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Reta final.

Isabella

Peguei meu refrigerante e sorri pro rapaz, agradecendo.

Isabella: Precisava disso. — Abri minha Coca, que fez barulho por conta do gás, e dei um belo gole, sentindo o líquido gelado descer rasgando pela garganta. — Faz tanto tempo que não tomava.

Talita: Não me imagino sem minha Coca. — Ela falou e, ao olhar pra ela, percebi que estava estranha, meio cabisbaixa, os olhos fixos no copo à sua frente, como se estivesse perdida nos próprios pensamentos.

Isabella: O que foi que tá com essa cara de bunda?

Ela soltou um suspiro, brincando com a borda do copo antes de responder.

Talita: Tu acharia estranho se eu falasse que tô interessada em uma pessoa?

Fiquei surpresa com a pergunta, mas balancei a cabeça.

Isabella: Não, você é solteira. — Falei o óbvio, arqueando a sobrancelha. — Você tá com medo do que as pessoas vão falar, mas esquece que eles falariam de qualquer jeito. Brito se foi tem seis meses, era seu marido, mas você queria se separar dele bem antes disso tudo acontecer. Quem é o cara?

Talita: Não é daqui, ele trabalha comigo na oficina. A gente vem almoçando juntos, conversando... Eu sei que ele tá afim de mim, mas não sei se deveria ficar com ele.

Isabella: Se você quer, qual o problema? — Dei uma mordida na minha coxinha, mastigando devagar. — Melhor ainda que não é daqui, ninguém sabe assim.

Talita riu sem vontade, balançando a cabeça, como se o que eu tivesse dito não fosse tão simples assim.

Talita: Eu não quero relacionamento agora. Vivi minha vida toda casada, fui do Brito e só dele. Quero ficar sozinha em paz e não me meter com bandido nenhum, aprendi a lição. Bandido é sempre bandido, só tem um fim.

Fiquei quieta por um momento, porque aquilo me atingiu de um jeito estranho. Ela percebeu e logo tratou de se explicar.

Talita: Não tô falando pra você não ficar com o Branco. É diferente.

Baixei o olhar pro copo quase vazio, girando o líquido dentro dele.

Isabella: Eu entendi, amiga... Mas fico pensativa em relação a isso. Eu com ele corro perigo sempre?

Talita respirou fundo antes de responder.

Talita: Não leva isso em consideração. Vocês têm um filho. Namorando ou não com ele, você já está em perigo. Além de que, o Brito sempre foi foragido, o Branco não. E ele tem dinheiro pra limpar a ficha dele de cabo a rabo. Ele não faria nada que prejudicasse vocês. E eu falei sem pensar... Vamos subir?

Concordei. Me levantei, joguei o guardanapo no lixo, tomei o restante da Coca e descartei a embalagem. A gente subiu de novo pro baile. Já estava quase amanhecendo e eu sentia que minha cota já estava dando.

Entrei no reservado novamente e procurei o Branco com os olhos. Acho que era mais pra saber se ele ainda estava falando com a Nicolle ou se havia sumido com ela. Quando vi que ele ainda estava lá, um incômodo cresceu no meu peito.

Confesso que fiquei com ciúmes quando vi, mas não quis cobrar nada dele. E também não quis ficar no mesmo ambiente olhando.

Mas no segundo seguinte, meus olhos encontraram os dele. Branco estava no canto conversando com Lobo, e o alívio veio na mesma hora. Ele ergueu o queixo na minha direção e me chamou com o dedo.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora