Isabella
Mandei mensagem para o Michael de manhã, ele ainda não tinha me respondido, mas visualizou. Tinha avisado que o resultado do exame saiu e mandei em pdf para ele ler sozinho. Eu nem se quer tinha aberto, pois eu sabia o resultado muito antes de fazer qualquer tipo de teste.
Talita me mandou mensagem chamando pra almoçar na casa dela e como eu não estava com vontade nenhuma de fazer comida, eu fui.
Sentei na mesa junto com ela e começamos a comer conversando.
Isabella: eu queria muito ficar de boa com ele, mas porra, não dá! Ele foi tão nojento nas palavras que usou comigo, parecia que eu era uma vagabunda.
Talita: pô amiga o lance de vocês é complicado. Mas eu avisei que o Branco era cachorro nato, ele pote até gostar de você, mas é homem e tem ego alto.
Isabella: mas a gente tinha combinado de ficar numa boa, pelo menos pela criança.
Talita: ele tava com ciúmes, Bella. —deu risada.
Quando eu ia abrir a boca pra xingar, o dito cujo entrou pela porta junto com o Brito. Olhei ele de cima a baixo, quando me viu franziu a testa como se não esperasse me ver.
Brito: tem comida amor? —beijou o topo da cabeça dela e acenou pra mim com a cabeça— Tamo na maior fome, saímos de uma bucha aí.
Talita: tem nas panelas, só lavam a mão antes. Vamo pra sala? —assenti me levantando da cadeira.
Coloquei meu prato na pia e fui saindo da cozinha, quando passei pelo Branco ele colocou a mão na minha cintura e eu parei olhando pra cara dele.
Branco: eu vi a parada que mandou, não respondi porque estava na correria. Tô feliz pra caralho, Isabella. —sorri de canto.
Isabella: eu sempre soube que era seu, não tinha como não ser. Por isso não fiz questão nem de abrir.
Branco: depois eu quero falar contigo. Passo na sua casa.
Isabella: eu vou fazer a unha mais tarde, não vou estar em casa.
Branco: me passa o endereço e a hora, te busco lá.
Não falei nada e sai dos braços dele indo atrás da Talita que estava sentada no sofá com as pernas pro alto me encarando. Neguei com a cabeça e me sentei do lado dela também.
Eles comeram e saíram pra rua de novo. As vezes fico até me questionando o que tanto traficante faz no dia a dia, principalmente esses que nem ficam vendendo em biqueira.
Peguei o rumo pra manicure junto com a Tata, ela tinha me indicado essa menina uns tempos atrás e desde então eu só faço aqui. A mona faz a unha certinho, única coisa ruim é que ela fica lambendo meu rabo tanto por achar que sou mulher do Branco, tanto que até de patroa já me chamou.
Mandei minha localização para o mesmo e ele disse que já estava vindo. Esperei ela passar o spray secante nas unhas e passei meu cartão para pagar.
Talita: vá resolver sua vida com seu marido vá. —debochou.
Isabella: cala a boca —dei risada— o povo vai acreditar e eu vou sair é com fama de corna.
Talita: isso qualquer mulher de bandido leva, mesmo que nem seja.
Me despedi dela com um beijo no rosto e saí vendo que já tinha até escurecido.
O tempo estava gostoso, aquele calor, mas com ventinho fresco, propício pra tomar um belo de açaí. Olhei pra baixo avistando o carro preto se aproximar com os vidros abaixados e eu olhei pra dentro vendo o próprio Michael.
Esperei ele encostar o carro e abri a porta entrando.
Isabella: passa em um lugar pra comprar açaí, por favor. —ele me olhou de canto e depois olhou pra frente de novo.
Branco: fala nem comigo antes e quer açaí, hum. —resmungou e eu fingir não ter ouvido.
Mesmo reclamando ele parou num negócio de açaí, desci pra fazer meu pedido e assim que paguei voltei pro carro comendo ele. Fui o caminho todo da minha casa
quieta comendo.
Quando ele parou o carro em frente em casa eu fiquei olhando pra cara dele esperando o mesmo abrir a boca e falar algo, mas não. Ele saiu do carro e foi em direção ao portão da minha casa.
Desci junto e abri vendo ele entrar logo atrás. Qual dificuldade de falar que queria entrar lá dentro?
Isabella: pode falar, Michael —falei tirando o chinelo com cuidado para não borrar a unha assim que entramos.
Branco: queria te pedir desculpa. Pesei nas palavras contigo, passei do limite. Você é solteira e faz o que quiser, entendeu? Não posso intervir em mais nada.
Isabella: você foi escroto. Falou como se eu fosse uma vagabunda que saísse dando pra qualquer um.
Branco: por isso tô pedindo desculpa, quero bandeira branca, paz pelo nosso filho tá ligado?
Isabella: eu também, quero que você se faça presente na gravidez e na vida dele, a gente não precisa ter nada. Eu te respeito e você me respeita.
Branco: tá certo então... paz? —assenti com a cabeça e ele se aproximou me puxando e me dando um abraço.
Foi inesperado, eu não tive muita reação a não ser retribuir durante uns minutos e depois me soltei do abraço dele.
Branco: e o nome pô, qual vai ser?
Isabella: Henry é bonito, né?
Branco: mas muito de playboy, da não. —deu risada— Miguel é maneiro e parece com meu.
Dei risada. A gente ficou conversando um pouco, mas não chegamos a lugar nenhum. Só combinamos de ir essa semana comprar roupa pro bebê, na verdade eu iria junto com algum segurança dele e iria arrastar a Talita junto.
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No alto do caos
FanficIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
