Isabela é uma jovem de família ligada ao tráfico de uma favela rival. Em busca de liberdade, ela se aventura em território inimigo e conhece Branco. O que começa como uma atração perigosa se transforma em um romance intenso, mas cheio de conflitos.
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Isabella
Desde que cheguei eu não avistei as pessoas que queria avistar. Olhei ao redor por diversas vezes, mas não consegui ver ninguém.
Talita: para com isso, tá na cara o que você tá fazendo.
Isabella: to só olhando pros lados, não posso? —respondi bem sonsa olhando pra ela.
Talita: tá procurando o Branco pra vê se ele está com alguém. Você tem que relaxar, uma hora ele volta atrás e se não voltar, que se foda também. Você é bonitona pô, nova, tem muito o que viver.
Isabella: eu queria beber pra esquecer da existência desse ser humano. Por mais que eu tente negar pra mim mesmo Tata —suspirei— eu tô muito mexida com tudo. Com a mágoa dele em relação a mim, com o bebê, com a mudança. E tem a falta que minha vó faz. —falei querendo chorar já.
Talita: eu sei meu amor, são os hormônios também. Mas tudo vai se ajeitar.
Eu sai tão humilhada da Vila João que por mais que eu ame e sinta muita falta da dona Isaura, é impossível eu voltar naquela comunidade com o Jhony no comando. Tava quase chorando quando vi a irmã do Branco se aproximando com um sorriso no rosto enorme.
Angélica: oie Talita, oie Isabella. —respondemos juntas um "oi" e a Talita me olhou de canto e me cutucou com o cotovelo disfarçadamente — Branco me contou a novidade, fiquei bem feliz que vou ser tia. Se precisar de qualquer coisa, pode contar comigo.
Ela continuou falando e eu perdi o foco total quando vi a Nicolle chegando atrás dela e parar frente a frente me olhando. Revidei o olhar sem expressão nenhuma no rosto.
Angélica: vou marcar um churrasco lá em casa, vou chamar minha avó pra contar pra ela. Você está convidada, depois peço seu número pro Branco e te envio o convite.
Isabella: obrigada, não sei se é o melhor momento, mas se seu irmão achar tudo bem, eu vou.
Angélica: ele não tem que achar nada não, vai ser lá em casa. Fica em paz.
Nicolle: felicidades pra você —sorriu pra mim simpática e eu continuei com a mesma cara.
Isabella: brigada... terminou com o Jhony e veio pra cá? —a Angélica me olhou sem entender e a Nicolle mudou o semblante dela.
Nicolle: não que seja da sua conta, né? Mas tô morando aqui sim.
Isabella: pulando de chefe em chefe. —falei baixinho e ela nem ouviu. Apenas a Talita que estava ao meu lado e me encarou.
A Angélica chamou ela e as duas saíram do meu campo de vista. Respirei fundo sentindo a queimação dentro de mim e o enjoo batendo.
Talita: garota não tem culpa, Bella. Nada haver isso que você fez, ela tava numa boa contigo. Se ela está ou não com o Branco, você não tem que descontar nela.
Isabella: não foi por causa dele não. Ela estava na VJ com o Jhony, era amante dele. Tenho certeza que ela quem falou pro Branco sobre mim.
Talita: mas como? ela veio morar aqui recentemente. Depois que a merda estava estourada já. Não tem como ela ter visto você aqui, para de loucura vai, você veio pra curtir, então vamos curtir.
Tentei deixar todos meus pensamentos de lado e apenas curtir o baile de hoje, já que era a primeira vez que eu saía depois de muito tempo. Dancei tanto, que começou a me dar uma sede, e as únicas coisas que tinha na mesa aqui era bebida alcoólica e energético.
Isabella: vou buscar água, já volto.
Talita: Tem um cara vendendo no cooler bem aqui embaixo, só descer. Quer que eu vá? —assenti com a cabeça.
Dentro do camarote dava pra andar tranquilamente, o problema era na pista mesmo, era sempre cheio e a maior muvuca. Fui andando devagar na frente enquanto a Talita abria caminho, até que senti a mão grossa pesando sobre meu braço e virei a cabeça pro lado vendo o Branco. Estiquei meu braço o suficiente para cutucar a Tata e ela ver que eu tinha parado de andar.
Branco: vai pra onde?
Isabella: buscar água. Porque?
Branco: fica aqui, vou pedir pra alguém buscar. Não fica descendo pra pista sem necessidade.
Isabella: é só descer a escada, eu vou. —ele passou a mão pra minha cintura e eu senti um frio na barriga me dominar no mesmo instante. Senti seu perfume no ar quando ele se aproximou mais de mim pra falar próximo ao meu ouvido.
Branco: eu vou mandar buscarem, fica aqui Isabella. Se acontecer alguma coisa lá embaixo eu não vou ver e não vou conseguir ajudar a criança aí. Então faz o favor de esperar aqui e eu mando levarem para você.
Ele foi se afastar e eu segurei sua cintura e fiquei na ponta dos pés. Eu nem queria dizer nada, mas só queria aproveitar o momento. Até porque parecia que só existia eu e ele agora.
Isabella: com gás por favor.
Senti a respiração pesada dele batendo no meu pescoço e o mesmo se afastou de mim indo até um cara. Olhei pra cara da Talita que me olhava rindo e eu suspirei procurando o ar que me faltava. Arrastei ela pra parede próxima aonde estava o Brito, o Branco e uns meninos.
Talita: certeza que ele tá com raiva? Até eu fiquei apaixonada por vocês vendo aquela cena.
Isabella: me deu até um negócio, que isso... tô nervosa, preciso de água. —ela gargalhou.
Talita: já vão trazer, senta aí e respira.
Olhei o Branco caminhando até aqui, ele ficou na rodinha com os meninos e eu e a Talita juntas em um canto. Quando minha água chegou eu dei um gole generoso matando minha cede.
Fiquei pensando se o Michael sabia que a Nicolle era da Vj mesmo, até cogitei falar. Mas se ele sabia de mim, certeza que sabia dela também. E outra, eu não tô mais afim de me meter, já passei vergonha demais por hoje.