Branco
Estava com um ódio sobrenatural dentro de mim, coisa que nunca tinha sentido na vida. Sentimento de traição corroía meu sangue que estava fervendo. Minha cabeça não pensava em mais nada, além daquela filha da puta traíra.
Segui pra casa do Brito na sede dela, queria pegar e tirar a limpo a história. Me abri pra garota, me entreguei pra caralho e ela agindo na falsidade comigo, até minha família aquela desgraça conheceu. Se eu trombasse ela seria no teti a teti, sem leme.
Desci da moto e já peguei o revólver na mão, a porta estava aberta, cheguei entrando e procurando ela com os olhos. Mas a única coisa que vi foi a Talita sentada com cara de choro e o Brito em pé do lado dela com fuzil nas costas e com uma cara de bolado.
Brito: tá aqui não. —falou assim que me viu.
Branco: qual foi? tu não deu o papo que ela tava aqui? —olhei ao redor e vi duas garrafas de cerveja. Dele não é, estava no bar— tá mentindo pra mim? —me aproximei dele segurando a arma.
Brito: jamais chefe. A garota tava aqui mesmo, te mandei o papo, mas foi embora.
Branco: foi embora correndo? —apontei pra blusa de frio no sofá, reconhecia porque já vi ela usando— abre a boca, Talita. Solta o verbo se não você vai pro desenrolo.
Brito: vai, Talita. Não adianta chorar não. —falou rude. Não acompanhava muito a vida deles, mas nunca tinha visto ele falar dessa forma com ela.
Talita: ela é minha amiga pô, não ia deixar você matar ela, Branco. Brito me ligou perguntando se ela estava aqui e eu disse que não, mas sabia que vocês iriam vir, então avisei pra ela ir embora. Mas eu te juro que ela não fez nada.
Brito: saiu com a moto dela.
Branco: manda os caras ir atrás, vê se tá pelas proximidades, não quero saber. —falei com Kaká que saiu junto com os outros— sabe que eu tenho maior consideração por você, não sabe? —olhei pro Brito.
Brito: tô ligado chefe, dei mancada. Mas jamais ia imaginar que minha mulher ia dar dessas, maior vacilo.
Branco: tu me garante que não sabia de nada? como confio? a mina vivia na sua casa.
Talita: ele foi pego de surpresa assim como você. Ela vivia na nossa casa, mas também vivia na sua com você.
Branco: se ela mentiu pra você, porque defendeu e mandou fugir?
Talita: apensar de tudo ela nunca foi falsa comigo, além disso, e a gente se conhece a anos. Qual foi Branco, você conheceu a Isabella tão bem quanto eu, a garota jamais ia vir aqui como X9. E ela não mentiu pra mim, eu sabia que ela morava em outra favela rival. —admitiu em voz alta com tom de medo.
Eu achava que conhecia mesmo ela, mas a garota mentia olhando no meu olho. Sentia remorço nenhum, me fazia ir na casa dela igual um otario, se é que é a casa dela mesmo, nunca nem vi entrando e saindo de lá. Todas as vezes que fui, ela já estava do lado de fora. E parando para pensar, tudo faz sentido.
Botava fé nenhuma no papo que a Talita estava me dando, tá na cara que ela sabia sim quem era a Isabella de verdade e mesmo assim trouxe pra cá pra favela, trazendo risco até pro próprio marido. Minha dúvida era se ele sabia também.
Branco: ela é rival e você também, Talita. Em consideração a você —apontei pro Brito— vou deixar você escolher a cobrança pra ela. Tu quer que eu chame a negona pra cobrar ou você mesmo cobra tua mulher?
Ele ficou quieto pensando e ela começou a chorar baixinho.
Brito: deixa comigo. —confirmei.
Branco: não quero ver a cara dela na rua durante 3 meses. Se eu ver a cobrança vai ser outra. —dei as costas e sai daquela casa.
Kaká: chefe, passaram a visão que ela vazou da favela faz uns minutos já, saiu rapidão com a moto. Vapor da barreira tentou parar, mas ela não obedeceu.
Branco: fica de olho, ela tá proibida de subir aqui. Passa a visão pra geral, se ela vier, pode matar.
Voltei na boca e o Lobo ainda permanecia lá sozinho me esperando.
Branco: fica na atividade pelos acessos de lá, a gente não sabe o que ela tava fazendo por aqui, se não era a mesma coisa que a Nicolle fazia lá.
Lobo: acha que o Jhony seria podre ao ponto de por a família no meio assim?
Branco: acho, se matou o irmão, a sobrinha é o de menos.
Lobo: mas você tá ligado nas ideias né? E se ela for filha e não sobrinha?
Branco: não tô ligado na história dele com a ex mulher do irmão, isso é fofoca que rolou na época. Mas se for pai dela, Isabella não sabe. —falei sentindo o gosto amargo ao falar o nome dela— conversei com ela sobre isso, ela acha que os pais morreram num acidente a caminho de uma viagem.
Lobo: tem certeza?
Branco: de tudo que rolou entre eu e ela, acho que a única coisa que posso afirmar que é verdade é isso.
Eu sabia que nisso ela não mentiu porque sua expressão mudava tão rápido quando falava algo relacionado aos pais, sua face ficava com um olhar triste, de saudade. E me lembrava o jeito que eu ficava quando era mais novo e lembrava da minha mãe.
Lobo: tu tava amarradão nela, não é? fala aí.
Branco: tava curtindo a garota só.
Lobo: câo, te conheço. Se não quer falar pra mim, suave, mas não vai fazer merda com raiva.
Branco: vou ficar tranquilo. Vou guiar pra casa já... e a Nicolle? Deu o restante?
Lobo: dei, ela disse que ia se ajeitar em uma pousada aqui. Ofereci lá, mas ela disse que era muito próximo da Vila joão.
Branco: tranquilo, fé aí. —fiz toque com ele.
Fui direto pra casa, tomei meu banho gelado e fiquei sentindo a água escorrer enquanto pensava em tudo. Tô macaco velho já, 29 anos e cai em lábia de novinha de 19 que ainda me passou a perna.
E pensar que aquele jeito angelical que fez com que ela me ganhasse, era tudo uma mentira e ela não passa de uma X9 mentirosa.
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No alto do caos
FanfictionIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
