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Branco

Antes de sair de casa eu olhei pra trás vendo a Isabella sentada no sofá vendo série e com um prato de brigadeiro na mão. Já faz um tempo que ela está em casa e te falar, olhar pro rosto dela toda hora é foda pra caralho. Não sei nem explicar o que sinto toda vez que vejo.

Consegui arrumar uma casa suave pra ela, já mandei trazerem os móveis e vou deixar no jeito pra ela morar lá. Ela começou entrar numa fase de que tudo enjoa e vomita, pra não ter b.o nenhum eu preferi uma casa próxima da minha, que se acontecer algo eu consigo chegar lá rápido.

Posso estar cheio de raiva da menina, mas ela pode tá com filho meu ali, então vou cuidar no que posso.

Subi em cima da minha moto e fui em direção a adega que os caras estavam, íamos fazer um agito só a gente aqui e depois brotar no baile. Cheguei lá e fiz toque com todo mundo, pra minha surpresa a Nicole estava lá acompanhada de outra menina. Cheio de homem e as duas de mulher só.

Kaká: tá afim, chefe? —levantou a mão que estava com baseado entre os dedos— bolei agora.

Branco: tô precisando pra relaxar. —peguei da mão dele e dei uma tragada sentindo o gosto forte ficando na boca. Soprei a fumaça e depois de algumas outras tragadas senti meu corpo ficar mais relaxado.

Nicole: posso fumar? —perguntou olhando pro Kaká que só assentiu com a cabeça e ela veio pro meu lado pegando o baseado da minha mão.

Kaká: vai piar no baile?

Branco: vou, faz uns dias que não vou.

Kaká: verdade pô. Quando você vai às minas ficam até ouriçadas. —deu risada.

Branco: tô suave por um tempo, chega de k.o na mente.

Nicole: a para, desde quando mulher é k.o? —riu e eu senti a mão dela no meu ombro.

Branco: tem umas que mexe com a cabeça, aí vira k.o. —respondi e desencostei da parede— vou passar na boca e depois ir pro baile. Quero tu na minha contenção. —olhei pro Kaká.

Kaká: meia hora broto lá pra subir contigo.

Fiz joinha pra ele e fui pra boca. Precisava verificar como estava os estoques e as drogas que os menor ficaram de embalar hoje mais cedo. Entrei na salinha vendo todo mundo na maior atividade, olhei o Dg anotando as coisas no caderno, ele era o mais novo daqui, tinha menos de 15 anos.

Me certifiquei que tudo estava tranquilo e conforme os planos. Fui pro lado de fora do beco e fiquei esperando o Kaká. Peguei meu celular e olhei o print que o Brito me mandou daquele maldita página.

Os maluco esperou o momento certo pra bater a foto, até parece que eu estava de graça ou tendo algo com a Nicole, nada haver. Povo gosta muito de mídia, por isso fofoqueiro amanhece com a boca cheia de formiga.

O papo é que eu e ela aconteceu uma vez, e nunca mais. Não faz nenhum sentindo eu ir transar com ela e ficar lembrando de outra pessoa, ainda mais porque a lembrança era de alguém que eu nem queria pensar muito. Só que não tinha motivo nenhum pra destratar ela, eu trocava uma ideia suave, mas nada com segundas intenções e ela já tinha percebido isso, tanto que não tentou de novo.

[...]

Dei um gole na minha bebida sentindo o Whisky descer rasgando. Olhei ao redor vendo um pessoal dançando animado. Vi o Brito chegar de fininho e colar perto de mim.

Brito: a mãe do seu filho vai brotar aí. —falou baixo só pra mim ouvir.

Branco: como tu sabe? —olhei pra ele.

Brito: Talita estava falando com ela. Deixa subir?

Branco: deixa, fazer o que. —reclamei. Ousada pra caralho de estar vindo pro baile, mas vou ficar na minha.

Brito: vou avisar os menor. —assenti fraco e ele saiu rindo baixo.

Deu coisa de meia hora e eu vi de longe a Isabella subindo com um vestidinho colado, um salto no pé e o rosto maquiado, muito linda. Depois de minutos quem apareceu na entrada do camarote foi a Nicole com a Angélica.

Brito: qual das duas tu leva embora hoje? —colocou a mão no meu ombro e eu olhei sério pra ele que tirou na hora.

Branco: sei nem se eu vou embora, quem dirá levar alguém. E se for pra sair daqui acompanhado, vai ser de um rosto novo.

Brito: vou soltar um papo pra você, mas deixa baixo. Tava chegando em casa e ouvi a conversa da Isabella com minha mulher, ela falou com toda certeza que a criança era tua mesmo, que não tinha como não ser. Pra você ela poderia até mentir de novo, mas pra Talita não. Aquelas ali são unha e carne, até no vacilo, se viu.

Ouvir isso me deixou um pouco aliviado, acho que por saber que ela não estava me passando a perna de novo. Mas confiar é uma palavra muito forte, depois de tudo, confio nem na minha própria sombra.

Vi a Angélica vindo na minha direção acompanhada. Olhei pra roupa dela toda curta e neon, tava espancando a moda. Dei risada negando com a cabeça.

Angélica: oie irmão lindo —sorriu— libera um combo pra gente, por favor?

Branco: pega lá.

Angélica: e a garota la, trouxe ela? —neguei.

Branco: não trouxe, mas ela tá por aí.

Angélica: vou atrás dela pra ver meu nenê. —encarei ela serinho. Muito boca aberta, mané — ninguém ouviu não, só tá a gente.

Branco: jaé Angélica, pia daqui antes que eu me estranhe contigo.

Ela deu ombros e a Nicolle me olhou ainda parada no mesmo lugar.

Nicolle: vai ser pai?

Branco: ao que tudo indica, sim.

Nicolle: parabéns e que venha com muita saúde. —sorriu simpática— vou ir atrás da tua irmã, se cuida.

Branco: vai lá loira.

Ela deu as costas e eu desci meu olhar pra bunda redonda dela que mexia conforme ela andava e a saia de tecido fino ia subindo aos poucos e ela abaixava.

Depois dela sumir da minha vista eu me dei conta que as duas se conheciam. Lembrei da história que a Nicole contou no dia que apanhou do Jhony e a foto que ela trouxe até mim. Passei a mão na barba, por mais que não tinha nada haver, não queria que a Isabella soubesse do que aconteceu entre eu e a Nicole.

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