Nova história no perfil!!!
Já informo que, não pretendo atualizar ela diariamente, vou finalizar essa primeiro. Mas quis soltar um pouco pra vocês já sentirem a pegada de como será e adicionarem na biblioteca.
Branco
Eu nem acreditava que finalmente meu alvará tinha saído. Seis meses esperando, contando os dias, e agora era real. Finalmente, eu ia poder respirar o ar da rua de novo, sentir o calor do sol, estar perto da minha família.
Quando voltei pra cela, os caras já tavam me olhando, esperando a resposta.
Branco: Fui solto, caralho. — falei eles fizeram a maior onda. Todo mundo gritando, batendo nas grades, vibrando junto comigo.
Urso: Eu te falei, irmão. Tua caminhada é lá fora, não aqui. - eu olhei pra ele e balancei a cabeça.
Branco: Tu me deu a maior força aqui dentro. Se um dia precisar de mim, pode chamar. Tô te devendo essa.
Urso: Tá me devendo nada, irmão. Aqui a gente faz as coisas de coração. Mas, se um dia eu precisar, eu te aciono. — Ele me puxou pra um abraço de lado e deu uns tapas nas minhas costas — Sai hoje?
Branco: Passo mais uma noite.
Ele concordou, e eu só respirei fundo. Não ia nem reclamar. Como dormir sabendo que, daqui a poucas horas eu estaria longe desse lugar imundo? Cadeia não é pra qualquer um. Aqui a gente é tratado pior que animal, só guerreiro sobrevive anos aqui dentro sem enlouquecer.
O tempo passou devagar. Deitado no colchão fino, com os olhos fixos no teto, eu só pensava no momento de sair. Fico alerta quando ouço o barulho do molho de chaves ecoar no corredor.
Carcereiro: Michael? — apenas levantei a cabeça e olhei pra ele — Levanta que já tão te esperando.
Olhei em volta. Respirei fundo pra me despedi dos caras.
Branco: Valeu pela ajuda de todo mundo. Me recepcionaram bem aqui. Se um dia precisarem de alguma fita, sabem onde me encontrar. Fiquem com Deus. — Os caras assentiram.
— Vai na fé, irmão.
Urso: Se cuida. Juízo pra não cair de novo.
A porta abriu, e dessa vez não botaram algema no meu pulso. Só mandaram eu seguir, caminhei pelo corredor até o portão principal. Quando ele abriu, senti o vento bater no meu rosto.
Carcereiro: Boa sorte.
Olhei pra cara dele com desdém e fiz um joia com a mão.
Dei o primeiro passo pra fora e fechei os olhos. Deixei o sol bater no meu rosto, respirei fundo, senti o cheiro da liberdade.
Branco: Obrigado, meu Deus.
Quando abri os olhos, vi elas. Minha mãe e a Angélica.
Acelerei o passo e abracei minha mãe com toda a força. Não via ela desde que fui preso, e a saudade tava me matando.
Branco: Não chora... tô aqui. — Ela soluçou contra meu peito.
Jaqueline: Eu fiquei tão preocupada, meu filho... Não faz mais isso de novo. Tive medo de te perder por mais tempo.
Branco: Já passou. Agora tô com vocês.
Angélica, com os olhos cheios de lágrimas, me abraçou também. Fiquei ali, segurando as duas, sentindo o calor do carinho delas que me fez falta.
Depois de um tempo, entramos no carro e fomos pra Penha. Não quis ver ninguém ainda. Fui direto pra casa, tomei um banho demorado, me troquei e saí pra rua.
A sensação era estranha. Todo mundo me olhava como se eu fosse novidade na favela. Caminhei devagar, observando tudo. Muita coisa parecia igual, mas eu sabia que, no fundo, muita coisa tinha mudado.
Kaká: Seja bem-vindo de volta, chefe. — Fizemos um toque.
Branco: Valeu. Tudo mec? — Ele confirmou— Preciso resolver umas paradas. Mas depois quero trocar uma ideia contigo, maneiro?
Kaká: Só chamar, tô sempre na disposição.
Hesitei por um segundo, mas soltei a pergunta:
Branco: Consegue me levar no endereço novo da Isabella? Falaram que ela se mudou...
Kaká: Levo, patrão. Tá lá do outro lado.
Atravessamos a rua e subi na garupa da moto. No caminho, fui observando a favela. Mesmo cenário, mesma gente, mas eu me sentia diferente.
Quando paramos, desci da moto e bati no portão. Quem abriu foi Talita. Ela ficou em choque ao me ver, mas deu passagem me cumprimentando.
Branco: Eu sinto muito pelo seu marido. — Ela mudou a expressão na hora — Ele era um cara responsa. Você também. Todo dinheiro da loja dele é seu. Não vamos te deixar na mão.
Talita: Não precisa... Eu arrumei um emprego.
Branco: Precisa, sim. Teu marido morreu me ajudando. Ele era um soldado bom, um aliado. É teu direito.
Ela respirou fundo, segurou a emoção e assentiu.
Talita: Obrigada. De verdade.
Branco: Por nada.
Fui entrando, observando a casa. As paredes azuis, a decoração do jeito que a Isabella sempre disse que queria.
Talita: Ela tá no banheiro, mas o Gui tá dormindo no berço. Último quarto. — informou.
Meu coração acelerou.
Entrei no quarto devagar e parei ao lado do berço. Meu filho. A emoção veio forte mesmo eu tentando segurar, mas as lágrimas caíram. Ele já tava grandinho, diferente das fotos que eu via.
Fiquei apenas olhando ele por uns minutos, agradecendo por eu estar aqui pra ver ele.
Isabella: Pode pegar, se quiser. Já tá na hora dele acordar.
Virei e vi Isabella na porta, me observando com um sorriso no rosto.
Com cuidado, peguei o Gui no colo. Ele continuou dormindo, calmo.
Branco: Vem cá. — falei olhando pra ela que se aproximou. — Ele é muito lindo, né?
Isabella: Ele é. — sorriu pra mim.
Nos olhamos sorrindo. Aqueles olhos cor de mel que eu sonhei tantas vezes lá dentro.
Branco: Esperei muito por isso. Estar aqui com vocês. — Minha voz saiu embargada— Tudo que prometi lá dentro vai acontecer. Vamos construir nossa família. Pode demorar, mas o destino quis a gente junto. Não foi à toa que nosso filho veio.
Ela suspirou e me encarou.
Isabella: Depois a gente fala disso, pode ser? — Assenti. — aproveita o momento com ele no colo. Daqui a pouco tenho que dar de mamar.
Fiquei ali, olhando cada detalhe do Gui. Memorizando cada traço.
Eu tinha perdido muito tempo longe. Mas, nem que demorasse o tempo que fosse, eu ia reconstruir minha família.
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No alto do caos
FanfictionIsabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
