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Branco
2 semanas depois

Angélica:  tá indo onde? —coloquei a mão na testa por conta do sol e olhei ela descendo com uma pastinha nas mãos. 

Branco: vou resolver um negócio, porque?

Angélica: vai descer? Queria carona pra ir na clínica, preciso fazer uns exames.

Branco: te levo lá. Entra aí. —destravei o carro e entrei. Esperei ela dar a volta e vim também— que exames são esses?

Angélica: de rotina, é ginecologista. —murmurei um "tendi".

Restante da viagem fomos quieto ouvindo o som tocando, parei no estacionamento da clínica e destravei pra ela descer.

Branco: vai demorar? —falei e ela se virou me olhando.

Angélica: acho que não, não sei. Mas te mando mensagem.

Branco: vou resolver uma parada e depois volto pra te pegar, é rápido.

Fiz o retorno e sai do estacionamento, parei na beira da praia e aguardei o menor que iria trazer uns celulares pra mim. Pedi dois 16 Pro Max, e um 16 Pro. Ia dar pra minha irmã e pra Jaque.

Branco: valeu mano, fortaleceu legal.  —fiz joia pra ele e esperei ele terminar de contar o dinheiro.

-certinho Branco, valeu. —esticou o braço e segurei a mão dele apertando firme.

Voltei pro estacionamento e fiquei esperando. Olhei pra frente vendo uma senhora sair da clínica, reconheci na hora ser a mãe do Jhony, em seguida a Isabella saiu sorrindo atrás dela.

Engoli seco sentindo meu coração acelerar. Fiquei sem reação nenhuma, ao mesmo tempo que queria ir atrás dela para cometer uma covardia, bateu uma saudade e na hora relembrei de todos momentos. Ela estava com um vestido longo amarelo e o cabelo num coque arrumado, tava bonita pra caramba.

Passei a língua nos meus lábios, quando me dei conta elas já tinham sumido da minha vista. E talvez assim foi melhor, se eu me chegasse perto dela não sei o que iria fazer, meteria as mãos pelos pés. Confesso que o que vivi com ela foi gostoso, apensar de ter sido curto, tava me apegando.

Sai dos meus pensamentos quando escutei uma batida no vidro, olhei vendo a Angélica encarar aqui dentro, mas não via nada pelo fato dos vidros serem escuros. Destravei e ela entrou.

Angélica: prontinho, bora pra casa. —ela sentou no banco e se virou pra trás esticando os braços pra por as coisas dela nos bancos de traseiro— o que é essa sacola aqui de celular?

Branco: comprei uns.

Angélica: bem que você podia trocar o meu né? maior mancada tu com esse novinho e eu com Iphone X aqui.

Branco: tá com esse porque é vacilona, dei o 13 e você quebrou. Devia fazer tu trampar pra comprar outro, queria ver tu se matando pra pagar parcelado. —liguei o o carro e dei partida.

Angélica: você me odeia né, Michael? Meu deus.

Branco: teu macho te come de graça? duvido que a mulher dele não tem um iphone dos novo —falei e ela ficou quieta sem graça. Não gosta que ninguém fala das mancada que ela dá— já que tá se sujeitando a ser marmita, faz direito pelo menos.

Angelica: dei rl com ele, Branco. Fica em paz que sua irmã não é mais "marmita" —debochou— já viu como você fala de mim? É nojento, pô. Até porque você fica com mulheres bem piores que eu.

Branco: pode crê e por isso te digo, tem certas mulheres que a gente olha e já sabe que ali é só resumo e nada mais. Agora tem outras que exala postura de mulher. Falo essas coisas que eu falo pro teu bem, mas você não me ouve. Sei que você é grandinha e faz o que quiser, por isso não me meto. Mas você é uma mina bonitona, mas sem postura. —olhei pra ela de canto que continuava olhando pra frente— sou homem e entendo a cabeça de um. Esse cara não vê você como mais nada além de uma transa ou outra.

Vi que meu papo tinha entrado na mente dela, porque a Angélica que é bocuda ficou quietinha. Não disse mais nada. Entrei na comunidade e fui em direção a casa da Jaque, parei na porta, mas antes dela descer eu segurei seu braço e peguei a sacola lá atrás.

Branco: tu não merece, mas é teu. —peguei o dela na sacola e entreguei vendo seu sorriso de orelha a orelha— vê se cuida dele, não vou dar outro tão cedo.

Angélica: brigada meu amor —me abraçou— eu te amo, seu chato.

Branco: também te amo —passei a mão no cabelo dela— entrega o da Jaque pra mim, não vou entrar.

Angélica: ela ia gostar de receber da sua mão.

Branco: eu sei, mas tô ocupado hoje e não sei quando broto por aqui de novo. Faz essa pra mim e fala que eu tô dando de coração.

Angélica: tá bom, tchau. —deu um beijo na minha bochecha— se cuida.

Branco: você também.

Esperei ela descer e fechar a porta para dar partida com o carro. Gosto de agradar minha família e vê elas felizes, se eu tenho a vida boa, elas tem que ter dez vezes mais que eu.

Entrei na boca e subi indo pra laje, Lobo estava me esperando aqui tinha um tempo. Fiz um toque com ele e me encostei no muro do seu lado olhando pra baixo na rua.

Lobo: papo é o seguinte, chegou informação pra mim que o Jhony vai invadir a favela do Neguinho. É a brecha pra gente ir pra cima, melhor do que contar com um assalto que vai acontecer daqui a mais de um mês e se for acontecer mermo, a qualquer hora o destino daquele carro pode mudar ou eles mudarem de ideia.

Branco: se tua tropa tiver pronta, a minha tá. Botei os mais novos pra treinar com fuzil tem duas semanas, tão aprendendo a manusear melhor. Disposição eles tem, mas é inexperiente na troca.

Lobo: os meus são macacos velhos, tão ligado como é.

Branco: no dia que tu falar pra gente brotar, eu broto. Se quiser, amanhã mesmo a gente invade aquela porra.

No alto do caos Onde histórias criam vida. Descubra agora