sentei na cadeira ao lado do berço pra dar mama. Olhei pro Branco que me encarava ainda — que foi?
Branco: você mudou.
Isabella: a maternidade — ri fraco— mas você também tá diferente, não só de aparência.
Branco: ficar esse tempo longe foi foda, tô na minha comunidade e ao mesmo tempo não reconheço aqui.
Isabella: nada mudou, você quem desacostumou.
Branco: pode ser também — respirou fundo e se encostou na parede — posso ficar por aqui hoje, fiquei longe dele esse tempo todo, me sinto na obrigação de ficar grudado nele.
Isabella: pode — falei sem pensar. Não era justo também eu afastar ele desse momento. Eu tive o meu e ele foi impedido disso. — mas se prepara que ele está numa fase que acorda a noite toda.
Branco: o pai cuida né não filho? — sorri achando graça no jeito que ele falou.
Isabella: espero que sua animação dure a madrugada toda.
Branco: eu vou resolver umas coisas agora a tarde — veio até mim — eu volto depois pra dormir aqui e a gente troca uma ideia, tá?
Isabella: tá bom. Vou deixar a porta aberta, só entrar. — ele confirmou com a cabeça.
Fui surpreendida com um beijo na testa antes dele sair.
Terminei de amamentar e fui dar banho nesse gordinho, precisava ir no mercado comprar coisas pra introdução alimentar dele.
Isabella: vai comigo? — perguntei pra Talita quando eu já estava pronta.
Talita: tô com preguiça. Quer deixar ele?
Isabella: precisa não, vou dar um passeio, menino nem viu a luz do sol ainda. Também não vou comprar muita coisa.
Talita: qualquer coisa se chama seus seguranças — dei risada e eu mostrei o dedo.
Sai de casa empurrando o carrinho dele até o mercado mais próximo, fui pegando algumas frutas e legume. Senti alguém esbarrando em mim e me virei.
Isabella: ui, descul — parei de falar quando vi que era a Nicolle.
Nicolle: foi mal, não te vi.
Isabella: tranquilo. — falei e me virei pra dar continuidade às compras, quando ela falou comigo de novo.
Nicolle: posso te perguntar uma coisa, por curiosidade.
Isabella: pode.
Nicolle: foi você quem pediu pro Branco cancelar minhas visitas não foi?
Isabella: pedi é muito forte né — ri sarcástica — não tive que pedi, apenas me impus e ele fez a escolha dele.
Nicolle: eu entendi você, está criando rivalidade a toa comigo, eu fui lá a trabalho, tava ganhando pra isso. Não quero seu macho.
Isabella: não criei rivalidade nenhuma, pelo contrário, apenas falei pra ele que enquanto você fosse eu não ia dever fidelidade a ele... e ele fez a escolha dele sozinho, não precisei nem pedir nada... Outra, vamos ser sinceras uma com a outra — virei ficando de frente com ela — você não quer ele porque ele não te quer também.
Nicolle: você age como se fosse namorada dele, de verdade, vergonhoso. — riu.
Isabella: e você tá se incomodando porque? Se não quisesse "meu macho" — falei debochando — não ia tá aqui me questionando né? Ia seguir sua vida, até porque serviço de 157 não deve faltar pra você.
Nicolle: você acha que se virar fiel ele vai ficar só contigo? ele é bandido mana, acorda.
Isabella: qual a sua dor de cotovelo? Me fala. — ela ficou quieta — some do meu caminho fazendo favor.
Dei as costas bolada e sai empurrando o carrinho, fiquei até sem vontade de finalizar as compras e fui direto pra fila pagar e ir embora.
Já cheguei em casa bufando, contei tudo pra Talita, estava puta de verdade. A garota vem tirar falar merda pra mim a troco de nada, tem gente que é maluca.
[...]
Dei a janta do Guilherme e deixei ele no chão brincando um pouco enquanto eu ajeitava as coisas. A porta se abriu e eu vi o Branco entrar com outra roupa e uma sacola nas mãos.
Branco: qual foi que tá com essa cara?
Isabella: depois a gente conversa, sério. — falei seca, ele tinha parcela de culpa sim. Ninguém mandou da moral pra Nicolle.
Branco: fala pô, achei que quando saísse iria receber amor e carinho só. — eu olhei pra ele rindo realmente achando graça da forma que falou.
Isabella: se eu te contasse o que tô com vontade de te dar você iria se decepcionar.
Branco: nem fiz nada pô, qual foi? — cruzou os braços na minha frente.
Isabella: vai olhar seu filho ali que tá virando sozinho — falei vendo o Gui tentando virar de bruços, muito esperto.
Pra minha sorte ele não puxou assunto sobre isso mais, ele deu banho no Guilherme, eu dei peito e ele dormiu depois.
Entrei no banheiro pra tomar banho e conseguir relaxar.
Tirei a roupa jogando ali no canto e entrei no box ligando o chuveiro, a água quente escorreu pelo meu corpo quando senti uma presença atrás de mim. Antes mesmo de virar, já sabia que era ele. Virei devagar, e ali estava ele, me olhando daquele jeito de sempre que fazia meu coração disparar.
Ficamos um segundo apenas nos encarando, como se quiséssemos apenas aproveitar a presença um do outro depois de meses longes.
Em um segundo, suas mãos estavam na minha cintura, me puxando com força contra seu corpo. O beijo veio urgente, carregado de saudade e desejo acumulado. Minhas mãos foram para suas costas e eu puxei ele para mais perto de mim, na intenção de sentir mais sua pele.
O azulejo frio pressionava minhas costas enquanto ele explorava minha pele com as mãos, analisando cada curva como se precisasse decorar cada detalhe novamente. Eu gemi baixinho contra seus lábios quando senti seus dedos apertando minha cintura.
Ele me pegou no colo, seus lábios desceram pelo meu pescoço, e eu me entreguei novamente para ele, sentindo cada toque, cada arrepio, cada sensação se intensificar a cada segundo. O banheiro se tornou nosso mundo, onde só existiam nossos corpos, nossas bocas e o desejo.
Entre beijos e movimentos sincronizados matamos a saudade com intensidade e eu tive certeza que ali não era somente desejo.
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No alto do caos
Fiksi PenggemarIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
