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Branco

Coloquei minha blusa da Prada, um shorts jeans rasgado e o chinelo no pé. Ia curtir de boa na comunidade, só tomar uma no bar com os caras. Passei meu perfume e sai de casa, subi em cima da minha moto e fui pro bar da esquina da boca. Tava todo mundo reunido na mesa, negócio hoje ia ser só álcool e futebol. Cumprimentei os caras e puxei uma cadeira pra sentar, olhei na tv pra ver se o jogo tinha começado mas ainda estava no aquecimento só.

Peguei o copo americano e coloquei a cerveja gelada, dei um gole sentindo descer gostoso.

Brito: quer entrar na aposta? 500 de cada. Quem ganhar leva 4K.

Branco: como que tá funcionando isso aí?

Kaká: da teu placar e se bater, tu leva. Só o Renan tá apostando pro Botafogo, restante a favor do Flamengo. —me entregou um papel que tinha os placar anotado e o nome de quem apostou.

Branco: vou junto no Botafogo, time do coração pô. Vamos bater 3X1. —peguei a caneta da mesa e escrevi. 

Jogo começou, bola rolando pra caralho, toma lá e toma cá. Já tava 2X0 pra gente quando o Flamengo fez dois e empatou. Já comecei a ficar nervoso, os caras nem estavam jogando direito pô. Dei um grito quando o Botafogo fez outro gol no segundo tempo, eu já não ia ganhar a aposta, mas que pelo menos meu time ganhasse. No final deu 3X3 e perdi 500 pro Marcelinho que tinha ganhado, o único que meteu essa de empate, vascaíno safado.

Era pouco os momentos que eu me misturava com todos eles, conhecia cada um porque são meus soldados, mas pra ficar de gastação já não era comigo, sempre fui fechado, é meu jeito de ser.

Kaká: chefe —encostou no meu ombro e abaixou— deram o papo que uma Nicolle tá esperando você na boca. Deixa entrar?

Branco: pode deixar, avisa que tô indo. Você também vai comigo e chama o Lobo, ele disse que estava pelos acessos.

Me levantei me despedindo dos caras, peguei minha moto indo em direção a boca. Parei na frente da viela e deixei a moto ali, entrei vendo a loira sentada na poltrona mexendo no celular. Encarei seu rosto machucado e seu pescoço marcado.

Branco: boa noite —chamei sua atenção que me olhou— tá tranquila?

Nicolle: eu tô. Cadê o Lobo mal? —sorriu.

Branco: deve tá brotando, pedi pra chamar ele já. O que pegou com o outro lá?

Nicolle: bofe surtou, te juro. Parece que a mulher dele descobriu sobre eu e ele e o doido jurou que foi eu quem tinha falado. Veio pra cima de mim e tudo, sorte que a sobrinha dele apareceu, se não nem aqui eu estava.

Branco: e você saiu de boa de lá? —passei a mão na barba.

Nicolle: fugida né? Sai correndo. Duvido nada que daqui a pouco ele vai estar atrás de mim, por isso tô pensando em viajar até a poeira abaixar. —passou a mão nas coxas e meu olhar foi atraído pra mesma quando ela cruzou a perna.

Branco: Se quiser ficar na minha favela ou na do Lobo por um tempo, depois se vai pra onde quiser. —sentei na mesa encarando o rosto dela.

Nicolle: vou pensar no caso, a ideia não é ruim. —ela ia falar mais alguma coisa quando ouvi a voz do Lobo ecoando na sala.

Lobo: demorei, mas cheguei. —me cumprimentou estendendo a mão e fez igual com a Nicolle— trouxe tudo loirão?

Nicolle: trouxe. Eu consegui tirar algumas fotos, tive que imprimir porque aquele retardado vivia querendo mexer no meu celular e eu tinha medo dele ver as coisas.  —ela abriu a bolsinha de couro preta que estava no ombro dela e tirou várias fotos pequenas— foto de algumas armas que eu vi na boca, tem foto de droga também. E eu consegui localização da onde ele guarda essas coisas.

Lobo: e cadê?

Nicolle: vou mandar no WhatsApp de vocês, não tem como eu imprimir —falou óbvio— Eu sei o caminho de cor, mas guardei a localização caso vocês forem sem mim.

Ela entregou as fotos na mão do Lobo que analisava com calma cada uma delas e depois passou pra mim. Olhei a primeira que era diversas armas jogada num canto, arma das boas. A outra imagem já era de algumas drogas, nada que fosse importante para a gente.

Nicolle: entrada da comunidade não achei, mas eu sei que vai ter uma missão daqui uns meses meses aonde metade dos soldados dele vão sair. Ou seja, mais tranquilo pra invadir. Vai acontecer um dia antes do aniversário do Jhony, dia 16/09.

Lobo: como tu sabe disso?

Nicolle: porque ele disse que ia me levar pra viajar com ele se desse tudo certo nessa missão, vão assaltar um carro forte que vem de São Paulo.

Branco: confiável esse papo? Tem certeza?

Nicolle: foi o que eu ouvi sair da boca do próprio Jhony. Ah, e eu consegui tirar foto da família dele, caso queiram.

Branco: acho que não é necessário não. Essas aqui —mostrei a foto das armas— já vão ajudar e a localização que você vai mandar é nossa peça chave.

Lobo: não é necessário, mas é bom ter. Pode deixar comigo. —ela concordou e entregou— mulher dele tá grávida?

Nicolle: sim, a de cabelo ondulado é a sobrinha. —ele passou a outra foto e seu semblante mudou completamente.

Lobo: qual foi Branco, essa aqui não é aquela menina do churrasco? —esticou a mão e eu peguei a foto.

Meu olho bateu e na hora reconheci. Até aproximei a foto pra ver se era ela mesmo. Mas não tinha como não ser, tava com a mesma roupa do dia que foi trabalhar no buffet e me mandou foto lá. Engoli seco e na hora começou passar várias coisas na minha cabeça.

Branco: tu tem certeza que essa menina aqui é sobrinha dele? —mostrei a foto da Isabella pra ela.

Nicolle: tenho. Vi ela na casa da mãe dele e até no dia que apanhei, ela tava lá e me ajudou.

Branco: caralho —gritei alto— filha da puta do caralho. —deu um soco na mesa.

Nicolle: que foi gente? —ignorei ela e levantei da mesa pegando meu radinho.

Branco: ae Brito, tá aí?

Brito: fala chefe.

Branco: tu sabe aonde a Isabella mora?

Brito: sei não pô, Talita nunca comentou nada. Que foi?

Branco: preciso ir atrás dessa filha da puta.

Brito: ela ia aparecer lá em casa hoje pra estudar com a Talita. O que aconteceu?

Branco: a desgraçada é parente de alemão! Vai pra sua casa, se essa filha da puta tiver lá me avisa e não deixa ela ir embora. Hoje ela não desce viva daqui.

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